Travessia do Drake - enfrentando o mar gelado num veleiro

Por Melina Prestes Efrentar as águas gélidas num bicasco: aventura ou loucura? Foto: Travessia do Drake Uma das grandes façanhas realizadas no universo da aventura, em 2003, foi a Travessia do Drake, de janeiro a março. O desafio era velejar, nu

  
  

Por Melina Prestes

Efrentar as águas gélidas num bicasco: aventura ou loucura?

Efrentar as águas gélidas num bicasco: aventura ou loucura?
Foto: Travessia do Drake

Uma das grandes façanhas realizadas no universo da aventura, em 2003, foi a Travessia do Drake, de janeiro a março. O desafio era velejar, num catamarã 21 pés e sem qualquer cabine, da América do Sul, a partir do Ushuaia, até a Antártica, vencendo um mar traiçoeiro e a turbulenta Passagem do Drake, rota obrigatória para quem pretende visitar o continente gelado.

Ondas grandes e traiçoeiras

Ondas grandes e traiçoeiras
Foto: Travessia do Drake

O audacioso projeto levou meses de muito planejamento, treinamento e preparação, e só foi possível pois contou com o apoio de um barco grande, que levava a bagagem mais pesada e monitorava o hobie cat (catamarã). Por alguns dias a partir da Península Antártica, porém, o hobie cat teve autonomia para velejar sozinho, em trechos que só poderiam ser alcançados por um barco de pequeno porte.

A aventura também proporcionou belos visuais

A aventura também proporcionou belos visuais
Foto: Travessia do Drake

“Fomos o primeiro veleiro sem cabine a chegar no continente gelado” – declarou Beto Pandiani, líder da equipe que contava ainda com outros 4 aventureiros e velejadores: o sul-africano Duncan Ross, velejador profissional; o velejador, mergulhador, piloto e rádio operador Júlio Fiadi; o alpinista Makoto Ishibe e o médico Fábio Tozzi.

A conquista do continente gelado

A conquista do continente gelado
Foto: Travessia do Drake

As frentes frias que chegam na América do Sul, nascem na Antártica. A região drakeana é muito inconstante e os ventos e ondas originam-se de várias direções. Uma onda, que sai por exemplo da Polinésia, não encontra obstáculo algum que reduza seu tamanho até chegar no Drake. Em função disso, as ondas enfrentadas na aventura podiam atingir grandes tamanhos, e as condições físicas ficam muito traiçoeiras. Segundo Beto, “um dos mares mais traiçoeiros do mundo”.

Equipe drakeana

Equipe drakeana
Foto: Travessia do Drake

“O mérito do projeto foi encontrar uma brecha na muralha. A primeira pergunta foi: será que não existe algum momento, ao menos por uma semana, em que esse lugar dê uma trégua?” - relata Pandiani.

Na França, o velejador pesquisou, num centro meteorológico, se existia um momento do ano em que o Drake oferecesse alguma oportunidade para a realização de sua travessia. Um especialista francês acabou detectando a possibilidade de ocorrer uma “janela” entre os meses de janeiro, fevereiro e março.

Com esta informação preciosa, as características do barco foram sendo planejadas. O catamarã precisava ser resistente, mas ao mesmo tempo leve para conseguir bastante velocidade com pouco vento, pois essa era a única forma de aproveitar a janela de calmaria no Drake.

Um dos mecanismos para conseguir a velocidade necessária foi o de que quanto maior a vela, maior será a velocidade. Isto acontece porque maior será a área de vela em contato com o vento.

O esquema de navegação era de rodízio entre Pandiani e Duncan, que revezavam, de tempos em tempos, o controle de bordo. A alimentação foi realizada no próprio catamarã. Baseada em frutas secas, cereais, leite, chocolate, castanhas, bolo inglês, presunto, queijo, “rações” auto-esquentáveis. Beto diz que comeu tudo que está acostumado a comer na própria casa. “Orientado por uma dieta de 5500 cal/dia pela Nutrimental, passei no supermercado, fiz uma boa compra, e fui viajar”.

A primeira grande aventura de Pandiani foi a trajetória de Miami à Ilhabela, conhecida como “A viagem entre 2 trópicos”, realizada com 2 catamarãs. A segunda foi a “Viagem Austral”, sempre a bordo de catamarãs, que é sua paixão e a marca de suas aventuras. “Gosto dos bicascos pois são mais velozes que os veleiros tradicionais, aumentam a adrenalina e possibilitam a realização dessas incríveis viagens que testam nossos limites” – conclui.

Mais informações: www.travessiadodrake.com.br

  
  

Publicado por em

Luiz

Luiz

15/10/2008 16:17:53
Quando nós vemos uma comida gostosa não dizemos que estamos com água na boca? Pois é! Fazendo um paralelo, digo que estou com areia nos olhos. Por favor, mais detahes e mais fotos, meus olhos precisam de colírio. Que aventura fantástica!!!!!!!