Meio ambiente precisa de mais que amadores

Por Dr. Nelson Terra Barth Há várias abordagens relativas ao ambiente. Notável é a discrepância entre o discurso ambiental politicamente correto e as ações que o ser humano efetivamente toma nos cuidados com a natureza de que se serve. Nas últimas

  
  

Por Dr. Nelson Terra Barth

Há várias abordagens relativas ao ambiente. Notável é a discrepância entre o discurso ambiental politicamente correto e as ações que o ser humano efetivamente toma nos cuidados com a natureza de que se serve.

Nas últimas três, quatro, talvez cinco décadas, tem sido quixotesca a defesa do ambiente. Os ambientalistas, cavaleiros de triste figura, têm procurado convencer a sociedade em geral de que, sem uma realista defesa do ambiente, a vida do ser humano na Terra será impossível, mais cedo ou mais tarde.E, antes disso, cada vez mais difícil.

Para quem é do ramo, apocalípticos têm sido os diagnósticos e prognósticos da vida das futuras gerações. E os empresários e executivos não estão absolutamente fora deste contexto: há desde os quixotescos ambientalistas empresariais até os irresponsáveis, os imperitos, os imprudentes e os negligentes para com o ambiente. Raros são os profissionais racional e efetivamente conscientizados.

O conhecimento das ciências ambientais, onde se inclui com relevância a administração pública e privada do ambiente, reveste-se de extrema importância para o futuro da humanidade.

Marchas e contra-marchas
Uma das áreas que têm ganhado extraordinário relevo entre as ciências ambientais é a que trata da normatização do comportamento humano através do Direito do Ambiente, que tem a missão de procurar resolver conflitos de difícil e complexa solução. Ao lado desta área, há a engenharia ambiental que, com os seus inovados conceitos, busca soluções jamais imaginadas na lógica precisa da engenharia tradicional, constituindo outra matéria bastante bem desenvolvida entre as ciências ambientais.

Contudo, se nas referidas áreas, o progresso tem sido considerável, as iniciativas relacionadas à gestão do ambiente industrial e comercial, têm sido desenvolvidas com exagerada timidez.

Ouve-se falar muito em gestão ambiental; dezenas de iniciativas são direcionadas ao desenvolvimento de profissionais que se centram muito mais no estudo de normas ambientais, não encarando com determinação o desenvolvimento de uma administração do ambiente nos moldes que a moderna escola de administração preconiza para as atividades empresariais; sejam públicas ou privadas. Fala-se muito em `auditorias ambientais` e em `gestão ambiental`; porém pouco em `marketing ambiental` e raramente em `contabilidade ambiental`. De outra parte, quando se cogita de economia, poucas são as referências sobre `macro e micro economias ambientais`.

É hora de encarar o ambiente como ciência a parte
Precisamos que se desenvolvam nas Faculdades de Administração cursos inteiramente devotados à administração do ambiente. Devem levar em consideração toda a carga curricular e todas as ferramentas desenvolvidas nos cursos mais modernos de administração.

Tratariam, por exemplo, de `recursos humanos na área ambiental`; considerariam `avaliações ambientais estratégicas`, `planos de curto, médio e longo prazo`; desenvolveriam toda a questão `orçamentária ambiental`, estudariam `organizações e métodos ambientais` - em resumo, passariam de todas as implicações que possam representar uma verdadeira e necessária administração do ambiente.

Precisamos examinar o Direito do Ambiente, que reúne conhecimentos sobre as normas ambientais que afetam a vida de pessoas físicas e jurídicas. Outra vertente importante é a Economia Ambiental, que identifica e quantifica ativos e passivos; preconizando ações pró-ativas para transformar os atuais passivos (enormes) em ativos e diminuir a velocidade com que transformamos os ativos em passivos. Aí sim, teremos condições de falar em Administração do Ambiente.

Administração do ambiente
Esta titulação alarga e aprofunda o atual conceito de Gestão Ambiental, limitado, e que se tem revelado inadequado na precisa dimensão de sua adequada extensão. Ao se entender com a devida correção o que vem a ser ambiente, pode-se chegar a uma real dimensão do que comporta estudar a respeito da Administração do Ambiente.

A língua inglesa e a francesa, ao denominarem a área ambiental como `environment` ou `environnement` o que significa `entorno`, ou seja, tudo o que nos cerca. Já que não conseguimos nos afastar de uma visão antropocêntrica do universo, o entorno está ligado intimamente à vida no homem no meio que habita. Encarada dessa forma, ao menos três vertentes formariam verdadeiros administradores do ambiente: Direito Ambiental, Economia do Ambiente e Administração do Ambiente.

Os estudos na área do Direito Ambiental abrangem Ética Ambiental, Sistema e Política Nacional do Meio Ambiente, Ambiente Urbano, Tutela Penal, Civil e Administrativa do Ambiente. A Economia do Ambiente inclui Introdução à Economia Ambiental, Econometria Ambiental, Ativos e Passivos Ambientais. Estratégias Econômicas de Combate à Poluição. Já a Administração do Ambiente engloba o Planejamento Estratégico Ambiental, a Administração do Patrimônio Ambiental, o Desenvolvimento de Tecnologias Limpas, etc.

Isso é o mínimo que se pode vislumbrar para a formação de gente consciente em matéria ambiental. Gente cada vez mais necessária nas empresas e governos; fator que tornará cada vez mais dramática a competitividade e o uso sustentável dos nossos recursos naturais.

Dr. Nelson Terra Barth é formado em Direito pela USP e em Administração pelo Mackenzie; Professor de Direito Ambiental, Consultor Jurídico em Meio Ambiente, Vice-Chairperson do Comitê de Meio Ambiente da Câmara Americana de Comércio; Presidente do INEAA - Instituto Nacional de Estudos Ambientais Avançados; Coordenador do Curso de Extensão Universitária em Direito Ambiental da UniFMU (SP); Coordenador do Curso Master in Business Environmental Administration da Faculdade Trevisan (SP).

  
  

Publicado por em

Wagner Assmann

Wagner Assmann

19/01/2009 20:54:31
Adorei o texto.
Gostaria de saber se o autor tem livors publicados com base em meio ambiente.
Obrigado.