Cúpula de Quebec encerra-se propiciando um painel do ecoturismo no planeta

Por: Paula Arantes Mesa de debates na cúpula Foto: Paula Arantes O último dia da conferência foi marcado por grandes plenárias. O Fórum Ministerial abriu o dia com apresentações e proposições de ministros de 12 países e de representantes da Orga

  
  

Por: Paula Arantes

Mesa de debates na cúpula

Mesa de debates na cúpula
Foto: Paula Arantes

O último dia da conferência foi marcado por grandes plenárias. O Fórum Ministerial abriu o dia com apresentações e proposições de ministros de 12 países e de representantes da Organização Mundial do Turismo (OMT). Destacou-se a tendência de aproximar os ministérios de meio ambiente e turismo para garantir o desenvolvimento integrado de políticas públicas e gestão para o ecoturismo, deixando esse exemplo para os países onde isso ainda não acontece. Na seqüência, foram montados dois grandes fóruns, um discutindo as perspectivas do mercado ecoturístico e outro, as cooperações para o desenvolvimento do ecoturismo.

Encontro de especialistas em ecoturismo

Encontro de especialistas em ecoturismo
Foto: Paula Arantes

O painel sobre mercado, coordenado pelo brasileiro Oliver Hillel, da UNEP, e por Megan Wood, do The International Ecotourism Society (TIES), apresentou iniciativas de destaque na área. No fórum de cooperação foram apresentados projetos, atividades e políticas públicas de diversos países, mas o destaque foi a apresentação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e sua ação para o turismo. Prevaleceu a forte tendência de valorização das questões sociais, com as comunidades tradicionais e povos indígenas buscando garantir recursos para seus projetos.

Representante brasileiro discursando

Representante brasileiro discursando
Foto: Paula Arantes

Os representantes destas comunidades supervalorizaram a necessidade de capacitação e preocupação com a influência do turismo nas atividades tradicionais. Mario Mantovani, da ONG brasileira Fundação SOS Mata Atlântica, alertou os participantes sobre a necessidade de um controle social sobre os empréstimos multilaterais para os grandes empreendimentos, de modo a combater a corrupção, em todos os sentidos – econômica, ética, moral e dos costumes.

No período da tarde, foram apresentados as conclusões e os comentários dos grupos de trabalho, além da agenda dos próximos eventos: Ecoaqua, para outubro de 2002, em Galícia, Espanha; Conferência de Ecoturismo, também para outubro 2002, na Austrália, além do evento oficial do ano internacional da montanha, The Bishkek Mountain Summit, para novembro 2002, no Kirguistão.

A plenária final trouxe para debate o rascunho da Declaração de Ecoturismo de Quebec, gerando calorosa discussão com longas filas para manifestações. Diversas foram as intervenções direcionadas para garantir a participação e representatividade das comunidades tradicionais/locais no desenvolvimento do ecoturismo. A íntegra desse documento estará disponível em breve no EcoViagem.

A solene cerimônia de encerramento contou com discursos das diversas autoridades. A Carta de Quebec foi apresentada como uma credencial para a inclusão deste tema na Cúpula Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Johanesburgo, na África do Sul, a Rio +10.

O evento impressionou não só pelo número de participantes e de países representados, mas também pela organização brilhante e hospitalidade, e principalmente pela diversidade de destinos, roteiros e produtos que revelou por este mundo afora. Sustentabilidade, certificação e participação das comunidades tradicionais foram certamente os temas mais citados.

Constatou-se que as discussões sobre certificação do ecoturismo no Brasil estão no mesmo patamar dos países que já desenvolvem o ecoturismo há mais tempo, e já tem seus produtos consolidados. Mas ainda é preciso trilhar um longo caminho para que haja uma equiparação aos países que estão lançando seus produtos atualmente, tanto em reconhecimento e efetivação do potencial do ecoturismo, como na regulamentação, planejamento e organização de estratégias, e produção de material de divulgação compatível com a estruturação de cada destino.

A grande lição aprendida em Quebec, certamente foi a de que não basta o Brasil ter megadiversidade, variedade de ecossistemas, diversidade de ambientes, climas, culturas, histórias, música, gastronomia, a badalada receptividade, litoral, sol... Se esse diferencial de que tanto é motivo de orgulho do povo brasileiro, precisa deixar de ser visto como um eterno potencial. Em outras palavras, é preciso trabalhar, e muito, para por o bloco do Ecoturismo no Brasil na rua do mundo.

Paula Arantes é consultora em planejamento ecoturístico e participou da Cúpula.

  
  

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