Os Parques e seus “moradores” – Parte II

As populações tradicionais podem contribuir e muito para os trabalhos de Educação e Interpretação Ambiental se houver toda uma fundamentação e um planejamento prévio e eficaz, que deveria estar contido no plano de manejo. Elas podem transmitir aos turista

  
  

As populações tradicionais podem contribuir e muito para os trabalhos de Educação e Interpretação Ambiental se houver toda uma fundamentação e um planejamento prévio e eficaz, que deveria estar contido no plano de manejo. Elas podem transmitir aos turistas, através do contato e de um convívio mais afinado, como aprenderam a respeitar o meio ambiente e retirar dele apenas o primordial à sua sobrevivência e continuidade.

O ato inicial é diferenciar populações tradicionais de outros grupos não tradicionais. Estes, por sua vez, podem ser veranistas, fazendeiros ou outros tantos que na maioria dos casos utilizam os recursos naturais de maneira insustentável. Para Diegues as ditas sociedades tradicionais são grupos humanos diferenciados sob o ponto de vista cultural. São àquelas que reproduzem historicamente seu modo de vida, se encontram razoavelmente isolados, se relacionam baseados na cooperação social e possuem relações próprias com a natureza.

Em se tratando de populações tradicionais podem ser elas beneficiadas com a atividade ecoturística, já que há um grande envolvimento com o dito mundo capitalista ocidental. Não se pode ignorar o fato desta ser uma dinâmica praticamente irreversível e, portanto deve-se procurar alternativas menos predatórias como as atividades meramente extrativistas que acabam por degradar nossa flora e fauna, seja, por exemplo, através da confecção de artesanato que se utiliza de matérias provindos de animais em demasia ou do consumo de alimentos encontrados em nossos ecossistemas. O Ecoturismo pode surgir, concomitantemente com projetos sociais e ambientais, como um catalisador regulador.

Sendo o Ecoturismo uma das atividades previstas na legislação que norteia as atividades realizadas dentro de um parque, pressupomos que sua sustentabilidade sócio-ambiental e econômica deva privilegiar também quem depende e frui da terra a ser visitada e que como observado em muitos casos não agride o meio ambiente.

É muito comum, quando nos deparamos com pessoas “morando” dentro de parques, elas nos transmitirem a sensação de serem literalmente tolhidas de seu modo de vida tradicional. Elas não podem mais usufruir da lavoura, da caça e são lhes impostas uma série de condições que lhe impedem a prospecção da vida praticamente. Nestas condições o que resta é deixar a terra que por tanto tempo lhes rendeu tanta riqueza.

De maneira alguma estamos nos posicionando a favor de atividades predatórias como a caça por exemplo, apenas questionamos o método como são impostos e antes disso elaborados decretos de unidades de conservação. Muitas vezes tais decretos ocorrem verticalmente, visando muitas vezes interesses internacionais que não traduzem os interesses locais. Não se pode ignorar, na escolha de uma área a ser transformada em Parque Nacional, o fato de haverem pessoas alocadas nestas terras a gerações. Muito menos pode ser deixado de lado, que essas mesmas pessoas sabem manejar, à sua forma tradicional, tais terras.

Muitas vezes não se sabia da existência de populações tradicionais em determinadas áreas, ou seja, não foram realizados estudos prévios de campo que possibilitassem demarcações mais coerentes e assertivas. O que ocorria, e ainda ocorre, são demarcações de papel, traçadas em cartas por tomadores de decisão que nem ao menos pisaram na terra em questão. O que propomos é que sejam somados esforços visando a conservação de uma determinada área, tal conservação inclui também toda riqueza cultural detida nessas comunidades.

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