Educação Ambiental: benefícios a longo prazo

Por Soraia Lima Rio da Amazônia brasileira Foto: Adilson Moralez Escovar os dentes e fazer a barba com torneira fechada. Usar a lavadora de roupas no máximo três vezes por semana. Ao lavar a louça, deixe a torneira sempre fechada enquanto se ens

  
  

Por Soraia Lima

Rio da Amazônia brasileira

Rio da Amazônia brasileira
Foto: Adilson Moralez

Escovar os dentes e fazer a barba com torneira fechada. Usar a lavadora de roupas no máximo três vezes por semana. Ao lavar a louça, deixe a torneira sempre fechada enquanto se ensaboa. Só abri-la na hora de enxaguar. Esta dicas parecem familiares quando há períodos de crise no abastecimento de água, mas são ensinamentos que alguns precursores da Educação Ambiental pregam há mais de 30 anos em escolas públicas e particulares.

Maria Regina De Stefano, psicopedagoga, conhece bem essas dicas. Quando tinha nove anos de idade, a escola onde estudava, colégio Sagrado Coração de Jesus, promoveu uma palestra sobre a importância da preservação do meio-ambiente.

Aquela atividade a marcou tanto que, a partir daquele dia, a psicopedagoga resolveu promover uma mudança de cultura não apenas em sua vida, como também, na de seus parentes e pessoas com as quais convivia. “O exemplo veio da escola, mas quem tinha que fazer essa implementação das idéias apresentadas eram os alunos. Tive sorte porque meus pais aceitaram muito bem a idéia de economizar a água e transformá-la em um hábito”, lembra De Stefano.

A economia e o novo hábito não foram os únicos benefícios que a mudança de atitude trouxe para Maria Regina e sua família. As idéias apresentadas durante aquela palestra ajudaram a aproximar mãe e filha que, juntas, acabaram descobrindo outras formas de poupar água. “Na palestra, ninguém havia falado sobre reutilizar a água da máquina de lavar roupa para limpar a calçada e o quintal, mas a minha mãe teve essa idéia e começou a praticá-la rapidamente”, ressalta a psicopedagoga.

Atualmente, Maria Regina tem 45 anos e passa para as suas filhas e faxineiras o que aprendeu há 36 anos. Essa continuidade é que acaba garantindo a eficiência dos princípios transmitidos através da educação ambiental e manutenção dessa política preventiva de conscientização popular.

Jorge Werthein, representante da UNESCO no Brasil, ressalta a importância da consciência ambiental. Para ele, “o que falta com relação à gestão da água é mais comprometimento político, melhor direcionamento dos recursos financeiros, educação continuada e informação ampla de toda a sociedade mundial para reverter as tendências negativas anunciadas”.

Werthein ainda destaca que o planeta não vai suportar o ritmo atual do uso da água e uma mudança radical de atitude e comportamento é determinante para construir novos cenários e diminuir incertezas.

Um bem finito - a água representa 70% da superfície da Terra, entretanto sua maior parcela se encontra nos oceanos. Do total de água que se tem no planeta, 97,5% é salgada e só 2,5% é água doce. A utilização desse percentual é ainda mais agravada quando se lembra que parte dele está em calotas de gelo. Em resumo, apenas 0,3% de toda a água encontra-se disponível para o consumo.

Enquanto países como Israel e China têm sofrido o contínuo problema de escassez de água, levando os governos a ensinarem sua população a usar o recurso de maneira inteligente, outros países e continentes continuam a abusar dos recursos hídricos disponíveis.

O continente americano, por exemplo, possui mais de 30% da água doce existente no mundo, sendo que a América Latina é uma das regiões com maior quantidade da substância, já que a média das precipitações de chuva é 50% maior do que a média no mundo.

Entretanto, a falta de uma cultura ambiental efetiva faz com que esse ponto positivo não seja aproveitado de maneira correta.”Somando perdas por instalações mal conservadas e maus hábitos, o desperdício relacionado com o consumo pode ser muito alto, se não se adotam medidas corretivas eficientes, tanto nos hábitos como nos processos de manutenção das instalações”, explica John Tatton, biólogo e sanitarista que trabalha há 23 anos na Sabesp e é presidente da ONG AGUA - Associação Guardiã da Água

Segundo a Sabesp, o consumo médio de água é de 120 litros diários por habitante. Esse consumo pode ser ainda menor se houver uma maior conscientização da população. Dentro desses 120 litros diários, a distribuição do consumo médio diário é de aproximadamente 36% na descarga do banheiro; 31% em higiene corporal; 14% na lavagem de roupa; 8% de rega de jardins, lavagens de automóveis, limpeza de casa, atividades de diluição; 7% na lavagem de utensílios de cozinha e 4% para bebida e alimentação.

A queda no consumo não significa necessariamente uma mudança na qualidade de vida de cada pessoa. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o ser humano pode viver de maneira confortável gastando 100 litros por dia. Fazendo com que cada um poupe para que este bem finito não falte amanhã.

“Se a humanidade quer sobreviver é necessário começar a perceber a água de uma outra maneira, e agir condizente com isso. Por meio de um conjunto de políticas públicas e de atitudes coletivas e individuais em nosso cotidiano acredito que a mudança ainda poderá acontecer a tempo”, ressalta Jorge Werthein.

  
  

Publicado por em

Anna rafaela

Anna rafaela

06/08/2012 14:01:07
nossa e hu massimo bjsssssssssssssssssssssssssssssssssss...