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A Grande Barreira da Serra do Mar

Desde o descobrimento do Brasil e o início da colonização de seu território sudeste, a Serra do Mar apresentou-se como formidável barreira à penetração dos colonizadores para o interior e ao escoamento de suas riquezas para o litoral portuário. Basta d

12 de Abril de 2005.
Publicado por Equipe EcoViagem  

Desde o descobrimento do Brasil e o início da colonização de seu território sudeste, a Serra do Mar apresentou-se como formidável barreira à penetração dos colonizadores para o interior e ao escoamento de suas riquezas para o litoral portuário.

Basta dizer que até perto de 1.800 as vias de penetração da Baixada Santista para o Planalto não passavam de algo pouquíssimo melhor que as pré-existentes trilhas indígenas. Mesmo após a implantação de estradas tecnicamente mais arrojadas, como a Estrada da Maioridade, a São Paulo Railway, o Caminho do Mar, a Estrada de Ferro Sorocabana, os problemas geológico-geotécnicos enfrentados pela operação e pela manutenção dessas vias eram de tal ordem que a Serra do Mar continuou por mais quase 2 séculos a se constituir em um formidável entrave geográfico ao pleno desenvolvimento econômico e social do sudeste brasileiro e do Estado de São Paulo em particular.

O fato é que desde cedo, especialmente a partir do Caminho do Padre José, aberto em 1560, cujas melhorias buscavam, entre outros propósitos, permitir o transporte de material militar para o planalto em lombo de escravos índios, negros e mulas, começou-se a perceber que a Serra do Mar não apenas representava uma formidável barreira topográfica. À medida que os meios de transporte exigiam estradas mais largas e com rampas menos acentuadas, foram inevitáveis obras, como cortes e aterros, que implicavam em problemáticas interferências no equilíbrio natural das encostas da serra. Apresentou-se então como problema adicional ao grande desnível topográfico e acentuadas declividades do terreno, a enorme suscetibilidade natural dessas encostas a escorregamentos de solos e rochas, os quais tornaram as obras, como a própria operação das estradas, uma incrível odisséia técnica e financeira para a sociedade paulista, muitas vezes com tons trágicos de perdas de inúmeras vidas humanas.

Somente bem mais recentemente a Engenharia Brasileira convenceu-se que para bem vencer esse desafio de ordem geológica e geotécnica, precisava-se progredir nos conhecimentos sobre o comportamento das encostas da Serra (deslizamentos, desmoronamentos), de tal sorte que os projetos e obras de intervenção admitissem características que de alguma forma buscassem contornar os problemas colocados pela natureza. Essa foi uma compreensão importantíssima do problema, pois que possibilitou a migração da anterior postura de “vencer a Serra a qualquer custo” para uma atitude mais inteligente e superior de “conviver e respeitar a Serra”.

Sob outro ângulo, fosse sua topografia um pouco mais suave e suas encostas menos susceptíveis a escorregamentos, por certo a Serra do Mar, com sua maravilhosa floresta e generosas características naturais, teria já sido, a exemplo de outras regiões que lhe são limítrofes, totalmente desmatada e desfigurada — fato que representa hoje uma verdadeira bênção para as enormes concentrações populacionais que lhe são próximas.

Hoje pode-se dizer que, graças especialmente à dedicação de seus geólogos, geógrafos e engenheiros, o país encontra-se em um elevado patamar de conhecimentos sobre os escorregamentos de solos e rochas que se verificam natural e induzidamente na Serra, guindando a Tecnologia Brasileira provavelmente ao nível mais alto de conhecimentos e experiência na implantação de obras em regiões serranas tropicais úmidas.

Geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos
santosalvaro@uol.com.br

O geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos é autor do livro recentemente lançado “A Grande Barreira da Serra do Mar: da Trilha dos Tupiniquins à Rodovia dos Imigrantes”, no qual ele discorre sobre o atual estágio dos conhecimentos sobre o comportamento das encostas da Serra do Mar e faz um interessante relato histórico das diversas transposições viárias que se propuseram a ligar o Planalto e a Baixada Santista, desde os tempos coloniais até os dias de hoje. Interessados em adquirir esse livro, se não o localizarem nas livrarias, deverão entrar em contato diretamente com o autor ou com a Editora “O Nome da Rosa” (http://www.nomedarosa.com.br/ )

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Comentários

Adriano Rodrigues dos Santos

 postado: 25/9/2008 10:45:30editar

Parabéns pelo trabalho.
Tenho outros livros e artigos do autor. São excelentes.

Adriano Rodrigues dos Santos(também geólogo)

 

vanessa dos santos

 postado: 24/10/2008 09:34:03editar

trabalho muito bom,bom é pouco vcs estão de parabéns

 

 

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