Acerto de contas com o Meio Ambiente

A expressão “negócio da China” corre sérios riscos de deixar de ser sinônimo de boas transações. Isso porque o país líder da indústria automobilística mundial, lidera também a lista das nações que mais sofrem com a degradação ambiental. Seu potencial

  
  

A expressão “negócio da China” corre sérios riscos de deixar de ser sinônimo de boas transações. Isso porque o país líder da indústria automobilística mundial, lidera também a lista das nações que mais sofrem com a degradação ambiental.

Seu potencial industrial - a mina de ouro chinesa – deixou de ser invejada para ser criticada. Ao que tudo indica, os bons lucros vindos da industrialização acelerada não foram suficientes para impedir a destruição da natureza.

Pelo contrário, hoje a população chinesa sofre com a seca de rios grandes e pequenos, chuvas ácidas que caem sobre 30% do país, desertos que já cobrem 18% do território nacional e aumentam milhares de quilômetros a cada ano, além da poluição do ar, que até 2010 será irrespirável, caso nenhuma providência seja tomada.

Os malefícios deste processo industrial inconseqüente não páram por aí. De acordo com um estudo realizado pela Academia Chinesa de Planejamento Ambiental, 50 mil pessoas morrem de forma prematura anualmente e 400 mil sofrem de bronquite crônica devido ao ar fuliginoso. O estudo traz números ainda mais alarmantes: até 2010, cerca de 380 mil pessoas morrerão prematuramente e o número tende a subir para 550 mil mortes até 2020.

Chegou o momento da China pagar o preço de sua industrialização despreocupada com as questões ambientais. E a dívida com a natureza é grande. Estima-se que apenas os custos com saúde devido à poluição do ar ocupam hoje de 2 a 3% do PIB e vão atingir 13% do PIB até 2020.

Solucionar um problema que cresceu à mesma proporção dos grandes “impérios” automobilísticos está longe de ser viável sem antes haver concordância entre os governos - que são aclamados de acordo com o crescimento do PIB e geração de empregos - e nunca por medidas ambientalistas. É necessária também mudança de leis para que a população tenha o direito de exigir das empresas e do governo atitudes para diminuição de impactos ambientais. A própria indústria automobilística terá que contribuir com formas de produção sustentáveis, investindo em carros híbridos, por exemplo.

Caso essas e outras medidas não sejam tomadas no menor espaço de tempo possível, a China pode ser proferida como o exemplo mundial a não ser seguido e decretado como o país que percebeu tarde demais que a dívida ambiental, além de alta, pode pôr tudo a perder, inclusive vidas.

  
  

Publicado por em