Toyota Winter Festival

Por João Correia Equipe da Toyota Foto: João Correia Fazer uma reportagem sobre aventuras em veículos 4x4, em estradas lamacentas, com obstáculos, buracos e erosões é, sem dúvida, o desejo de muitos jornalistas, principalmente aqueles viciados em

  
  

Por João Correia

Equipe da Toyota

Equipe da Toyota
Foto: João Correia

Fazer uma reportagem sobre aventuras em veículos 4x4, em estradas lamacentas, com obstáculos, buracos e erosões é, sem dúvida, o desejo de muitos jornalistas, principalmente aqueles viciados em adrenalina.

Aula teórica

Aula teórica
Foto: João Correia

Agora, imagine se você, além de fazer a matéria, pudesse dirigir esses veículos e sentir na pele a emoção de enfrentar uma trilha, ainda por cima com uma paisagem linda do lado de fora. Pois bem, durante o Festival de Inverno de Campos de Jordão, que aconteceu durante o me de julho, a Toyota resolveu colocar a Hilux (uma baita camionete 4x4) na mão de vários jornalistas e ensinar como se dirige essa máquina que topa qualquer parada.

Todos para a lama

Todos para a lama
Foto: João Correia

O Ecoviagem conferiu a aventura e trouxe uma série de dicas para quem adora curtir a natureza e vai pegar uma trilha com um veículo fora-de-estrada, ou, se você preferir o inglês, “off-road”. É uma espécie de beabá do 4x4, com alguns comentários de quem sentiu as emoções na pele.

Enfrentando subidas, descidas...

Enfrentando subidas, descidas...
Foto: João Correia

Pra começar, a natureza

... e barrancos

... e barrancos
Foto: João Correia

Começamos com uma aula teórica dada pelo pessoal da Brasil Off-Road eventos. Marcelo Abrahão, um dos nossos instrutores, começa dizendo algo muito importante: “a aula teórica não é apenas pra saber ‘como funciona’. Em primeiro lugar é bom saber que dirigir um veículo 4x4 não é sinônimo de destruição da natureza. Muito pelo contrário”.

O respeito à natureza é o mesmo para qualquer outra modalidade esportiva e não é porque se está com um veículo com muita potência que vai sair destruindo tudo que se encontra pela frente. Lembre-se que seu desafio é superar os obstáculos, não destruí-los. Tenha isso sempre em mente, pois esse é o espírito do off-road.

Na teoria, ainda sem lama

Bom...antes de sair acelerando e mudando marcha, é preciso saber o que é um veículo 4x4 e alguns conceitos básicos dos veículos fora-de-estrada. O difícil foi segurar a impaciência dos jornalistas, que não viam a hora de cair na estrada.

Primeiro, básico do básico, mas necessário: os veículos fora de estrada possuem tração em todas as rodas, ou seja, as quatro rodas empurram o veículo para frente (ou para trás). Nos carros convencionais apenas duas rodas impulsionam o carro. No entanto, a força não é a única vantagem desses carros: nos carros 4x2, como a força está restrita a duas rodas a pressão é maior nesse ponto e o carro pode patinar ou derrapar. A tração 4x4 distribui a potência do motor nas quatro rodas e isso não acontece.

Mais não é só isso: a suspensão desses também é diferenciada, com maior resistência, elasticidade e força. Além disso, é, geralmente, mais alta, o que permite que o veículo passe em desníveis bem maiores. Nesse caso, os baixinhos (como eu) estão em desvantagem.

Os pneus são feitos para agarrar mais. Aliás, pneus são um capítulo à parte, que não convém para esta matéria. Hoje em dia existem muitos modelos e ideal é usar um adequado para o tipo de terreno mais comum na sua região. Ou você cairá no erro de usar chuteiras de futebol de campo em uma quadra de futebol de salão.

No nosso caso seria uma Toyota Hilux 4x4, mas é bom saber também que existem caminhões e muitos veículos que são 6x6, 8x8, 10x10 assim por diante. São muito utilizados em guerras, nesse caso, dando um péssimo exemplo. Alguns países onde a neve é constante e muito alta também utilizam veículos com tração em todas as rodas.

Os veículos 4x4 possuem 2 Diferenciais, uma marcha Reduzida e 2 câmbios, mecanismos que conheceremos mais adiante. Essas talvez sejam as maiores diferenças dos carros convencionais, 4x2, que só tem um diferencial, não possuem a Reduzida e só possuem um câmbio, como você já deve ter percebido.

Diferencial: A grande diferença

Repare: quando um carro faz uma curva, a roda que está do lado de fora precisa percorrer um espaço maior que a que está do lado de dentro. Difícil? Bom...é só pegar uma caneta e fingir que possui uma roda em cada ponta. Coloque sobre uma mesa e segure no meio. Arraste pela mesa em linha reta. Depois faça uma curva e veja como um dos lados fica quase parado e o outro se movimenta rapidamente. No caso de um carro, se as duas rodas estivessem fixas a um eixo e o carro fizesse uma curva o eixo se quebraria, afinal um lado viraria mais rápido que o outro. É aí que entra o Diferencial: um mecanismo importantíssimo para o automobilismo que compensa essa diferença de velocidade entre as duas rodas e evita que o eixo se quebre. Pois bem, a diferença nos 4x4 é que, como são duas rodas tracionadas também são 2 diferenciais, nas rodas de trás e de frente.

A Reduzida

Você está andando com uma dessas bicicletas com várias marchas. Quando chega na subida o que você faz? Coloca uma marcha mais “leve”, claro. Você acaba pedalando mais vezes, mas sem fazer tanto esforço concentrado. No caso dos 4x4 é mais ou menos isso que acontece quando se engata a Reduzida. Usando engrenagens de tamanhos diferentes, o motor roda em rotações mais altas, faz menos força e fica mais forte e robusto. Ótimo recurso para subidas mais íngremes e obstáculos mais acentuados.

Importante: a Reduzida é ideal para lama, areia, pedregulho e outros terrenos bem acidentados, mas não pode ser usada em asfalto ou cimento. A força desnecessária pode danificar o sistema de tração do veículo.

Alô, Câmbio

Uma das primeiras coisas que você vai notar ao entrar num veículo 4x4 é que existem dois câmbios. Um é para engatar as marchas como em qualquer outro carro. O outro para a engatar a tração 4x4 e a Reduzida. Cada veículo tem sua nomenclatura para esse segundo câmbio.

No caso da Hilux é Hi (sem a reduzida) Low (quando a reduzida está engatada) e N – neutro (quando o veículo for rebocado. O que significa que todo o sistema do câmbio fica desconectado).

Os veículos 4x4 podem apresentar dois sistemas de tração: Optativo ou Permanente. No Optativo (ou part-time), como o próprio nome diz, o piloto pode optar por manter a tração em duas rodas quando não estiver fazendo trilhas.

O Permanente (ou full time) o veículo é sempre um 4x4. No caso da Hilux o sistema é optativo e é na marcha que você vai engatar a tração que deseja.

Agora é na prática

Bom...agora o cenário começa a mudar. Saímos de uma sala de convenções para a deliciosa Serra da Mantiqueira, mais precisamente nas montanhas de Campos de Jordão, lugar privilegiado. E frio. Na nossa turma de jornalistas éramos em 7, e homens e 4 mulheres, para espanto inicial. O início com trilhas mais leves, com alguns buracos fez pensar que aquilo seria como dirigir um outro carro qualquer – sem contar o tamanho, claro. A Hilux mede quase 5 metros de comprimento.

Seguimos. Mais alguns buracos, a estrada começa a piorar e engatamos a tração 4x4. É bom lembrar também que A tração 4x4 não pode ser usada em pisos como asfalto ou cimento, pois possuem muito atrito e isso pode danificar os eixos e o sistema de transmissão.

Depois disso, os instrutores fazem um pequeno desvio na estrada e entram direto em uma estrada íngreme e com algumas erosões pequenas (por enquanto, disse Marcelo, nosso instrutor). Era a oportunidade para se mexer no segundo câmbio, até então intocado e descobrir o que é a Reduzida. Engatada a reduzida, a Hilux sobe como se não houvesse nada na sua frente. O detalhe que não sabia é que na subida não é necessário nem apertar o acelerador, nem mudar de marcha. Só é preciso ir direcionando as rodas entre os obstáculos.

Na decida, outra surpresa: não precisa apertar o freio. A Hilux mantém uma aceleração constante. Pra falar a verdade parece um touro domado. Dá impressão que a qualquer hora ele vai cair ou saltar. Mais não. Descemos tranqüilos, erosão acima, erosão abaixo.

O percurso também foi se tornando cada vez mais bonito na medida que subíamos a Serra da Mantiqueira. Estradas em meio a árvores, flores e muitas, muitas montanhas. Esfria cada vez mais.

Subida, descida e postura

Mais à frente, descemos uma outra rampa, ainda mais íngreme. Mais uma vez a reduzida. Só que agora era preciso estar atento à altura da erosão. O instrutor explica que na maioria das vezes é necessário descer do carro e analisar a situação. “É bom lembrar que quando você está no topo de uma rampa, em determinado momento, não conseguirá ter visão nenhuma da trilha, que estará bem abaixo de você. Na subida é a mesma coisa”, afirma.

Nessa hora, Marcelo nos dá outra dica importante: “Evite mudar repentinamente de direção e aceleração. Muita calma é o grande segredo”.

É importante também a postura ao volante, pois isso influi muito no resultado da “pilotagem” e no menor desgaste de uma outra máquina – seu corpo. Com postura adequada, você vai chegar no final da trilha mais descansado.

A postura correta é manter as costas coladas entre 75 e 90 graus, com o banco abraçando todo seu corpo. É necessário manter sempre as duas mãos no volante no sentido 9:15 ou 10:10h, com os dedos polegares para fora. Quando for passar por degraus, pedras e erosões (situações que pode haver um “tranco”) e se seu dedo estiver do lado de dentro pode sofrer graves lesões.

A Lama

O caminho continua cheio a trancos e barrancos. Depois de muito subir e descer, chegamos ao ponto mais emocionante da trilha, quando enfrentaríamos uma grande poça de lama. Todos descem da Hilux e vão ver de perto o que enfrentariam e estudar qual a melhor forma de atravessar.

Marcelo nos orienta a pegar um pequeno galho e ver qual a parte mais firme e a mais profunda da grande poça. “Parte do sucesso da travessia pode estar no embalo. Em muitos casos o ideal é ganhar velocidade e fazer com que o veículo flutue sobre o trecho de lama”, explica Marcelo.

No entanto, o volante fica quase sem controle e a solução é seguir pela trilha que o próprio local te dá, sem fazer movimentos bruscos para o lado. “É só manter o carro na direção certa”, completa. Dito e feito: num grande embalo segui rumo a lama. O carro parecia não ter direção. Me restava seguir a importante instrução do Marcelo. “Acelera agora!!” e eu acelerei, no momento que a Hilux necessitava flutuar sobre a lama.. E flutuou. Passamos a poça de lama com sucesso.

Depois disso foi só festa. Um a um os jornalistas foram vencendo esse grande obstáculo e seguindo para o ponto mais alto da trilha e, com, certeza o mais bonito - um grande chapadão de onde se podia ver todo o Vale do Paraíba e ter a sensação de estar nas nuvens.

Lá, após algumas as últimas dicas e orientações, recebemos um diploma de “piloto de 4x4”. Nível básico do básico, claro, mas o suficiente para despertar em nós uma vontade de sair fazendo outras trilhas, vencendo novos obstáculos e chegando a lugares onde a natureza é a grande recompensa.

Dicas

Vale a pena registrar outras dicas dadas pelo pessoal da Brasil Off-Road, que ministrou o curso e tem muita experiência. Quando for sair para fazer uma trilha, leve sempre:

- Um ou dois litros de óleo de motor
- Um rolo de fita adesiva, tipo silver tape
- Arame
- Pedaço de mangueira
- Cabo de aço (veja qual o ideal para rebocar o seu veículo)
- Uma garrafa vazia de refrigerante 1 ou 2 litros ( você pode precisar ir buscar combustível em outro lugar)
- Lanterna
- Sempre avise alguém onde você pretende ir e quando pretende voltar
- Respeite a natureza e as pessoas
- Seja responsável e divirta-se

  
  

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