A mulher do campo

Por Cylene Dantas da Gama A Mulher do Campo - figura negligenciada na cultura ocidental, cidadã de segunda classe na Terra Brasilis. Dados da FAO estimam que as mulheres são responsáveis por mais de 50% da produção mundial de alimentos, sendo 80% na

  
  

Por Cylene Dantas da Gama

A Mulher do Campo - figura negligenciada na cultura ocidental, cidadã de segunda classe na Terra Brasilis. Dados da FAO estimam que as mulheres são responsáveis por mais de 50% da produção mundial de alimentos, sendo 80% na África, 60% na Ásia e 30 a 40% na América do Sul. As mulheres vêm cada vez mais assumindo posição de chefia na atividade rural, e raramente são reembolsadas pelo quantum de seu trabalho, e quase nunca são reconhecidas legal ou socialmente pela função. Com freqüência, são relegadas no momento da partilha legal, e muito raramente têm acesso aos créditos de financiamento inerentes à produção agrícola. A elas também é negado o acesso à educação e aos programas de extensão rural.

Ao permitir que tal situação persista, estamos contribuindo para uma sub-utilização de valiosa mão-de-obra e capital humano na agricultura. Rebaixando seu potencial e restringindo seu conhecimento, estamos inibindo sua contribuição para o combate da pobreza. Está na hora de dar a esta mulher marginalizada o lugar de honra que ela merece, colocando-a no centro do palco da comunidade rural, inspirando também aqueles que vão industrializar a sua produção.

O grande desafio não é aumentar seu potencial laboral, já definido. Temos sim que valorar e enriquecer suas possibilidades pois, certamente, junto a isto veremos a redução dos níveis de pobreza, e isto não é possível sem estendermos a ela as facilidades de acesso à educação.

O combate à pobreza é obrigação de todo brasileiro e de toda brasileira. Por pequeno que a gente se sinta ou seja. Quem de nós não conhece, ou conhece alguém que conhece, uma dessas mulheres que precisa de tal ajuda? Temos é que avaliar onde há o perspectiva de investimento e dedicarmos algumas horas do mês para tal voluntariado. As reuniões de Pais e Mestres nas escolas é um bom terreno para semear a idéia e as ações pertinentes. A pastoral da igreja, ou o culto de sua religião, seriam caminhos viáveis.

- À mulher do campo não basta saber escrever, ela tem que desenvolver a compreensão básica da aritmética e do meio ambiente que a circunda, assimilando os conceitos sazonais e aprendendo a coletar dados.

- Ela tem que ser trazida aos centros locais comunitários e tem que começar a fazer parte de instituições e projetos de ordem estadual e nacional.

- Ela tem que ser convidada para conhecer novas práticas agrícolas, buscando o conhecimento da sustentabilidade e do gerenciamento. As sociedades rurais municipais têm aqui um papel relevante.

- Ela tem que ser instruída quanto a valores nutritivos, segurança alimentar, planejamento familiar e tomar conhecimento das doenças transmissíveis, e como evitá-las.

Desnecessário acrescentar que o processo educativo da mulher do campo fortalece a comunidade como um todo, abre os canais do conhecimento e da comunicação para a sua prole e agregados. A mulher melhor orientada e ciente toma decisões lastreadas quanto aos procedimentos e tecnologias mais eficientes para selecionar o que plantar, como ensilar, como processar o alimento, automaticamente reduzindo as perdas. Fará melhor aplicação de suas economias e envidará maiores esforços na educação dos seus.

Dia 15 de outubro comemora-se mundialmente o Dia da Mulher do Campo. O Instituto Serrano Neves (www.serrano.neves.nom.br) planeja parcerias para festejar este dia como se deve. Se você pode, deve ou está interessado, comunique-se com a gente.

Cylene Dantas da Gama é Gestora Operacional do Instituto Serrano Neves. Historiadora, ela cursou pós-graduação em História e Política da América Latina, em Massachussetts nos Estados Unidos. Foi oficialmente distinguida como Cidadã Honorária do Estado da Florida (Estados Unidos) por serviços voluntariados prestados. É membro da International Society for Ecological Economics, entidade destinada a promover a integração de modelos eco-econômicos para gerenciar biodiversidade. É co-fundadora da ONG Mantiqueiraviva envolvida com a preservação do Maciço da Mantiqueira , no Brasil. É também filiada ao movimento internacional Mulheres Diversas pela Diversidade, liderado pela mundialmente conhecida eco-cientista Dra. Vandana Shiva. Cylene vem ativamente patrocinando a luta para incluir Mulheres Brasileiras num contexto maior de ação e cidadania, liderando grupos afins e proferindo palestras em programas de conscientização feminina.
Email: isnoperacional@serrano.neves.nom.br

  
  

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