O Meio Ambiente e a necessidade de um novo Modelo de Desenvolvimento

Depois da Mata Atlântica cobrir quase toda a área litorânea do Brasil, hoje apenas 7% dela cobre o país. Em recentes pesquisas, a porcentagem de desmatamento na Amazônia apresenta um quadro bastante crítico. Nossos recursos hídricos estão ameaçados tanto

  
  

Depois da Mata Atlântica cobrir quase toda a área litorânea do Brasil, hoje apenas 7% dela cobre o país. Em recentes pesquisas, a porcentagem de desmatamento na Amazônia apresenta um quadro bastante crítico. Nossos recursos hídricos estão ameaçados tanto do ponto de vista da qualidade, quanto da quantidade.

Em torno de 4 milhões de pessoas morrem no mundo(incluindo o Brasil) por doenças que tem origem na má qualidade da água. O clima da terra, segundo pesquisas recentes poderá aumentar em média 6,70 C.

Enfim temos um quadro bastante crítico da relação homem natureza em nosso país e no mundo.

Diante deste cenário de degradação ambiental aliado com a desigualdade social que vivemos muito se fala sobre o meio ambiente e a necessidade de buscarmos um novo modelo de desenvolvimento(alguns citam o Desenvolvimento Sustentável) para que o mundo utilize de maneira mais racional os recursos naturais e que também se busque uma melhor distribuição de renda, já que muitos dos problemas ambientais estão relacionados com a pobreza.

No entanto, na prática o país, os estados e os municípios tem feito bem menos do que deveriam fazer com relação a mudança na forma de desenvolvimento, ou seja, fala-se muito e pratica-se pouco; senão vejamos:

- Quando temos de pensar na questão da desigualdade social, um dos principais problemas é a questão da geração de emprego e renda, não é mesmo?

Com isso, quando uma indústria se oferece para se instalar em determinado estado e consequentemente numa cidade, todos ficam eufóricos, logo falam em milhares de empregos, vantagens fiscais são oferecidas e a indústria é na maioria das vezes instalada.

Porém para que determinados tipos de indústrias sejam instaladas, é importante que diversos instrumentos previstos na legislação ambiental do país sejam cumpridos.

Por exemplo, é necessário o Estudo de Impacto Ambiental(EIA) que irá terminar em um Relatório de Impacto Ambiental(RIMA), relatório este que tem de ser feito numa linguagem acessível para a toda a comunidade da região.

É importante dizer que tanto o EIA, quanto o RIMA tem de ser elaborados antes do licenciamento e da implantação da atividade e isto na maioria das vezes não é cumprido.

Além disso estes estudos tem de ser apresentados em uma Audiência Pública para que a comunidade seja ouvida e o empreendimento possa ser avaliado com profundidade tanto do ponto de vista social, econômico e ambiental.

Porém o clima que se cria por quase toda a cidade e região é um clima de que não haverá nenhum problema, alguns dizem, problema teremos se não instalarmos a indústria e o debate sobre quais impactos um determinado empreendimento pode trazer, são minimizados e muitas vezes os que tem uma voz crítica, são vistos como pessoas que não querem o “desenvolvimento”.

Entretanto, não é isto. O que devemos refletir seriamente é: qual atitude devemos tomar nestes momentos? Podemos indiscriminadamente trazer indústrias para uma mesma região? Os recursos naturais suportam a sua utilização de forma indiscriminada? Não é isso que estamos fazendo até agora? Não é por isso que as florestas estão diminuindo; a água está de má qualidade e acabando? Não devemos cumprir com o que está estabelecido na legislação? Ou então para que ela foi elaborada?

Não podemos mais tratar estas questões apenas no varejo, ou seja, a cada momento que vem um determinado empreendimento discutimos sobre o mesmo.

Precisamos, além de refletirmos sobre a necessidade de buscarmos realmente um novo modelo de desenvolvimento, utilizar na sua plenitude os instrumentos que desde já contribuem para o planejamento e que estão previstos pela legislação brasileira, tais como:

- O Estudo de Impacto Ambiental, que ajuda a avaliar quais os impactos do empreendimento,

- O Zoneamento Econômico-Ecológico, que aliado aos Planos Diretores dos Municípios, contribuem para a verificação das áreas a serem ocupadas ou não pelas indústrias;

- O Zoneamento Industrial onde é previsto a identificação de áreas exclusivas para fins industriais, porém algumas medidas minimizadoras do impacto estão previstas, tal como a manutenção em seu contorno, de anéis verdes capazes de proteger as zonas circunvizinhas contra possíveis efeitos residuais e acidentes;

- O Plano da Bacia, que aliados a todos os outros complementam os estudos e o diagnóstico de como andam aquela bacia, qual o nível de degradação e também formula propostas de ações efetivas de recuperação.

Enfim, não nos faltam instrumentos para que algumas ações sejam feitas e desde já minimizarmos os impactos causados pela ação do homem e desta forma contribuir para uma melhor relação com a natureza.

Não entendemos que o planejamento resolva tudo, porém ele pode ajudar e isto é urgente e necessário, até para que tenhamos tempo e recurso natural suficiente, para que democraticamente possamos pensar que novo modelo de desenvolvimento devemos buscar para o país e para o mundo.

Autoria: Angelo José Rodrigues Lima – é biólogo formado na UFRRJ, Especialização em Gerenciamento de Recursos Hídricos(UFPB), Mestre em Planejamento Ambiental COPPE/UFRJ e Secretário Executivo da Ong “O Nosso Vale! A Nossa Vida”.


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Publicado por em

Carol

Carol

21/07/2011 14:35:24
vamos quidar do meio ambiente deixe sua cidade limpa! Vamos ajudar!

Fabio almeida

Fabio almeida

04/02/2009 15:14:53
No desenvolvimento de cada pais, estado, região, cidade, se ocorre a degradação...
Pois a falta de planejamento principalmente no Brasil,é assustadora, assim com um efeito colateral grande demais.
Dsenvolvimento sustentavel pode ser a saída, mas estamos longe dele ocorrer, assim as futuras geraçoes,vão sofrer com a falta de planejamento que esta ocorrendo no presente, onde o passado vai condenar o futuro.
Prof de geografia fabio almeida...