Nas trilhas do Off Road

Quem é que não gosta de curtir a natureza tomando um banho de cachoeira, fazendo rapel, rafting, e se for dentro de um 4x4 percorrendo trilhas entre matas com muita emoção? É claro que o bicho pega! Mas não se pode esquecer de uma coisa, aproveitar a natu

  
  

Quem é que não gosta de curtir a natureza tomando um banho de cachoeira, fazendo rapel, rafting, e se for dentro de um 4x4 percorrendo trilhas entre matas com muita emoção? É claro que o bicho pega! Mas não se pode esquecer de uma coisa, aproveitar a natureza não é judiar dela. O que algumas pessoas não se dão conta é que sujar o meio ambiente, maltratar árvores, deixar lixo na mata, causar incêndios, amarrar cabos de aço em árvores para puxar jipes é um desrespeito, além de ser falta de consciência.

Emoções em uma trilha de Off Road

Emoções em uma trilha de Off Road
Foto: Universo Off Road

E por falar em aventura na mata, a prática do off road é um esporte que começou há muito tempo. Por volta de 1910 rodou pela primeira vez um carro estranho, um legítimo fora da estrada, embora bem diferente dos que conhecemos atualmente. Hoje, os estilos são os mais variados possíveis. Alguns modelos possuem tração integral como é o caso dos Niva e dos Land Rover, outros, apenas tração inserível como os Willys, Toyota, JPX e os Mitsubishi. A vantagem dos 4x4 aparece quando o desafio é em piso escorregadio, na lama, nas grandes inclinações e em passagens difíceis.

Impacto causado pelo excesso de tráfego de jipes em uma trilha

Impacto causado pelo excesso de tráfego de jipes em uma trilha
Foto: Universo Off Road

E como não poderia ser diferente, já que a imagem do 4x4 é outra, mudou também a imagem do jipeiro. Antes eles eram vistos como uns caras sujos, empoeirados, que não queriam nada com nada e andavam em carros grandes caindo aos pedaços, enfiando-se mata adentro acabando com árvores e plantas. Hoje, a prática de off road é algo que está virando moda. Ao contrário de antigamente, os jipeiros são vistos como pessoas que gostam de aventura, que têm carros turbinados e que curtem a natureza. Novo conceito que surgiu graças a atenção dada pela mídia e ao interesse em publicar mais material sobre o assunto, além do avanço natural do esporte.

Árvore machucada pelo uso de cabo de aço

Árvore machucada pelo uso de cabo de aço
Foto: Universo Off Road

Apesar de toda beleza que envolve essa prática, um dos problemas mais comuns tem sido conscientizar alguns esportistas a respeitar os limites do meio ambiente. É legal saber que o espírito de ser jipeiro é algo que vem do coração, da vontade de fazer amizades novas, do clima de equipe (já que sozinho as dificuldades são maiores), do gosto pela lama, mas não se pode acreditar que sair por aí abrindo trilhas, e “enforcando” árvores toda vez que um carro atola é legal. O jeito é procurar alternativas. Se um caminho tá difícil deve existir uma técnica. Discutindo com a equipe, alguém pode ter uma estratégia bacana, vale tentar.

Lixo que danifica a natureza

Lixo que danifica a natureza
Foto: Universo Off Road

Segundo Luciano Dellarole, da Off Road Adventure Team, que já participou de alguns campeonatos de off road, passeios que incentivam o contato com a natureza, como o turismo ecológico e rural, em nada danificam o meio ambiente. “Os trajetos percorridos são caminhos que já existem, e assim nada é derrubado ou desmatado, além do que a poluição é relativamente pequena. Nos passeios, a programação feita para o turista assegura diversão e garante que o percurso será legal, com novidades e vistas deslumbrantes”.

Passeio turístico de jipe

Passeio turístico de jipe
Foto: Orateam

Outra ação não recomendada, que às vezes acontece, é o descarte de lixo na mata, como garrafas de refrigerante, latinhas, e as corriqueiras sobras de um churrasquinho, por exemplo. Que jipeiro gosta de lama, a gente sabe, mas por quê alguns não contribuem com a natureza ? Segundo Dellarole existem três pontos em que podemos reduzir o impacto desta prática na natureza. “A primeira é sempre levar saquinho plástico pra não deixar nenhuma lembrança desagradável na floresta; a segunda é, ao invés de fazer fogueira para aquecimento, levar mais roupas quentes, sacos de dormir e até um geradorzinho pra iluminar na escuridão; e a última é usar os caminhos já existentes, pra evitar derrubar árvores”.

É interessante saber também que a história de que a natureza absorve todas essas “lembrancinhas” é em parte errada, porque alguns desses materiais, principalmente os sintéticos levam muito tempo, pra não dizer milhares de anos para se decompor. Só pra ter uma idéia, um cigarro leva de 2 a 5 anos para desaparecer; o nylon mais de 30 anos; o vidro vai demorar “apenas” 1 milhão de anos pra ser absorvido, e um simples chicletinho que muita gente nem presta atenção, desaparece depois de 5 anos. O que deve ficar claro é que nem tudo é tão simples de se corrigir, portanto o melhor mesmo é não fazer errado.

De acordo com o Alexandre Salaverry, do Universo Off Road, outro problema são os buracos existentes nas trilhas. “Existem trilhas com mais de 2 metros de buraco causados pelas inúmeras passagens dos jipes no mesmo lugar. O pneu do jipe cava o piso, e nessas depressões acumula-se água, o que faz com que o terreno fique ainda mais frágil. Um exemplo disso é a trilha do Pinheirinho na Serra da Cantareira”. Outra informação é saber que é permitido fazer off road em parques nacionais, desde que haja autorização e acompanhamento de guia. “O guia vai mais para controlar, e a função dele nesse caso não é mostrar as belezas do lugar, mas sim tomar conta para que nada de errado aconteça”.

Ainda segundo Alexandre, as árvores não merecem ganhar um cinturão de aço, até porque aquele jipeiro que pensa que é o único a ter essa idéia, está completamente enganado. ”Já pensou quantos fizeram a mesma coisa, principalmente nas árvores mais próximas dos pontos mais críticos de atolamento?”. Uma dica que Alexandre dá, é usar uma cinta de qualidade, mais grossa e que envolva o tronco com duas ou três voltas perto da raiz para assegurar que a árvore não vá sofrer tanto, ou então ancorar em outro jipe.

Nenhuma prática de aventura ligada à natureza é proibida, desde que as pessoas saibam que é possível encarar desafios e ainda aquele friozinho na barriga sem ter de prejudicar ou incomodar o que está quieto. A educação ambiental tem de estar presente nas práticas mais simples até as que exigem mais trabalho e consideração.

  
  

Publicado por em

Marianna

Marianna

07/05/2009 13:41:09
Muito importante, as pesooas deviam se concientizar que o mundo esta se acabando e se todos fizerem a sua parte isso pode mudar!!!
O MUNDO AGRADECE!

Rafael

Rafael

24/11/2008 15:57:55
Otima forma de advertir sobre os danos causados a natureza. Na hora da diversão é uma maravilha a busca pela aventura inesquecivel para quem participa para a naturza ela deve ser esquecida, ñ é necessario deixar marcas desagradaveis de sua presença..okys eu me divirto, e também me preocupo com a preservaçã da natureza.