Ecossistemas do Brasil

O ciclista Luiz Arnaldo Lemmi realizou essa aventura percorrendo todo o litoral e a região oeste do Brasil dando a volta no país. Contou apenas com R$ 600, a solidariedade do povo brasileiro e muita perseverança. Costa Dourada - Bahia Foto: Luiz Arna

  
  

O ciclista Luiz Arnaldo Lemmi realizou essa aventura percorrendo todo o litoral e a região oeste do Brasil dando a volta no país. Contou apenas com R$ 600, a solidariedade do povo brasileiro e muita perseverança.

Costa Dourada - Bahia

Costa Dourada - Bahia
Foto: Luiz Arnaldo Lemmi

Recém chegado de uma aventura inédita, o ciclista Luiz Arnaldo Lemmi, de 36 anos, deixou sua agitada vida de engenheiro civil em São Paulo e se aventurou em uma grande viagem de 10 meses em que percorreu 14 mil quilômetros de bicicleta pelo Brasil. Batizada de “Ecossistemas do Brasil”, o propósito da viagem foi percorrer todos os biomas brasileiros. Ao todo Luiz pedalou por toda costa litorânea do país e ainda a região oeste pelos estados do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul até chegar a Ubatuba (SP), cidade de onde partiu em 22 de abril de 2001 (dia do descobrimento do Brasil).

Igreja de Nossa Senhora do Ó, Olinda - Pernambuco

Igreja de Nossa Senhora do Ó, Olinda - Pernambuco
Foto: Luiz Arnaldo Lemmi

Em 1998, após separar-se de sua esposa, o aventureiro entrou em depressão. A fonte de inspiração para vencer o delicado estado psicológico e realizar a viagem veio depois de ler o livro “Guidão da Liberdade”, do ciclista Antonio Olimpo, que deu a volta ao mundo de bicicleta. “No dia seguinte, depois de ler o livro, comprei uma bicicleta para ver como me comportava pedalando. Em duas semanas estava fazendo 40 quilômetros por dia”, contou o ciclista. A partir daí, com um pouco de treinamento ele fez uma viagem de Vitória (ES) a São Luis do Maranhão com seus próprios recursos. A “pequena” viagem, realizada em 1999 durou quatro meses e cerca de 4 mil quilômetros foram pedalados.

Por do Sol em Pedra Furada - Ceará

Por do Sol em Pedra Furada - Ceará
Foto: Luiz Arnaldo Lemmi

Dois anos depois, o ciclista não parava de pensar em uma viagem maior e mais elaborada. Foi então que começou a buscar apoios e patrocínios para realizar a aventura “Ecossistemas do Brasil”. “Achei que seria fácil conseguir patrocínio depois da primeira viagem que havia feito, mas não foi bem assim”, explicou. Com apenas alguns apoios que havia conseguido: a bicicleta e alguns materiais como, mochilas, sacos de dormir entre outros equipamentos, resolveu enfrentar a viagem mesmo sem patrocínio financeiro. Com R$ 600 reais no bolso ele partiu de Ubatuba (SP) para enfrentar pedalando o trajeto proposto, tendo como primeiro desafio passar pelas praias da costa brasileira até alcançar o extremo norte do país.

Baia dos Golfinhos, Praia do Madeiro - Rio Grande do Norte

Baia dos Golfinhos, Praia do Madeiro - Rio Grande do Norte
Foto: Luiz Arnaldo Lemmi

Solidariedade
Uma das curiosidades da aventura é a forma como aconteceu: contando com o apoio e solidariedade do povo brasileiro.

Cabana abandonada

Cabana abandonada
Foto: Luiz Arnaldo Lemmi

Logo na primeira parada que fez o aventureiro gastou R$ 12 com um almoço e estadia em um camping. “Quando parei para pensar me perguntei. Onde vou chegar com R$ 600 se gastar R$ 12 por dia? A lugar nenhum. Então no outro dia tinha a solução para o problema”, lembrou. Um dos apoios que havia conseguido foi a construção do site www.ecossistemasdobrasil.esp.br, que disponibilizaria o diário de bordo da viagem. Lá existia uma sessão chamada “Amigo do Viajante”, que seria dirigida a agradecimentos aos supostos patrocinadores da aventura. Como não houve patrocinadores ele então deu nova função à sessão. Ele pedia alimentação e hospedagem nos locais por onde passava e, em troca, agradecia o estabelecimento na sessão.

“A famosa hospitalidade brasileira não é conhecida em todo o mundo por mero acaso. Em 98% dos locais onde pedia apoio, recebia; essa é a melhor prova de que ela realmente existe”, contou Luiz Arnaldo em tom de agradecimento. O viajante conseguiu percorrer todo o trajeto da aventura se alimentando, hospedando e até recebendo reparos em sua bicicleta contando com a boa vontade dos empresários locais que eram abordados por ele.

Passado
A aventura sempre esteve presente nos pensamentos do aventureiro, embora tenha vindo acontecer efetivamente com uma má fase de sua vida. “Trabalhava com a seguinte proposta: vou ganhar dinheiro e num futuro mais tranqüilo financeiramente, faço aventura. Acabei percebendo que ia me distanciando cada vez mais desse objetivo”, disse. Até aí o ciclista trabalhava 14 horas por dia atrás de um computador, fumava e apreciava um bom cafezinho, quando se separou da esposa, deixou o emprego e então leu o livro que o inspirou para sair da difícil depressão.

“No início, na primeira viagem, pensava até em suicídio de tão mal que estava, tipo: - vou viajar em locais isolados se acontecer alguma coisa não vai haver perda nenhuma. Pensava. A viagem me resgatou, agora faço o que gosto”, comentou Luiz sobre a passagem de sua vida.

A aventura
Nos locais onde esteve, o ciclista viveu diversos momentos que somam um misto de aventura, belas paisagens, perigo e muito improviso. Para ele o trecho mais legal foi a passagem pelos Lençóis Maranhenses, e o local mais bonito a Praia do Gunga, próximo à Barra de São Miguel, no estado de Alagoas. O trecho mais perigoso foi entre Cuiabá e Rio Verde, no Mato Grosso, em que enfrentou uma estrada sem acostamento e com muito movimento de caminhões. Para Luiz Arnaldo o sucesso da viagem deve-se ao bom planejamento, sorte, e claro, muita determinação e perseverança para enfrentar todas as dificuldades que o percurso ofereceu.

Ele irá contar toda a aventura, momentos engraçados, perigos, curiosidades e muito mais no EcoViagem (ecoviagem.uol.com.br). Fique ligado: toda semana terá uma história diferente dessa inusitada aventura pelo Brasil na nova área do site: `Histórias de Aventureiros`, que será inaugurada pelo Luiz Arnaldo.

Números
O ciclista Luiz Arnaldo Lemmi, realizou a aventura “Ecossistemas do Brasil” partindo de Ubatuba (SP) no dia 22 de abril de 2001. Em princípio a estimativa da viagem era de duração de um ano, mas em dez meses foi completada. O Retorno aconteceu no dia 23 de fevereiro de 2002. Ao todo foram 13.998 quilômetros rodados, divididos em 9.039 quilômetros de asfalto, 2.763 de terra, 2.196 de praia, em um ritmo médio de 45,45 quilômetros por dia e 66,66 quilômetros/dia pedalados em 308 dias, sendo 98 dias livres para descanso.

Futuro
Para o futuro o ciclista pretende editar o livro sobre a aventura “Ecossistemas do Brasil” e ainda guias que contenham informações dos melhores e mais belos trechos da sua viagem. O intuito é disponibilizar informações de trechos da sua viagem para formar roteiros para quem quiser realizar em poucos dias. Além disso, já tem idealizado uma nova viagem, só que agora espera ir com uma estrutura melhor e patrocínio.

O destino desta vez será os caminhos pelos quais os bandeirantes descobriram novas regiões brasileiras. Uma das rotas que pretende realizar é a que foi conquistada pelo Marechal Candido Rondon, ou ainda os caminhos por onde passou Padre Anchieta. A idéia é reeditar o que esses desbravadores encontraram na época em que realizaram a empreitada pelo Brasil fazendo um paralelo com o que irá encontrar nos dias de hoje.

Apoio
O aventureiro contou com o apoio da Giant bicicletas, Instituto Sócio Ambiental, AJA! Associação Jequitibá de Agroecologia, Costa Mar, Iconet Ubatuba, InfoDesign Web Design, Telent e Lemmi advogados, Núcleo de Medicina do Viajante (USP), Chat & Bar Internet e Petiscaria, Poc equipamentos de aventura e Bike Time.

  
  

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