A evolução do relacionamento entre os homens e os animais

O ser humano sempre sofreu uma espécie de “Síndrome de Narciso” que o levou a construir mitos de si mesmo, como o de considerar-se feito à “imagem e semelhança de Deus” ou o “coroamento da criação”. É como se toda a ev

  
  

O ser humano sempre sofreu uma espécie de “Síndrome de Narciso” que o levou a construir mitos de si mesmo, como o de considerar-se feito à “imagem e semelhança de Deus” ou o “coroamento da criação”. É como se toda a evolução biológica que o precedeu fosse uma espécie de ensaio da natureza para atingir o ápice da perfeição: o surgimento do Homo sapiens.

Por sentir-se o centro do universo, o homem reconhecia no animal e nas outras espécies simples “coisas”, desprovidas de vida própria, que existem apenas para lhe servir. Embora, ossos de um ser humano e de um gato enterrados no Chipre há 9.500 anos mostram que vivemos ao lado dos animais há muito mais tempo do que pensávamos. Acreditava-se até então que os egípcios tinham sido os primeiros a domesticar os gatos, por volta de 4 mil anos atrás.

As análises dos cientistas do Museu Nacional de História Natural, em Paris, na França, mostraram que o buraco onde o animal foi colocado foi cavado e depois coberto com terra. Se o gato não tivesse sido enterrado intencionalmente, seus ossos teriam se dispersado. O gato também não tinha nenhum sinal de violência, o que significa respeito de quem o enterrou, caracterizando um relacionamento próximo entre a pessoa e o animal.

Ao iniciar o processo de civilização, o ser humano levou consigo o planeta inteiro, desequilibrando todo o ecossistema.A paleontologia revela que os humanos eram numerosos, inicialmente; havia dezenas de espécies semelhantes, com características distintas. Hoje só há uma, o que pode ser sinal de “um beco sem saída”, como chamou a atenção, diversas vezes, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould .

Do ponto de vista das outras espécies, está bem claro agora que nenhum dos grandes mamíferos e boa parte dos menores terá condições de resistir se a raça humana continuar crescendo e agindo de forma depredatória. E só uma parte dos restantes, provavelmente, poderá ser preservada em reservas e parques.

As aves, os répteis, os peixes e as árvores terão destino parecido. Isso para não falar do reino mineral: nos rios, nas montanhas e nos oceanos poluídos, explorados inconseqüentemente pelos homens.

A espécie humana não pode dar-se ao luxo de continuar a usar de forma tão drástica dos recursos naturais.Precisa modificar este procedimento, para assim poder garantir até a sua própria existência, aprendendo a preservar seu habitat.

A pressão ecológica de cada indivíduo é calculada, tendo em conta seis componentes distintos: a área de cultivo necessária para produzir os alimentos consumidos, a área de pastoreio para produzir os produtos animais, a área de floresta exigida para produzir madeira e papel,os materiais de que o indivíduo necessita para construir infra-estruturas e viver e a área de floresta necessária para absorver o CO2.

Segundo um estudo realizado, a superfície necessária para produzir os recursos naturais consumidos por um norte-americano médio e para absorver o CO2 que emite é quase o dobro da requerida por um europeu ocidental e quase cinco vezes maior do que a de um asiático, africano ou latino- americano.

O relatório sublinha ainda que as emissões de dióxido de carbono representam o maior excesso sobre a capacidade natural da Terra, cometida pela humanidade. E as alterações climáticas causadas pela crescente concentração dos gases responsáveis pelo efeito de estufa constituem um dos maiores riscos para o século XXI.

O compromisso da utilização responsável dos meios naturais, passa a ser a considerada a única solução para a salvação da todas as espécies.O respeito ao meio ambiente é um dever de todos , cabendo a nossos governantes fiscalizar as indústrias poluidoras, incentivar a reciclagem do lixo, impedindo que este seja lançado na natureza e, cuidando para que o esgoto não fique a céu aberto ou indo parar em riachos e rios , comprometendo a saúde dos homens e animais que consomem esta água.

O Brasil é o único país no mundo a possuir em abundância as `Sete Matrizes Ambientais`, os insumos vitais para a sobrevivência : a água, o minério, a energia, a biodiversidade, a madeira, a reciclagem e o controle de emissão de poluentes , por isto é essencial que as questões ambientais sejam incorporadas de maneira conscientizadora em todas as atividades desenvolvidas em nome do progresso.

A partir do momento, que é despertada a necessidade de preservarmos o meio ambiente , surge uma nova concepção de relacionamento , voltada para o respeito a todas as formas de vida, onde inclui-se os animais.

O animal que antes servia apenas de suporte, evoluiu também para animal de estimação.Sua relação com o ser humano tornou-se tão complexa que, ao entrar para uma família, ele é capaz de provocar alterações no comportamento de todos os seu membros. Ele passa a compartilhar hábitos humanos , muitas vezes , adquire o status de uma pessoa. No caso de seu desaparecimento, sua falta é sentida com muita intensidade.

Com todos os avanços da ciência, pesquisas mostram, que o convívio com os animais , é considerado um dos melhores recursos terapêuticos. Os animais domésticos passaram a ser considerados importantes na sociedade, por oferecer apoio emocional.

Para quem vive na cidade, representam contato com a natureza. Está nos genes humanos apreciar a interação com animais e plantas.A simples presença de um animal de estimação pode ser relaxante, ajudar a diminuir a pressão sangüínea e o estresse.

Alguns animais são mais benéficos que outros. O efeito relaxante aparece menos quando se tem um peixe num aquário ou pássaros na gaiola. Os resultados dependem de contato, portanto, aqueles que podem ser tocados, como cachorros e gatos, são mais eficientes. Gatos são particularmente úteis no tratamento de pessoas com tendências depressivas. Ao contrário dos cachorros, buscam o carinho dos donos só quando requisitados.

Atualmente, em muitos lugares, os animais são usados na recuperação de doentes , convalescentes e até presidiários. Na Europa, 30% das terapias de recuperação utilizam animais. Em San Francisco, nos Estados Unidos, existe um programa em que cães e gatos oferecem conforto a pacientes terminais de Aids.

A convivência com o animal , as vezes, acaba substituindo para algumas pessoas, os filhos e os amigos. O amor incondicional, a lealdade, a compreensão sem crítica e estar presente em todas as situações são elementos fundamentais neste relacionamento. Isso faz com que essa relação seja, muitas vezes, considerada superior a de um ser humano com outro.

A preocupação em criar leis para defender os animais de todos os tipos de exploração, cometidas nos circos, em rodeios e, também o combate ao tráfico de animais silvestres e um interesse muito grande em salvar algumas espécies da extinção, demonstram que os homens estão conscientes que estas atitudes representam assegurar o equilíbrio do planeta.

Entre as utilizações de animais pelo homem, está a de cobaia, uma espécie de tortura autorizada e abuso, que representa uma exploração legítima da natureza em benefício da humanidade.A vivissecção vem do latim vivus (vivo) e sectio (corte, secção), é algo cruel, inútil e um grande impecilho para o avanço da ciência.

Grandes catástrofes farmacológicas foram testadas em animais, como por exemplo, a talidomida, isoprenalina, depo-provera e stilboestrol. São provas reais de que a vivissecção, além de falha, é uma grande fraude científica.

O modelo animal difere totalmente do ser humano, sendo impossível prever com segurança os efeitos de drogas e medicamentos testados em animais, por serem totalmente diferentes física e morfologicamente.

O organismo humano não é idêntico ao de ratos, coelhos, cães , porco, rãs, etc.O organismo dos mais diversos tipos de animais não são iguais entre si. Ou seja, experimentos feitos , por exemplo com camundongos e ratos não terão necessariamente os mesmos resultados, e isso foi comprovado em um teste realizado em 1999, onde camundongos e ratos foram utilizados em um teste que tinha a finalidade de determinar o efeito cancerígeno do flúor.

Nesse teste, os camundongos não foram afetados, já os ratos foram afetados por câncer na boca e nos ossos. Então é visível que muitos experimentos além de machucar e matar os animais, eles prejudicam e matam seres humanos.

As críticas com relação ao uso de animais, seja para aulas práticas com animais sedados, e logo após seu sacrifício, ou para experiências em animais vivos crescem mundialmente.. Em Israel, por exemplo, a principal linha aérea se nega a transportar primatas para serem usados em experiências e em todas as escolas governamentais a dissecção foi proibida.

Segundo o ministro da Saúde, `é mais importante ensinar aos alunos israelenses a compaixão pelos animais, pois essa compaixão certamente criará maior compaixão por seres humanos`, declarou.

Já nos Estados Unidos a grande maioria das escolas de medicinas não usa animais, como a Columbia University College of Physicians and Surgeons, Harvard Medical School, as universidades de medicina de Miami, Michigan, Texas, Washington, Iowa e mais dezenas de outras. Na Europa a mobilização contra este tipo de aula tem a mesma força.

A vivissecção é muito utilizada , mesmo nos países desenvolvidos , pelos laboratórios de algumas empresas. Nestes laboratórios surgem novos produtos de limpeza, de beleza, de higiene e até novas rações para animais e canetas.

Os animais de laboratório, não são suficientemente iguais a nós, de modo a que as pesquisas neles possam ser generalizadas para seres humanos. Se eles não são suficientemente iguais a nós para permitir generalizar as descobertas experimentais aos humanos, então as experiências não se justificam , e, assim, não têm sentido realiza-las.

Por outro lado, se os animais são suficientemente iguais a nós para permitir generalizar as descobertas aos humanos, possuem um sistema nervoso cerebral muito similar ao do ser humano, onde estão presentes as duas estruturas correspondentes, de um lado, às emoções instintivas (sistema límbico) e, de outro, às funções nobres, como a vontade, a ideação e sentem as mesmas dores e aflições, devemos presumir que tais experiências são imorais. Portanto, em qualquer caso, a experimentação é inaceitável.

É importante que pessoas que trabalham na área de pesquisa, estudantes de biologia, veterinária, zootecnia e outros, contribuam da sua melhor maneira para desestimular este tipo de tortura. Todos juntos devemos ter um só objetivo: salvar esses seres inocentes e indefesos de tanta crueldade.

O movimento contra a vivissecção é visto cada vez mais como parte do movimento ecológico, que se preocupa com os danos gigantescos que o homem comete, com sua prepotência á natureza.A medicina terá muito a ganhar com o fim da vivissecção, impedindo assim, que a pesquisa médica insista em tentar descobrir a saúde , sendo instrumento de sofrimento e morte desnecessária.

Precisamos estabelecer uma postura ante os animais, visando aperfeiçoar a ética entre os humanos, porque o animal representa a natureza primitiva e instintiva de que todos nós somos constituídos.

O animal é parte da natureza e, como tal, não é bom nem ruim, obedece apenas ao seu instinto, que é também o fundamento da natureza humana e, se não for integrado à sua personalidade, pode ser extremamente perigoso. Através do exercício da vontade, o homem pode suprimi-lo, distorcê-lo, mas, ao ser reprimido, o instinto pode tomar conta da pessoa e destruí-la.

A necessidade de implantarmos, uma nova mentalidade capaz de permitir uma relação de respeito com os animais e a natureza em geral, permitirá o desenvolvimento de atitudes éticas na sociedade.

O grande desafio dos centros urbanos que visam a melhoria da qualidade de vida enfocando a ética , é conseguir implantar e fortalecer a idéia, de que o bem estar animal não pode mais ser considerado como um ato de caridade e sim como uma obrigação legal .

A população de pequenos animais, que vivem e sobrevivem , em relação direta com as condições do meio ocupado pelo homem, não podem continuar sendo abandonados. Esta situação requer a urgência de unir esforços da comunidade, para que se obtenha o controle de natalidade, enfatizando a necessidade de sensibilização da população sobre a posse e responsabilidade de animais de estimação.

O abandono de um animal é um ato cruel e degradante, demonstração clara, de falta de caráter e incapacidade para assumir compromissos, e caracteriza-se num crime.

Para conscientizar sobre a importância de ser um cidadão responsável pelo seu animal, eu idealizei e estou empenhada na divulgação da campanha educativa , que visa comemorar no dia 4 de outubro , data dedicada a São Francisco de Assis, o “Dia Nacional de Adotar um Animal”, através da qual será salientado que precisamos estabelecer um debate amplo para trocarmos “o problema do abandono” pela “oportunidade da adoção responsável”.

O engajamento das escolas, na luta em defesa dos direitos dos animais e preservação da natureza , se faz necessária para que as crianças passem a trazer consigo um compromisso ético para com o meio em que vivem, combatendo as atitudes do comportamento violento e criando uma sociedade melhor,onde viverão seus filhos e netos.

O respeito ao direito dos animais, assim como as riquezas naturais, precisam também passarem a ser encarados como potenciais turísticos , pois demonstra que existe na cidade um alto grau de civilidade.Turismo se faz estimulando a cidadania.

Vininha F.Carvalho- escritora, jornalista, administradora de empresas, economista e ambientalista.Diretora da Del Valle Editoria.

Editora do Guia Defesa dos Animais: www.sobresites.com/animais

Revista Ecotour: www.revistaecotour.com.br

Email: vininha@vininha.com


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Publicado por em

Tamires

Tamires

11/04/2012 19:32:03
Eu tbm acho td isso verdade, era o que eu procurava p/ a pesquisa da escola

Johnny

Johnny

01/12/2011 16:25:54
O ser humano nada é comparado com a maioria dos animais e mesmo assim fica se achando superior.

Lokaaaa

Lokaaaa

23/08/2011 15:31:04
é mt legal a gente aprende m++ gostei pra caramba

Anderson

Anderson

11/08/2010 20:41:07
comentando obre o primeiro parágrafo do artigo:O ser humano sempre sofreu uma espécie de Síndrome de Narciso que o levou a construir mitos de si mesmo, como o de considerar-se feito à imagem e semelhança de Deus ou o coroamento da criação.GENÊSIS 1-27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.OBS:NÃO estou concordando com o homem se valorizar acima de tudo,só dizendo que está escrito na Biblia que realmente somos feitos a semelhança de DEUS.Mas isso não dá o direito nem autoridade de cometerem atos degradáveis com seres que foram criados para conviverem; receber respeito e compaixão.

Anderson

Anderson

08/08/2010 18:23:32
tudo o que vc editou é a mais pura verdade,mas então como os cientistas poderão testar e fazer vacinas para o ser humano?

Gustavo marcos frederick dias

Gustavo marcos frederick dias

17/06/2009 13:45:35
Eu achei importante ...gostei era isso que estava procurando, obrigado.

Thays

Thays

06/04/2009 14:47:44
Realmente eu achei muito interessante,preciso de mais coisas porque é muito interessante aprender mais, sem duvida!!!

Roberta

Roberta

03/02/2009 15:49:28
Eu achei tudo isso uma grande verdade. Parabéns pra quem escreveu isso...
bj
com carinho
fui

Juliana

Juliana

02/02/2009 13:48:14
eu quero mais coisas !!

Klycia

Klycia

23/08/2008 17:01:28
animais que prejudicam ao ser humano