A salvação do xaxim: o coxim

Apesar de atingir em determinadas espécies altura superior a 20 metros, a samambaiaçu, mais conhecida como xaxim, ou pelo nome científico Dicksonia Selowiana, pode ser reduzida a nada se a proibição do uso comercial não for cumprida. Uma resolução do Cona

  
  

Apesar de atingir em determinadas espécies altura superior a 20 metros, a samambaiaçu, mais conhecida como xaxim, ou pelo nome científico Dicksonia Selowiana, pode ser reduzida a nada se a proibição do uso comercial não for cumprida. Uma resolução do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) 278/2001, que veta o comércio, coloca a planta endêmica da Mata Atlântica, na lista oficial do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de espécies brasileiras ameaçadas de extinção, em razão de sua grande utilização destinada a floricultura e à jardinagem.

Samambaiaçu: pode atingir até 20 metros de altura

Samambaiaçu: pode atingir até 20 metros de altura
Foto: Eduardo Lima

Carla Peixoto, proprietária da floricultura Flor e Vida, diz que a valorização do xaxim e das samambaias em geral são um comportamento típico da moda, como já aconteceu com outros tipos de plantas em determinadas épocas, como os antúrios por exemplo, que há 20 anos eram muito procurados no país. “Se a moda é comprar xaxim então todas as donas de casa compram, mas se houver uma conscientização tanto de quem vende como de quem compra, o xaxim poderá ser poupado”.

Elci Mamede, conscientização deve partir de todos

Elci Mamede, conscientização deve partir de todos
Foto: Eduardo Lima

Antônio Carlos Menezes, engenheiro agrônomo, conta que o xaxim foi introduzido nos jardins e casas para o cultivo de orquídeas. “Os orquidófilos foram os primeiros a utilizar o xaxim para o cultivo dessas plantas. Por serem mais baratos que os vasos de barro, o xaxim passou a ser consumido em grande escala”. A difusão por plantas ornamentais dentro de residências em todo canto do país favoreceu o costume e tornou a utilização mais corriqueira. Com o passar do tempo, a extração e procura pela planta vem sendo bastante discutida e analisada por protetores e defensores ambientais.

Dicksonia selowiana ameaçada de extinção

Dicksonia selowiana ameaçada de extinção
Foto: Gleyce Gama

No ano de 2000, o Ibama formou o Grupo Técnico de Conservação de Pteridófilas, onde a principal meta era estabelecer formas sustentáveis de exploração dessas espécies com critérios técnicos. No ano seguinte, uma resolução do Conama proibiu essa extração, o que acabou inutilizando esse grupo. Uma pesquisa mostra que a floresta das Araucárias, nos estados do sul do país é a maior área de ocorrência do xaxim na Mata Atlântica e é onde mais se têm dados da exploração da planta.

Exemplar de xaxim no Jardim Botânico

Exemplar de xaxim no Jardim Botânico
Foto: Eduardo Lima

Em outubro de 2002, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, como medida de proteção ao meio ambiente, promulgou a lei 602/01 para a proibição de comercialização e industrialização de vasos, estacas e plantas oriundas do xaxim no município. A dona de casa Elci Mamede Vilela, concorda com a lei de proibição e comercialização da espécie, apesar de ter mudado de hábito recentemente. “Sempre usei xaxim para minhas orquídeas, bromélias, etc, porque não quebram com facilidade, são duráveis e qualquer planta se adapta bem. Quando fiquei sabendo que a planta estava em extinção passei a comprar vasos plásticos”.

O substituto do xaxim
Para aliviar um pouco a exploração da samambaiaçu, uma das alternativas foi a descoberta da utilização da fibra de coco, chamada popularmente por coxim, casca triturada de Eucalyptus grandis misturada com carvão vegetal. A vantagem do coxim foi comprovada depois de 3 anos de pesquisa e estudo pela professora-doutora Maria Esmeralda Demattê, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista, em Jaboticabal, no Estado de São Paulo, e como qualquer produto, vantagens e desvantagens aparecem na medida em que é experimentado.

Para Antônio Carlos, o coxim tem aparência semelhante ao xaxim, facilidade de manuseio, grande retenção de umidade, resistência, durabilidade, boa aeração, drenagem, mesma composição de nutrientes, ph adequado e processo de industrialização mais barato. “As desvantagens são que o consumidor tem de ter um pouco de paciência quando o vaso é novo, pois demora a reter umidade, o que faz com que ele deva ser emerso em água durante certo tempo antes da sua utilização. O coxim apresenta concentração de nutrientes muito alta, que pode não favorecer o desempenho da orquídea. “Apesar das desvantagens, o coxim ainda é o substituto mais próximo do xaxim e o importante é sempre pesquisar para aprimorar o produto”, conclui o agrônomo.

As varias utilidades do coxim
Tomar água-de-coco é bom, mas como se livrar da casca? Na verdade, da casca do coco, a indústria produz fibras longas e curtas que servem para preencher colchões, compensados, divisórias e bancos de automóveis. No caso das fibras curtas ou o pó da casca, o aproveitamento é para a utilização como adubos orgânicos por serem mais ricos em potássio e nitrogênio. O uso desse tipo de adubo é feito pelas fazendas que produzem flores, principalmente na região sudeste do país. “Para a produção da fibra, a receita é bem simples, pois com apenas seis cocos produz-se 1 quilo de fibra. Ao sair da máquina, a fibra é seca no sol e depois levada a uma prensa que a transforma em fardos de 100 quilos”, conta o engenheiro.

A extinção
Além do xaxim, outra espécie que preocupa os botânicos em mesma escala, são as orquídeas. De acordo com a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagem em Perigo de Extinção, concluída em Washington em 3 de março de 1973, espécies do gênero Orchidaceae ou popularmente conhecida como orquídea em estado silvestre também estão ameaçadas de extinção. A orquídea é uma planta que vive sobre outro vegetal sem retirar seiva, apenas se apoiando para manter sua sobrevivência. Assim como as orquídeas, o xaxim vem sendo explorado há anos e o maior problema é que, apesar da planta ser retirada em grande escala da natureza não é realizado o manejo das espécies replantando na mesma proporção da extração, além do que o seu crescimento é muito lento, o que dificulta uma reposição em curto prazo.

Assim como outras espécies que também correm perigo de um dia não existir mais, o importante é procurar uma forma de amenizar o uso e a extração habitual, criando leis e grupos para discutir o problema. Dessa forma a necessidade das práticas de desenvolvimento sustentável tornam-se emergenciais, reafirmando que homem e natureza podem viver, trabalhar e se desenvolver mutuamente.

  
  

Publicado por em

Tiago Grippa

Tiago Grippa

18/07/2011 12:23:57
O único detalhe da produção e cormecialização do Samambaiaçu é que a espécie demora 20 anos para chegar a fase adulta. Logo é inviável seu cultivo no mundo capitalista para a produção de xaxim para orquídeas.

Celso

Celso

26/04/2011 21:26:04
Se está em extição,porque não preservar uma planta que já existe a milhares de anos,e que pode ser a salvaçao de muitos doentes de asma.
Já existe uma pesquisa que comprova o grande benefício que a samanbaiaçu,mais conhecido como xaxim,pode trazer.
Portanto,preserve a natureza!

Yara maciel campos monteiro.

Yara maciel campos monteiro.

14/04/2010 13:53:57
eu gostei muito!

Rafael

Rafael

19/01/2010 17:07:55
Utilizei a fibra de Sisal ao invés da fibra de coco. FICOU EXCELENTE!!! MUITO melhor que o xaxim! Devemos explorar mais essa fibra de sisal.

Laura helena

Laura helena

20/06/2009 15:46:51
apreciei a ídeia da subistituição do xaxim onde preserva-se mais a sua existência.

Ligia rayne

Ligia rayne

29/04/2009 18:56:57
Muito interessante essa história do xaxim

Ijakson willams

Ijakson willams

19/04/2009 16:08:48
Olá, gostaria de saber de onde vem o xaxim ou onde foi criado esse tipo de cultura ou cultivo.

grato,
ijakson.

Equipe EcoViagem

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Denize

Denize

13/01/2009 15:29:55
Acho que deveriam produzir mais e comercializar mudas de Samambaiaçú, para que pessoas interessadas em eum cultivar Orquídeas pudessem adquirí-los.

GIOVANI GALLERANI

GIOVANI GALLERANI

09/01/2009 12:51:18
GOSTARIA DE SABER QUE COLA POSSO USAR NA FABRICAÇÃO DOS VASOS E ONDE ENCONTRO ESTAS COLAS ...OBRIGADO

Maria

Maria

02/10/2008 15:23:58
Bom acheeeeei bom pois me ajudou a fazeer o trabalho e ganheii noota po isso! haha!

Luana D Paula Carneiro da Costa

Luana D Paula Carneiro da Costa

11/09/2008 13:12:50
achei bem legal a forma como vocês resumiram sobre o assunto mais nao leva a mal nao,ficou uma merrecaaaaaaaaaaaaaaaa!

Abração, Luaninha D' paula

Roseli Curcio

Roseli Curcio

09/09/2008 16:12:33
não concordo, tenho orquideas em placas de xaxim, e as que plantei recentemente na fibra de cocos e o resultado foi que parte delas não resistiram, e acabou morendo, apezar de ter cuidado muito bem delas, elas não se adaptaram bem, talves para outras plantas seja bom, minhas amigas tambem não gostaram.

Lidio bello

Lidio bello

06/09/2008 15:47:44
o fruto do coqueiro,quando seco,é um vaso natural para orquideas.naum existe melhor. o xaxim é desnecessário para este fim...