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Parques Nacionais Brasileiros - 70 anos de idade e muito a melhorar

O primeiro Parque Nacional brasileiro, Itatiaia, fundado no dia 14 de maio de 1937, completa nesse ano de 2007, seus 70 anos de vida.

8 de Maio de 2007.
Publicado por Guto Bertagnolli  

O primeiro Parque Nacional brasileiro, Itatiaia, fundado no dia 14 de maio de 1937, completa nesse ano de 2007, seus 70 anos de vida. Antes de falar um pouco mais sobre os nossos parques e da situação em que eles se encontram, vale a pena falar um pouco de história.

A idéia de áreas naturais protegidas institucionalmente é bem antiga. Bota antiga nisso. Por volta de 1810, o poeta inglês William Wordsworth, foi um dos pioneiros a tocar no assunto, quando escreveu e descreveu que a região de Lake District, como “um tipo de propriedade nacional onde cada homem tem direitos e deve se regozijar com olhos para ver e com o coração para sentir”.

Ainda nos idos de 1800, mais precisamente em 1832, o pintor George Catlin, escreveu durante suas viagens pelo Oeste ainda selvagem dos EUA, que áreas indígenas deveriam ser preservadas: “por algum tipo de política de proteção do governo” - ”...como um parque da nação...”. Vale lembrar que nos EUA, John Muir, é considerado como o grande difusor da idéia da criação dos parques nacionais, antecipando muitos dos conceitos de conservação/preservação ambiental e direitos animais, aos quais conhecemos e utilizamos hoje.

Fora dos EUA, praticamente na mesma época (1880), mais precisamente na Suécia, o barão Adolf Erik Nordenskiöld, propôs algo semelhante para as áreas naturais do seu país.

O primeiro parque nacional dos EUA e do mundo foi instituído no ano de 1872: Yellowstone junto com suas florestas de pinheiros, ursos e geisers. Logo na seqüência da história outros países se organizaram e vários parques foram criados: em 1879, o Royal National Park, foi criado ao Sul de Sidney, na Austrália. No Canadá, o primeiro parque nacional, Banff National Park (conhecido hoje, como Parque Nacional das Montanhas Rochosas), foi criado em 1885. O primeiro parque Nacional da Nova Zelândia nasceu em 1887. O pontapé inicial na Europa aconteceu na Suécia no ano de 1909, quando 9 pontos foram transformados em parques nacionais ao mesmo tempo. Na França, a primeira área identificada como parque nacional só foi instituída em 1963: depois de uma mobilização pública contra um projeto turístico, o Parque Nacional de Vanoise, foi criado nas áreas montanhosas dos Alpes.

A título de curiosidade: os EUA têm hoje 390 áreas diferentes mantidas e organizadas pelo National Park Service, das quais 58 delas têm status de parques nacionais. A Europa conta hoje com 359 parques nacionais espalhados pelo continente, gerenciadas por diferentes instituições como a Europarc Federation (www.europarc.org) e a European National Parks Centre (enpc@post.sk).

No nosso imenso país continental que contempla a terceira maior biodiversidade do Planeta, a maior porção de floresta tropical do mundo (Bacia Amazônica), a maior planície alagável de água doce do mundo (o Pantanal), o maior rio em extensão do mundo (o Amazonas), uma das 3 maiores cataratas do mundo (Iguaçu), canyons, cavernas, cachoeiras, caatinga, mata atlântica, sem falar nos quase nove mil kilômetros de litoral e praias paradisíacas, tudo parece, aos olhos dos mais céticos, precisar de uma intensa e constante proteção.

Desde a criação de Itatiaia em 1970, muita coisa mudou. Nem tudo ainda está como deveria estar, mas estamos no caminho. A nossa legislação relacionada à implantação, proteção e manutenção das áreas naturais está centralizada (e muito bem redigida) no Sistema Nacional de Unidades de Conservação. O SNUC, que foi publicado e está em vigor desde 2000, identifica 13 tipos diferentes de unidades de conservação e divide essas unidades em áreas de Uso Sustentável, que devem conciliar a conservação da natureza, com a utilização de uma parcela dos seus recursos naturais; e áreas de Proteção Integral, que visam à preservação da natureza, permitindo apenas uso indireto dos seus recursos naturais.

O Brasil tem hoje, 62 parques nacionais espalhados pelo território nacional e sua área oceânica. Dentre os Estados Brasileiros, Bahia e Minas Gerais contam com o maior número de parques, abrigando 7 unidades cada um. São Paulo, na contramão do pseudo-desenvolvimento e industrialização, conta apenas com uma única unidade, o Parque Nacional da Serra da Bocaina (131.000 há), na divisa com o Estado do Rio de Janeiro.

Paralelamente a função primordial de conservação das áreas naturais, suas riquezas e sua biodiversidade, nossos parques ainda não atingiram o máximo do seu potencial em outras áreas, como educação (em todos os níveis), valorização das comunidades de entorno e principalmente, geração de renda. Desde a época de escola, escuto comentários sobre o parque nacional de Iguaçu sustentando todos os outros parques no Brasil e isso não tem nada de interessante. Se formos pensar de maneira clara, todos os parques brasileiros deveriam ter a mesma força e a mesma infra-estrutura e serem fontes importantes de trabalho e de geração de recursos. Nada demais e nem é a descoberta da roda, simplesmente o correto.

Inúmeros problemas e situações acabam dificultando a vida das instituições e dos verdadeiros abnegados que dedicam suas vidas às unidades. Num primeiro momento, a implantação dos parques esbarra na falta de informação das comunidades locais e na falta de recursos para que esse trabalho seja realizado pelo Ibama e outros órgãos competentes (níveis estadual e municipal). Não estou aqui dizendo que as comunidades locais não querem ou são contra os parques, apenas que, em áreas remotas e sem muitas oportunidades, os impedimentos e o “não”, imposto pelas características e normas de conservação dos parques nacionais, sempre causam certo impacto no cotidiano dessas populações. Esse impacto, pode ser considerado normal e deve ser direcionado e trabalhado para a melhoria da qualidade de vida desses habitantes das áreas de entorno, através de uma adaptação aos novos processos e situações trazidos pela unidade de conservação.

E é muito importante salientar que isso muda bastante de acordo com a região do Brasil levada em consideração e muda ainda mais (requer mais atenção ainda), se estiver lidando com populações indígenas mais tradicionais e distantes do que chamamos de desenvolvimento. Mais isso já é um outro ponto, que de tão delicado e importante, merece outro texto e uma discussão única.

Num outro lado temos a questão fundiária, quase sempre confusa e mal resolvida. Indenizações insuficientes, mal planejadas e muitas vezes suspeitas. Isso quando elas realmente são feitas. Pensando nesse lado, temos proprietários rurais, latifundiários, que por muitas vezes não vivem o cotidiano da região (pois moram em grandes centros), e as confusões jurídicas que se arrastam país afora e manobras políticas e conflitos, que literalmente, são resolvidos à bala.

Isso me faz pensar em quem exatamente não tem a educação suficiente: se são realmente os moradores de entorno, que estão simplesmente vivendo na área onde nasceram, com sua conexão natural e poucos recursos, ou as grandes corporações individuais, que ganham dinheiro, mas não enxergam a necessidade mais ampla e implícita na implantação de uma unidade de conservação e a importância disso a médio/longo prazo para o país como um todo.

De maneira geral, excluindo as unidades localizadas em áreas marinhas; o Pantanal e a sua inundação periódica, que impossibilita maiores intervenções e favorece a conservação de boa parte de sua área, todas as outras áreas precisam ser alteradas para que outras atividades existam.

E ainda apresentando um conflito sadio ao meu texto na questão dos proprietários rurais e sua atitude em relação às unidades de conservação, gostaria de lembrá-los que apenas 2% dos 140.000 km quadrados da área do Pantanal (no Brasil) são área de parque nacional. Todo ele se caracteriza por áreas particulares. Esse balanço entre cultura intensa, adaptação da atividade realizada aos processos naturais e introdução de novos conceitos e atividades, como por exemplo, operações de turismo na natureza, deram certo e ao menos, não desestruturam a coexistência da natureza e do homem nessa região, hoje tão ameaçada pelas pressões do desenvolvimento totalmente desordenado causada pela agricultura das monoculturas e pelo crescente avanço das minerações. Pelo menos até agora.

Falta um pouco de tudo por todos os lados. Parece genérico demais, mas o que não podemos mais é apenas assistir atônitos aos rumos e a velocidade da destruição do nosso maior bem: nosso patrimônio natural. Falta educação sim, para a comunidade local (que não pode e não deve ser cobrada por isso), falta, mais ainda, educação para quem já se diz educado e controla as riquezas e detém os documentos de posse das áreas que podem e precisam de conservação e do status de parque nacional, falta vontade política e muito mais do que isso, faltam recursos para contratação, capacitação e efetivação de técnicos e funcionários para as unidades, principalmente para os nossos parques nacionais.

Digamos que nossos governantes e a grande maioria da população ainda não tenham a maturidade e seriedade necessária para lidar com o assunto. Parece um tanto distante e utópico, mas como até então, nossos recursos naturais ainda não apresentaram uma perda significativa (aos olhos dos mais leigos ou dos que se posicionam dessa forma, é assim que a situação se apresenta), ou algo que realmente seja trágico e fisicamente visível e analisável, tudo passa como sempre passou: o Brasil é o país do futuro, o futuro é aqui, os brasileiros não desistem nunca...

Pois bem, se continuarmos a nos preocupar com os recursos naturais com os valores atuais da nossa cultura e da maneira que nos preocupamos hoje, vamos ser lembrados como o país que mais teve chances (e recursos) e o que mais rapidamente, pos tudo a perder e não soube se aproveitar das beneficies apresentadas por essa nova postura (e necessidade) mundial.

De maneira simples, se soubermos aproveitar os nossos recursos naturais, conservá-los e fazer com que os brasileiros entendam e valorizem isso como nossa maior riqueza, teremos um caminho menos complicado no futuro. Ou será mesmo, que vocês ainda acreditam que projetos de mineração no Pantanal, cana-de-açúcar plantada Brasil à dentro e os inúmeros projetos assistencialistas do governo federal são a solução para os problemas econômicos e sociais do país.

Eu vejo nosso futuro pautado no desenvolvimento de uma política séria de envolvimento do povo brasileiro com o que temos de melhor: o próprio brasileiro, sua terra, sua cultura e suas belezas. Conservar as áreas naturais através da criação e implantação de um número maior de parques nacionais e outras unidades de conservação, trazendo o brasileiro para dentro do seu próprio país de uma forma diferente. Paralelamente a essa nova visão, intensos processos educativos e de melhoria das atividades turísticas, suas formas e fórmulas.

Quanto mais pessoas envolvidas, mais pessoas estarão preocupadas e cientes da realidade, das necessidades locais e de um projeto maior e mais amplo, que conscientize primeiro, planeje depois, e que viabilize e organize a infra-estrutura das nossas áreas preservadas de forma que possamos apreciá-las, entendê-las e tornando-as financeiramente viáveis, geradoras de renda e de empregos.

Políticas e pessoas sérias são sumariamente necessárias e isso depende de nós. Parcerias entre os setores públicos, privados e o envolvimento do terceiro setor e da sociedade como um todo, são o caminho correto a se trilhar. Queria poder comemorar muito mais do que somente os 70 anos de Itatiaia, mas infelizmente ainda não vivemos essa realidade.

Apesar do presente conturbado, ainda temos tempo e condições de mudar. Insisto aqui em brinde ao futuro e os nossos mais sinceros parabéns aos bravos e dedicados homens que protegem a natureza e atuam nos parques nacionais brasileiros.

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Comentários

makelly haney de jesus santos

 postado: 15/9/2008 08:48:45editar

otimo muito bem muito legal oque eles feis em deicha anoticias dos parques

 

Thaynáaa

 postado: 26/9/2008 17:02:46editar

eu acho uma beleza !!!

 

 

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