Viaje quase de graça com Milhas Aéreas

Artigos > Meio Ambiente > 

Consumidor consciente faz toda a diferença para o meio ambiente

A sociedade está cada vez mais consciente e atenta ao conceito de desenvolvimento sustentável

5 de Outubro de 2012.
Publicado por Vininha F. Carvalho  

A sustentabilidade faz parte da agenda do século XXI, é o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Atualmente, são sete bilhões de habitantes no planeta, onde a carência de requisitos básicos para uma vida digna é evidente.

O importante, a meu ver, é a compreensão de que o comportamento das pessoas, a economia e os negócios precisam passar por grandes transformações nas próximas décadas. Para crescer e alcançar sucesso, os empreendedores precisam estar atentos à demanda deste novo mundo.

O problema é que não existe um imaginário disponível para substituir o que foi criado pela sociedade de consumo por anos a fio. Não contamos ainda com uma rede cultural que dê apoio à transição para um modelo de vida sustentável.

Se de um dia para o outro acabarmos com o consumo, tal como o concebemos hoje, poderá despertar um desequilíbrio social. Os especialistas no tema ressaltam ser esse um conceito em construção. Mas, é verdade também, que o conceito de sustentabilidade foi cunhado por um processo histórico e evoluirá com o passar dos anos.

É preciso que professores, pesquisadores e ambientalistas apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade.

Muitas empresas buscam descobrir o foco da sustentabilidade, criando departamentos, desenvolvendo projetos, incorporando inovações tecnológicas, e muitas outras ações sustentáveis estão sendo implantadas. Serão empresas realmente sustentáveis? Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana.

Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.

A preocupação com o futuro do planeta é recente. No início dos anos 70, um grupo formado por cientistas, intelectuais e empresários, denominado Clube de Roma, discutiu a incompatibilidade entre o modelo de desenvolvimento vigente e o meio ambiente. Perceberam que, se o consumo dos recursos naturais continuasse a crescer naquela proporção o planeta não suportaria tal impacto.

O relatório “Limites do Crescimento”, publicado em 1971, apontou que não poderíamos continuar com aquele modelo de crescimento econômico. Seria ruim para o curso natural do planeta e da vida humana.

O desenvolvimento sustentável foi inicialmente identificado em 1987, quando o relatório final dos trabalhos da Comissão Mundial das Nações Unidas para o Ambiente e o Desenvolvimento (Comissão Brundtland) destacou que o desenvolvimento sustentável é aquele que responde às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responderem às suas próprias necessidades.

Em junho de 2001, o Conselho Europeu de Gotemburgo aprovou a “Estratégia para Desenvolvimento Sustentável”, baseada no princípio de que os efeitos econômicos, sociais e ambientais de todas as políticas devem ser analisados de forma coordenada e tidos em conta no processo de decisão.

E, em setembro de 2002, em Johanesburgo, em reunião mundial sobre desenvolvimento sustentável, promovida pela ONU, o seu então dirigente maior, Kofi Annan, foi enfático ao pronunciar as seguintes palavras: - “Não estamos a pedir às empresas para fazerem algo diferente da sua atividade normal; estamos a pedir-lhes que façam a sua atividade normal de forma diferente.”

Os modernos sistemas de gestão e de administração estabelecem claramente em seus preceitos que as ações de responsabilidade e de sustentabilidade socioambiental são, hoje, não apenas um diferencial a ser buscado e conquistado pelas corporações, mas, sim, atividades imprescindíveis a serem adotadas, incorporadas e desenvolvidas costumeira e sistematicamente por todas as áreas de atuação das empresas.

A responsabilidade que exercem no seio da sociedade, como bem destaca a Constituição Federal, tem ampla abrangência e composição multidisciplinar. Designa as efetivas funções exercidas no tocante a valores sociais concretos, como os direitos humanos, o direito do trabalho e o meio ambiente.

Unir forças com os fornecedores para encontrar soluções mais ecológicas e socialmente responsáveis, permite às organizações, destacarem-se face à concorrência, além de criar valor. Na outra ponta, práticas ambientais corretas, gestão de recursos naturais explorados no processo de produção, respeito, transparência e lealdade com a concorrência fazem parte do espectro de critérios sociais e ecológicos na agenda diretiva da empresa, relativa ao seu desenvolvimento econômico e sustentável.

A sociedade está cada vez mais consciente e atenta ao conceito de desenvolvimento sustentável. Aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações e sem esgotar os recursos para o futuro.

As empresas que desenvolvem uma gestão realmente comprometida com esta visão tem vantagens competitivas que podem, muitas vezes, aumentar sua rentabilidade

Os consumidores aprovam esta iniciativa, na medida em que tais práticas se revertam em vantagens sustentáveis a todos, sejam de natureza humana preservativa e ambiental, sejam com melhoras sensíveis à vida cotidiana e do próprio planeta.

Surgirá, portanto, disso tudo, um novo ser social – o cidadão / consumidor pessoal e socialmente responsável. Eles exigem mais responsabilidade e padrões mais altos de sustentabilidade das empresas das quais adquirem produtos e serviços. O mesmo acontece com muitos acionistas e investidores.

Que tal se, no ato da compra, obtivéssemos informações sobre a origem do produto, seu processo de fabricação, uso de matérias-primas e condições de trabalho dos profissionais envolvidos na produção, entre outras? E mais, termos a preocupação sobre o que faremos com os aparelhos antigos, que abrirão espaço nas nossas salas para a chegada dos novos?

Devemos sim consumir. Mas devemos também cobrar mais informações e transparência dos fabricantes sobre suas práticas sustentáveis, seja durante a produção ou na oferta de soluções para o correto descarte de tais produtos.

Assim, teremos um cenário em que produtores ecoeficientes e consumidores conscientes desempenham papéis decisivos na busca pelo desenvolvimento sustentável. Sabemos hoje que somos estimulados a consumir o tempo todo.

Será preciso rever nosso modo de vida, resgatar conceitos como: simplicidade, sobriedade, modéstia, austeridade. Temos que buscar estilos de vida mais inteligentes, baseados na sustentabilidade.

Há muito, nossos atuais padrões de consumo têm sido apontados como um dos principais desafios ao desenvolvimento sustentável do nosso planeta. Uma pesquisa desenvolvida pela ONG WWF, por exemplo, demonstrou que se todas as pessoas do planeta consumissem como os paulistanos, seriam necessários 2,5 planetas para sustentar esse estilo de vida.

Mas como entender e medir o impacto desse consumo nas nossas escolhas diárias? Uma alternativa é compreender que, conscientes ou não, ao adquirirmos um produto, consumimos também toda a sua história, o que chamamos de Ciclo de Vida. E, a partir da compra, passamos a fazer parte deste ciclo, sendo também responsáveis por este processo.

Para colocarem em prática essas medidas, as empresas têm à mão instrumentos individuais de materialização desses valores e medidas. São os regulamentos que podem abrigar a uma série de políticas internas voltadas a esse objetivo, além dos chamados códigos de conduta e de ética, que atuam como uma espécie de declaração formal de valores e práticas comerciais de uma empresa e, por vezes, também dos seus fornecedores.

O parágrafo número 47 do documento final da conferência Rio +20, intitulado “O futuro que queremos” (The future we want), que tem 283 páragrafos, reconhece a importância do relato da sustentabilidade corporativa e encoraja as empresas, especialmente as que são listadas em Bolsa ou que possuem um faturamento relevante, a considerarem o reporte das informações socioambientais no seu ciclo de divulgação de informações financeiras.

O foco principal desse novo comportamento é a eficiência energética na rotina das empresas, garantida por ações que promovam reutilização de água, coleta da água da chuva, aquecimento com painéis solares e uso de vasos sanitários que evitem o desperdício.

Do ponto de vista financeiro, as pequenas e médias empresas devem começar pelos aspectos que irão gerar ganhos ou sinergia para o negócio. As ações podem trazer mais lucro e retorno positivo para sua imagem, além de ajudar, e muito, na busca da sustentabilidade.

As empresas que possuírem melhor capacidade para coletar, analisar, consolidar e relatar estas informações sairão à frente e terão custos menores de adequação, apesar de muitas vezes pagarem o preço do pioneirismo. Entretanto, os benefícios de se fazer uma gestão do negócio que vai além do simples retorno econômico são cada vez mais palpáveis.

No mundo corporativo, esta postura começou a fazer parte da agenda de muitas empresas. Diversas organizações começaram a pensar sobre a sustentabilidade e associar a sua imagem e marca com ações voltadas para a responsabilidade sócio-ambiental.

Bancos, empresas automobilísticas, indústrias, estatais e companhia de diferentes portes e segmentos aderiram a essa prática. Como resultado, o tema tornou-se um desafio presente para empresas e consumidores, configurando-se num posicionamento de ética e transparência para quem a adota.

Conduzindo nossas ações para o caminho da precaução, o princípio do desenvolvimento sustentável transmite a idéia de ação em longo prazo. A necessidade de tutelar a qualidade de vida das gerações futuras, manejando corretamente a escassez dos recursos naturais, veda práticas predatórias.

Se por um lado a livre iniciativa e atividade de empresa são garantias constitucionais, por outro, o desenvolvimento tecnológico permite que as empresas subsistam e lucrem com a implementação de práticas limpas e com melhor aproveitamento dos recursos naturais.

O aumento de valores de uma organização nessa nova era da sustentabilidade não depende apenas da estratégia e de sua performance, mas também de seu comportamento. Aliás, alguns dos diferenciais oferecidos por marcas que adotam essa postura englobam desde ações voltadas para o consumidor, passam pela valorização e capacitação dos colaboradores e chegam ao engajamento em ações de responsabilidade social.

O conceito de um ser sustentável nada mais é do que a concepção e o comprometimento de cada indivíduo para com suas ações e seus desdobramentos na sociedade e meio ambiente. Abrange vários níveis de concepção, desde a vizinhança local até o planeta por inteiro.

Para alguns, podem parecer absurdos esses posicionamentos, já que o país vive uma fase em que, pela primeira vez, milhões de brasileiros têm o poder de compra. Outros abordariam ainda a importância da demanda interna por bens de consumo para que o Brasil enfrente a crise econômica que assola o mundo.

Todos teriam razão se a única ótica que valesse fosse, ainda, a do lucro. Entretanto, não podemos mais desassociar aspectos econômicos de questões sociais e ambientais, uma transformação real e necessária.

Além disso, se as pessoas continuarem gastando água, energia, poluindo solos e rios, de maneira desenfreada, as próximas gerações enfrentarão problemas sérios. Hoje, mais de um bilhão de pessoas no mundo não tem acesso à água limpa.

Diante disso, é preciso cuidar e preservar os recursos naturais, primordiais para a existência de qualquer ser vivo. Está mais do que na hora das pessoas, empresas e órgãos governamentais aprenderem a agir de maneira sustentável. A dimensão social e ambiental é tão importante quanto a econômica para a empresa

A nova mentalidade visa adquirir bens e serviços mais eficientes em termos de energia e recursos consumidos. É o caso da escolha de híbridos, com maior impacto ambiental na extração da matéria prima, produção e consumo, quando comparada com outras opções no mercado. Está efetivamente comprovado que há motores a gasóleo mais eficientes (e mais baratos), logo, menos prejudiciais ao ambiente do que os motores híbridos.

O fato de adquirir produtos biológicos, por exemplo, nem sempre é sinônimo de menor impacto ambiental. Caso a origem seja do outro lado do continente, é preferível recorrer a opções locais ou nacionais e privilegiar produtos da região.

Até a construção de um edifício pode ser energeticamente eficiente. Basta inspirar-se na arquitetura bioclimática, com maior foco na orientação solar, e / ou no recurso a materiais disponíveis na zona de construção e / ou com menor impacto ambiental.

O prédio onde funciona o CSS, em Cuiabá, anexo à sede do Sebrae em Mato Grosso, foi construído baseado na arquitetura sustentável e indígena. Em forma ogival, como as habitações do Xingu, está assentado no terreno original, o que evitou aterros e desaterros. O piso térreo está no mesmo nível da rua, proporcionando um subsolo com a mesma dimensão.

Com pé direito de 7,50 metros, tem sua aerodinâmica e cobertura projetadas em cascas – como as árvores e as frutas – permitindo que a água da chuva permeie seu interior para resfriamento natural, evitando desperdício energético, e armazenando-a para reutilização em irrigação e manutenção de suas dependências.

O prédio é todo em concreto aparente, com suas cascas (exterior e interior) espaçadas por cerca de 40 cm, o que protege a segunda casca e possibilita uma temperatura mais amena e constante em todo o pavimento térreo. As cascas são divididas por um rasgo na cumeeira, permitindo a passagem de luz natural.

A área total do CSS é de 2.000 m2, dos quais 1.000 de área construída. O restante é uma miniárea de preservação, com espécies nativas e motivos indígenas, como pirogas, etc.
O que é certo é que o mercado e os consumidores estão muito mais exigentes hoje do que antes da crise, e este rigor certamente irá refletir-se sobre as atividades de responsabilidade e de sustentabilidade das corporações. Desta forma, todas as ações corporativas precisam estar adequadas a essas exigências, que serão cada vez mais contundentes.

Ser sustentável está, aos poucos, quebrando a barreira de ser apenas uma estratégia, para estar presente na cultura e modelo de gestão das empresas. O resultado dessa transformação, com certeza, será comemorado pelas futuras gerações. Empresas, governos e a sociedade em geral precisam estar preparados para sobreviver num novo cenário diante dos dramáticos desafios ambientais e sociais.

Autoria: Vininha F. Carvalho

Visite: www.revistaecotour.com.br

Compartilhar nas Redes Sociais

Comentários

sergio

 postado: 16/2/2013 15:03:40editar

very good !

 

 

Veja também

Nuvens venenosas : coincidência ou evidência ?Terremotos, quando a natureza gera pânico !

 

editar    editar    editar    0 visitas    1 comentários