Os Parques e seus “moradores” – Parte III

A melhor forma de amenizar todos os conflitos gerados com a presença de Populações Tradicionais dentro de Parques Nacionais é, inicialmente, integrar políticas públicas com os interesses sócio-culturais e ambientais. Não basta absorver desejos unilaterais

  
  

A melhor forma de amenizar todos os conflitos gerados com a presença de Populações Tradicionais dentro de Parques Nacionais é, inicialmente, integrar políticas públicas com os interesses sócio-culturais e ambientais. Não basta absorver desejos unilaterais, incentivados principalmente por pressões internacionais, nos decretos de Áreas Protegidas do país.

Antes de se decretar novos parques ou quaisquer outros tipos de Unidade de Conservação, há que se fazer uma vasta e multidisciplinar (que abranja diversas áreas do conhecimento: antropologia, biologia, geografia, economia, ecologia, etc.) investigação prévia in loco sobre as reais condições das regiões pressupostas como preferenciais para a preservação. Esse fato já abstrairia dezenas de entraves políticos e econômicos, já que proporcionaria conhecimento específico concreto sobre a existência ou não de moradores em tais áreas e, principalmente, em caso afirmativo, quais os tipos de residentes, se são verdadeiramente tradicionais como quilombolas, indígenas, caiçaras, seringueiros, camponeses etc; ou apenas pessoas que possuem uma ligação apenas econômica com a terra, como grandes fazendeiros, criadores de gado, mineradores, madeireiros entre outros.

Nos casos em que já se concretizou o decreto de Áreas Protegidas que legalmente excluir-se-iam os moradores, sejam eles tradicionais ou não, o que se mostra como ação mais sensata é, primeiramente, destacar aqueles que realmente possuem uma relação simbiótica com o meio ambiente e se vêem, se sentem como tradicionais, pertencentes àquele lugar. Para assim, desmistificar a noção de bom selvagem e dar credibilidade aos que são intrinsecamente tradicionais.

Em seguida, o melhor rumo a seguir é integrar e interagir essas comunidades com o principal objetivo da Unidade de Conservação que é a preservação ambiental, na qual inserimos, também, a preservação sócio-cultural. Esse fato é muito simples de se alcançar, até porque, muitos locais interessantes para a preservação só estão como estão em função do manejo consciente de algumas sociedades tradicionais. Em algumas aldeias indígenas, a área nas quais os tradicionais utilizam para sua subsistência e reprodução sócio-cultural estão plenamente conservadas, mesmo quando o grau de devastação à sua volta é extremamente alto.

Assim, já que as Populações Tradicionais, muitas vezes são exímias preservadoras da natureza, porque não incentivá-las, como alternativa econômica, o envolvimento ao Ecoturismo, no qual se embute a Educação Ambiental?

Ninguém melhor para sensibilizar o homem moderno, urbano-industrial quanto à necessidade da preservação ambiental atualmente do que o homem tradicional, que, instintivamente por gerações, é consciente de seu lugar na natureza. Ele sabe que ele não só faz parte da natureza como também, é natureza.

  
  

Publicado por em