Os Parques e seus “moradores” – Parte I

Cada uma das categorias de Unidades de Conservação, como são tecnicamente chamadas as áreas protegidas é regida por uma legislação específica. Um dos artigos que gera enormes conflitos é o que trata das pessoas que residem na área, transformada através de

  
  

Cada uma das categorias de Unidades de Conservação, como são tecnicamente chamadas as áreas protegidas é regida por uma legislação específica. Um dos artigos que gera enormes conflitos é o que trata das pessoas que residem na área, transformada através de um decreto de lei, em Parque Nacional, por exemplo.

Desta maneira tais terras passam para a União e as áreas particulares dentro dos limites implantados devem ser desapropriadas. Isso se dá através de indenizações e processos que na maioria das vezes são longos, complicados e difíceis.

O objetivo básico do Parque Nacional é alcançar a “preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico”.

A discussão toma corpo a partir de duas visões conflitantes, opostas mas que ao mesmo tempo se convergem, pois ambas almejam a sustentabilidade da área protegida. De um lado temos os que acreditam que a preservação do ambiente natural em questão, no caso o Parque Nacional, só se dá com a total ausência de seres humanos, já que estes somente contribuem para a degradação ambiental e geram impactos irreversíveis ao utilizarem os recursos naturais de uma maneira não sustentável. Do outro lado temos os que acreditam que determinadas populações tradicionais, ou seja, aquelas que há um grande período de tempo convivem com o ambiente natural que lhes é intrínseco, sabem lidar com a terra, com os recursos naturais disponíveis sem degradá-los, e sim colaborar para a conservação através do etno-conhecimento adquirido através de gerações e gerações.

Deve se destacar, entretanto, que muitas vezes o morador de uma destas áreas, ao perder sua terra, sua horta, a casa e o modo de vida tradicional, perde também, conseqüentemente, sua liberdade e vida propriamente dita. Ele se percebe desencorajado a recomeçar do zero. Geralmente desprovido de documentos que garantam uma indenização justa, a qual na maioria dos casos não lhe traz, nem garante uma vida digna, quem dirá melhor; ele se vê obrigado a traçar um novo destino em locais, na maioria das vezes estranhos ao seu cotidiano. A saída, então, é se refugiar em um grande centro urbano, sendo obrigado a tomar rumos contrários à sua vontade, ficando enclausurado, possivelmente, em uma favela.

Esta é uma discussão extremamente conflitante e acalorada, que parece estar longe de seu fim. Tentaremos, porém demonstrar que é possível conciliar anseios aparentemente contraditórios, beneficiando a todos gerando os mínimos impactos possíveis, através do planejamento e da pesquisa.

Ao se promover o Ecoturismo, intrinsecamente também se prevê a melhoria da qualidade de vida da população visitada. Mas como é que ela se benificiará se seu modo de vida foi desestruturado?

Em nosso próximo texto abordaremos mais a fundo este tema...

  
  

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