Trilha do Núcleo Perequê

Yary Nascimento - 02/9/2004

Apresentação


Cachoeira Perequê
© Ecoturismo Brasil

Tocou o telefone na sexta-feira a noite, ainda estava no escritório. Para minha alegria, era um convite do Thomas da Ecoturismo Brasil, para fazer uma caminhada e cascading em Cubatão no domingo.

Manhã de domingo e o clima estava indefinido, um pouco de sol, um pouco frio, nublado.

Mas não seria por causa dele que eu desistiria...


Travessia
© Lucio Braz dos Santos

Fui a última a chegar na Estação Barra Funda do metrô. Saí às 08:00 da manhã. Um pouco de descontração na Van até chegar lá e como a estrada estava tranquila, ganhei tempo para aproveitar mais a caminhada.

E qual não foi nossa surpresa quando chegamos em Cubatão? O tempo mudou, para quem tinha esperança num clima melhor, se enganou.

O jeito foi ensacar tudo que estava dentro da mochila, preparar o anorak, aquecer o corpo no alongamento e começar a caminhada na trilha.

A Trilha


Trechos da Caminhada
© Ecoturismo Brasil

A trilha do Núcleo Pereque, fica no município de Cubatão e está bem preservada.

Um pequeno trecho pelo bosque, onde a caminhada é tranquila, depois a primeira travessia no rio, como o nível estava bem baixo quem não queria molhar o calçado, era só parar e tirá-los, cruzar (a água estava bem gelada) calçá-los e de volta a caminhada.

Fiz uma caminhada tranqüila, apesar de encontrar alguns obstáculos naturais e, quando cansava, era só parar um pouco e recuperar o ar.


Piscina Natural
© Ecoturismo Brasil

Depois de 40 minutos aproximadamente, a trilha começava a ter outros obstáculos e foi necessário mais atenção, porque o percurso é feito sobre as pedras que estão secas, mas que por elas passam filetes de água e quando molham a sola do calçado é muito mais fácil uma queda. Em outros trechos, quem nos sustentavam eram cordas e raízes das árvores.

Antes de chegar à cachoeira, os mais corajosos desfrutavam das piscinas naturais que se formam no caminho. Muito convidativas, pena que água estava bem gelada.


Vista da Cachoeira
© Lucio Braz dos Santos

Para aproveitar mais e mais, além das paradas estratégicas para tomar fôlego, valeu uma parada para comer um pouco do lanche de trilha e a integração com a natureza.

E, quando avancei mais um pouco, na curva da mata, qual foi a minha surpresa (e temor) ao me deparar com a Cachoeira onde iríamos fazer o cascading. Fiquei mais de 10 minutos enquanto o restante do grupo seguia a trilha.

Impressionante pelo seu tamanho e beleza, essa época do ano a quantidade de água é menor (Ufa!!!!), segundo disse o Thomas, nosso guia. Mesmo assim... é uma boa dose de aventura! Para relaxar, nada melhor do que ver de perto a queda da cachoeira. Fiquei sentada uns minutinhos apreciando.

Cascading


Descida
© Lucio Braz dos Santos

Preparação para a pequena caminhada de 10 minutos até o topo da cachoeira. Um subida íngreme que faz a perna tremer, já que começávamos a ter a visão do abismo.

Enquanto os primeiros começaram a descer, eu e outra turma ficamos apreciando a vista - belíssima! - e buscando a coragem para mergulhar na grande piscina que tem lá em cima e depois ir para o abismo.


Cachoeira
© Ecoturismo Brasil

Poxa.... chegou a minha vez: sua coragem vem de dentro, ela brota. Como fui conduzida pela equipe tão segura, fiz uma descida deliciosa. Não quis olhar para baixo, não pelo medo, mas pela simples escolha de saber que não ia mudar em nada e talvez pudesse me apavorar à toa.

Naquela imensidão, diante de uma magestosa cachoeira fui deslizando e deixando que esse momento fosse único para mim. Sob a cachoeira passava uma revoada de andorinhas e, já no meio do percurso, quando o movimento da corda faz você girar e te coloca diante do nada, olhei para baixo e eu estava sob a queda mais forte da cachoeira. Um véu se formava sobre as rochas, uma beleza singular do cascading. Pisar em terra firme não era mais importante.

Ao término da descida, foi preciso ficar quieta alguns instantes para contemplar um pouco mais desse lugar. A volta foi mais intensa, pois havia chovido e todas a pedras estavam molhadas, com isso a atenção foi redobrada para que ninguém caísse.

Num tempo menor, cheguei ao início da trilha e a despedida foi um banho numa ducha natural com água bem fria e renovadora.

Dicas da Autora

A caminhada é tranquila, porém em alguns trechos ela se torna mais íngreme e escorregadia. Os trechos nos quais precisamos caminhar pelas pedras a atenção deve ser redobrada, por isso é fundamental que você faça essa trilha com uma bota de caminhada com solado anti-derrapante.

Esqueça o moleton, pois quando molhado ele pesa em dobro e dificulta a caminhada.

No caminho você encontrará algumas nascentes que podem ser utilizadas para abastecer o cantil, mas lembre-se de levar um purificador de água.

Na Serra do Mar, o clima, costuma mudar rapidamente. Previna-se levando sempre um anorak em sua mochila e ensacando os seus pertences em sacos plásticos.

Não evite a água gelada das piscinas naturais e da última ducha, vale muito a pena!

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