Trilha do Rio BranquinhoDinho - 12/11/2002 Apresentação
A convite da Andaluzs Adventures - operadora de turismo ecológico - acompanhei um grupo de 26 pessoas, vizinhos de um mesmo condomínio na cidade de São Paulo. O grupo foi formado basicamente por casais, os quais conseguem romper as paredes de seus apartamentos e mostrar que é possível se relacionarem nos condomínios das grandes cidades.
O destino era a Tribo Indígena Tupi-Guarani em Itanhaem partindo da estação de trem Evangelista de Souza, Parelheiros, zona sul da capital paulista. A trilha pouco conhecida foi batizada de `Trilha do Rio Branquinho` - percurso de aproximadamente 28 quilômetros feito mais ou menos em 10 horas de caminhada.
Passamos pela Ferrovia Ferro-Norte (1935) com 27 túneis que corta a serra do mar, a qual hoje passam somente trens de cargas, ligando Sul, Sudeste e Centro Oeste do País ao Porto de Santos e a cidade de Cubatão. As trilhas são de áreas de preservação ambiental e pertencem aos índios, de responsabilidade da FUNAI, protegida e fiscalizada pela Secretária do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Local de exuberância beleza, com mata atlântica imponente, rios importantes como: Rio Branquinho e Capivari Monos, além um número incalculável de vertentes, nascentes que deságuam nestes rios, e alguns animais como onças jaguatiricas, macacos, porcos do mato e muitos pássaros, enfim um paraíso, que devemos lutar para preserva-lo para futuras gerações. A Viagem
Saímos de São Paulo por volta de 6h00, pegamos a Rodovia Imigrantes, que liga São Paulo ao Litoral Sul paulista, descendo sentido litoral na interligação Rodovia Imigrantes / Anchieta, fizemos o retorno onde é necessário pegar a Rodovia Imigrantes sentido Capital. Bem próximo ao Km 40 encontramos com jipe da Secretária do Meio Ambiente - os guias nos aguardavam. Foram 12 quilômetros de estrada de terra, mas em ótimas condições, nosso ônibus fez em 50 minutos. A primeira parada foi numa padaria na Vila em Parelheiros, depois do café da manhã e ida ao banheiro, subimos no ônibus e desembarcamos após 10 minutos na estação de trem: Evangelista de Souza. O ônibus e o jipe voltaram pela Imigrantes e foram para Itanhaem - nosso destino.
Fizemos alongamento debaixo da marquise da estação, pois garoava, enquanto o guia passava as informações sobre o local. Apesar do tempo a animação era geral, a maioria colocou sua capa de chuva, e então começamos a caminhada de 8 quilômetros pelos trilhos de trem sentido Litoral. Durante a caminhada, brincadeiras, risadas e muita animação, mas os trilhos e as pedras em nosso caminho dificultava e o grupo passou a se separar onde os mais condicionados e animados na frente e os demais logo atrás, passamos por quatro túneis - os de números 27, 26, 25 e 24 - e ainda alguns pontilhões.
O túnel número 25 é o mais extenso onde foi necessário o uso de lanterna, pois haviam muitos buracos entre os trilhos. Entre os túneis 25 e 24 o pontilhão é mais alto, perfeito para prática do rapel, apesar de não ser permitido. Após 1h e 50m no final do túnel 24 nos deparamos com um trem - para alegria do grupo ele estava parado. Com inúmeras composições de carga aguardava um vagão-máquina para engatar e ajudá-lo a sair dali. Paramos para o primeiro lanche, descansamos e nos preparamos para a trilha dentro da mata. Ao entrar na trilha logo nos deparamos com uma forte descida, para não falar pirambeira, com a forte garoa que havia caído estava muito liso, os casais passaram o ficar mais juntinhos uns ajudando aos outros, quem não tinha alguém apoiava-se como podia em árvores, no chão etc... Não demorou muito e o primeiro tombo, muitas piadinhas e gargalhadas, em seguida o segundo, o terceiro e assim foi. Os mais acostumados tomaram a dianteira juntamente com o guia e o restante um pouco mais atrás, porém sempre havia um dos guias fechando o grupo.
Entre muitos tombos e escorregões começamos a ouvir som de água corrente, estávamos agora margeando o Rio Capivari Monos, após 2h 20min de caminhada chegamos ao poço Capivari Monos - onde pudemos descansar, tomar um lanche mais reforçado, e alguns mais corajosos entraram na água gelada para um banho na cascata. Um lugar belíssimo de águas transparentes, porém ali já dava pra ver o desgaste nos rostos de alguns. Após meia hora de descanso, atravessamos o rio e seguimos pela sua margem. Já não haviam mais descidas tão íngremes, mas em compensação a mata continuava fechada e a quantidade de riachos que tínhamos para atravessar aumentavam. Fato curioso é que mesmo andando algumas formigas pequenas subiam em nossas pernas e suas picadas eram ardidas, mas nada comparado às dores musculares que alguns sentiam. Mesmo assim as brincadeiras continuavam e sempre alguém fazia algum comentário engraçado: `Já terceirizei minhas pernas, se elas quiserem tomar banho, que me levem para casa, se não ficaremos por aqui mesmo`, além do coro `Vicente, viad...` que era gritado em homenagem a quem inventou a viagem.
Depois de 1h 30min de caminhada, chegamos ao encontro dos Rios Capivari Monos com Rio Branquinho. Na junção era impossível atravessar onde formava a ponta do Y, enquanto os guias atravessavam para verificar a profundidade, o pessoal aproveitava para descansar e fazer algumas fotos.
O início da travessia seria fácil, mas no meio do rio a correnteza ficava mais forte e haviam muitas pedras soltas. Mesmo com a água pela cintura acharam melhor utilizar uma corda, amarrando-a de um lado da margem ao outro, mais ou menos 30 metros de extensão, para garantir a segurança. Atravessei e me instalei numa pedra no meio do rio, fiquei aguardando os grupos. O pessoal passava e entre escorregões, gritos, risadas e molhados até a cintura, a sensação era uma mistura de alegria, medo e diversão. No final da travessia havia um barranco para subir, um deles ainda com força estendia a mão puxando os que vinham atrás.
Todos a salvos, recomeçamos a caminhada margeando o Rio Branquinho e já começava a entardecer. Mesmo sendo uma parte mais tranqüila, sem subidas ou decidas e caminhos mais abertos, o cansaço era tanto que tornava muito difícil, novamente muitos riachos, pelas minhas contas já tínhamos passado por vinte e cinco deles. Depois de mais 1h30 de caminhada podíamos ver sinais da presença do homem: trilha com matos aparados, pés de bananeiras, mas nem por isso tínhamos chegado, a noite começava a cair e ainda havia pelo menos 1h de caminhada até chegar à tribo indígena. Os borrachudos começaram a atacar. A vista ao lado era do Rio Branquinho, desta vez mais largo e com águas calmas. Chegamos à tribo, era quase noite, na entrada alguns indiozinhos receberam comidas que levamos, mas só pudemos cruzar a tribo porque estávamos acompanhados pelo guia Jamilson - funcionário da Secretária do Meio Ambiente. Já eram quase sete da noite e ainda tivemos que cruzar o Rio Branquinho, uns 50m de extensão, mas tinha a vantagem que seu leito era de areia, com água pela cintura e sem correnteza pudemos atravessar tranqüilamente. Mais dez minutos, estava lá o nosso ônibus. Enquanto trocávamos de roupa, os índios nos observavam, porém não pudemos fotografa-los. Os primeiros 12 quilômetros foram de estrada de terra até o trevo Itanhaem no Km 324 da Rodovia Pedro Táxi - uma hora com direito a troca-troca das sobras dos lanches. Apesar do cansaço, muitas lembranças de momentos de uma verdadeira aventura passando por lugares totalmente preservados de uma beleza única, a serem lembrados e comentados por muito tempo. ServiçosAndaluzs Adventures
Fones: (11) 5102-3883 5102-4542 Dicas do autor
Utilizar uma agência de turismo responsável e competente, acompanhado de guias credenciados e autorizados a passarem por dentro das terras indígenas;
Esta caminhada deva ser feita apenas por adultos, acostumados e condicionados fisicamente; Programar o início da caminhada entre 6h e 6h30, podendo assim intercalar mais paradas para descanso, chegando ao entardecer na tribo por onde o rio Branquinho passa majestosamente - um dos pontos mais belos da caminhada; Usar bota ou tênis confortáveis e apropriados para trekking com meias grossas e macias; As roupas devem ser leves e de fácil secagem, como também usar trajes de banho por baixo; Deixar uma muda de roupa e calçado no ônibus para a volta; Na mochila levar apenas protetor solar, repelente, capa de chuva, lanterna, toalha, lanches e água. |
Twitter: excelente ferramenta para divulgação do turismo
|
![]() |
| Anuncie sua hospedagem ou agência Grátis | Entre em Contato | Sobre o Portal EcoViagem |