Alimentos Transgênicos

A ciência e a tecnologia atingiram patamares elevados de desenvolvimento, trazendo soluções para diversos problemas. Ao mesmo tempo, o avanço, muitas vezes, teve como conseqüência agressões ao meio ambiente e desequilíbrios sociais. Além dessas questões,

  
  

A ciência e a tecnologia atingiram patamares elevados de desenvolvimento, trazendo soluções para diversos problemas. Ao mesmo tempo, o avanço, muitas vezes, teve como conseqüência agressões ao meio ambiente e desequilíbrios sociais. Além dessas questões, os avanços da ciência esbarram ainda na ética, criando polêmicas e dividindo opiniões na sociedade. Os transgênicos - organismos geneticamente modificados (OGMs) - estão entre os maiores alvos da discussão acirrada entre cientistas, ambientalistas, agricultores, multinacionais e governos. Os consumidores, facção decisiva no encaminhamento de alguma resolução, ainda têm pouquíssimas informações sobre o assunto, apesar de poderem estar consumindo alimentos transgênicos sem saber.

Através da engenharia genética, genes são retirados de uma espécie animal ou vegetal e transferidos para outra, reprogramando sua seqüência de DNA e modificando seu código genético, a fim de obter características específicas. O grande alvo dessa transformação são os grãos como a soja e o milho, presentes na maioria dos alimentos vendidos nos supermercados. Os argumentos dos cientistas para os OGMs , baseados em um discurso em prol da modernidade, são a diminuição da fome no mundo e a criação de cultivos que precisem de menos agrotóxicos. No entanto, esse discurso vem perdendo força uma vez que, segundo a ONU - Organização das Nações Unidas -, o mundo já possui quantidade de alimento suficiente para toda a população, em uma proporção de uma vez e meia.

Questões éticas e ambientais
Intercambiando os genes de espécies que não se relacionam, como genes de animais em vegetais ou de bactérias em plantas, a engenharia genética não está respeitando as fronteiras que a própria natureza criou para se proteger e garantir a integridade genética de futuras gerações. Desta forma, podem aparecer espécies que jamais ocorreriam naturalmente, modificando o curso da evolução e, tocando assim, em uma questão ética polêmica: até que ponto o homem tem o poder de criar vidas?

O maior problema apontado por ecologistas é que muito pouco foi pesquisado sobre os efeitos que os transgênicos podem provocar na natureza e no ser humano, já que, uma vez introduzidos, eles não podem ser removidos do meio ambiente e, portanto, seus danos ambientais serão irreversíveis. Entre os possíveis riscos estão:

prejuízo ao tratamento de algumas doenças de homens e animais, pois muitos cultivos possuem genes de resistência antibiótica.
aumento potencial de alergias.
empobrecimento da biodiversidade.
danos à espécies que não prejudicam a agricultura.
maior uso de agrotóxicos.
desenvolvimento de plantas e animais resistentes a uma ampla gama de antibióticos e agrotóxicos (criação de superpragas).
Questões econômicas e sociais
A soja transgênica é conhecida como Roundup Ready ou RR, obtida a partir da inserção de três genes estrangeiros, um deles de um vírus e outro de uma bactéria encontrada no solo. A vantagem apontada pela modificação é a possibilidade de substituir vários herbicidas por apenas um, o Roundup, da Monsanto, a mesma empresa que produz sementes alteradas. A Monsanto também comprou a patente da tecnologia "terminator", que torna estéril a segunda geração de sementes usadas na agricultura. Está técnica obriga os agricultores a comprarem novas sementes a cada safra, destruindo o papel que eles vêm cumprindo há mais de 10 mil anos: o trabalho de melhoramento das variedades realizado através de cruzamentos e seleção das sementes. Dos três grandes produtores mundiais de soja, Estados Unidos, Argentina e Brasil, o Brasil é o único em que a produção de soja geneticamente modificada ainda não foi implantada. 90% da soja brasileira exportada vão para a Europa, onde os consumidores têm se mostrado contra os alimentos transgênicos.

Em junho de 1996 foi criada a CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - , órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, para examinar a segurança dos OGMs. A certificação e o plantio de sementes cabem ao Ministério da Agricultura. A CTNBio adota os mesmos padrões que o Departamento de Agricultura Americano, dos Estados Unidos, onde o uso e a distribuição de produtos transgênicos é liberado sem que se tenha feito um Estudo de Impacto Ambiental qualquer. Quem pode exigir esse estudo - EIA - RIMA (Estudo de Impacto Ambiental - Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente) - é o Ministério do Meio Ambiente, de acordo com as diretrizes estabelecidas na Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) n.o 001/86. (http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html)

Os pareceres favoráveis à liberação de OGMs foram dados para cultivo experimental. O primeiro pedido para uso em escala comercial da soja RR foi aprovado pela CTNBio, que conta com apoio da EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-, que desde 97 tem um acordo com a Monsanto. Mas a pressão de entidades da sociedade civil, incluindo o Idec - Instituto de Defesa do Consumidor -, o Greenpeace e a SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência -, fez com que a autorização fosse suspensa até que a legislação seja reestruturada. Segundo informou a assessoria de comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia, a CTNBio é formada por cientistas e faz uma pesquisa para cada tipo de produto, dizendo se é seguro ou não. No caso da soja RR, o Greenpeace, o Idec e o IBAMA entraram com um processo na Justiça Federal da 6ª Região impedindo a aprovação da CTNBio. O Superior Tribunal de Justiça revogou essa sentença, e o caso ainda está em andamento. Para conhecer o procedimento de liberação de transgênicos, consulte o site da CTNBio, na Instrução Normativa nº3.

Mobilização: campanha "Transgênicos no meu prato, não!"
Apesar de ser ilegal, muitos alimentos vendidos nos supermercados apresentam produtos transgênicos em sua composição, sem que isso possa ser detectado pelo consumidor, pois não há especificações no rótulo.
Em junho deste ano, o Greenpeace Brasil e o Idec - Instituto de Defesa do Consumidor - solicitaram análise de produtos brasileiros em laboratórios europeus. Em 11 lotes de produtos vendidos no Brasil foram encontradas soja e milho transgênicos. Em setembro, o Greenpeace divulgou uma nova lista com mais 4 produtos. As denúncias foram levadas à Vigilância Sanitária, que retirou os lotes testados de circulação. "No entanto, outros lotes podem estar contaminados, por isso a pressão da população é fundamental para garantir alimentos sem transgênicos.", alerta Mariana Paoli, do Greenpeace Brasil.

  
  

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Wanessa camargo

Wanessa camargo

25/04/2011 11:34:54
esse site e muito bom
adorei entrar nele
aprendi muito
continuem assim
beijos

Setembrina de jesus

Setembrina de jesus

10/05/2010 10:56:25
este texto mostrou ser muito interessante, ele nos traz um ensino e um aprendizado aprofundado do assunto que irá nos dar conhecimento do nosso futuro.

Leticia

Leticia

23/04/2009 12:37:28
Eu gostei muito! Vocês estão de perabéns.