Responsabilidade social corporativa e sustentabilidade: longevidade à empresa cidadã

Por Sergio de Albuquerque e Mello A maioridade está chegando para as grandes empresas transnacionais. A sociedade global acena com uma exigência inadiável, tal qual um adolescente posto diante das responsabilidades da vida adulta. Imaginemos um ve

  
  

Por Sergio de Albuquerque e Mello

A maioridade está chegando para as grandes empresas transnacionais. A sociedade global acena com uma exigência inadiável, tal qual um adolescente posto diante das responsabilidades da vida adulta.

Imaginemos um velho mestre postulando ao seu discípulo traquinas, como a lançar o desafio do ritual de passagem: “se queres sustentar-te na vida com saúde e por longo tempo, serás diligente e prestarás conta plenamente de teus atos a quem te serve, a quem por ti é servido e a teus pares”.

Cobra-se hoje das empresas uma atitude correspondente ao conceito da “Cidadania Corporativa Global”, que envolve ao mesmo tempo a sustentabilidade e a responsabilidade social, de fato totalmente indissociáveis.

Não se deve pensar em sustentabilidade como algo restrito ao meio ambiente, assim como responsabilidade social não se limita a ações ou investimentos em projetos sociais. Os dois conceitos estão intrinsecamente ligados. Uma empresa que pretenda perenizar seu negócio deverá adotar uma estratégia que contemple o que os ingleses chamam de “triple bottom line”, ou seja, gerar valor nas dimensões econômica, ambiental e social.

Da mesma forma, responsabilidade social corporativa significa entender e agir em resposta a essa nova demanda da sociedade que é a de que o valor gerado por uma empresa se reflita em benefícios não somente para seus acionistas, mas que tenha também um impacto positivo para o conjunto dos afetados por suas operações, em particular o meio ambiente e a comunidade (seus próprios funcionários e o restante da sociedade), respeitando sua cultura e agindo de forma ética e transparente.

Aqui é necessário fazer a distinção entre o que pretende e pode alcançar uma empresa e o que foi definido com “desenvolvimento sustentável” pelo Relatório Brundtland, que cunhou a seguinte definição: “desenvolvimento sustentável é atender as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”.

Essa é uma aspiração do conjunto da humanidade. As empresas participam desse processo buscando a sua própria sustentabilidade. Pela relação intrínseca entre os dois conceitos, podemos intuir que as empresas que buscam a sustentabilidade de seus negócios passarão necessariamente por um projeto de responsabilidade social corporativa.

Por que um projeto? Que não se tenha a ilusão de empreender uma tal mudança na cultura da empresa sem um projeto profissionalmente planejado e fortemente estruturado. Grandes questões têm que ser levantadas e debatidas e as mudanças identificadas estabelecidas em conformidade com a visão e metas derivadas desse processo.

Assim, passam a coexistir com as preocupações anteriormente focadas apenas no desempenho econômico fatores como a conduta ética nos negócios e nas suas relações com as partes interessadas, o processo de comunicação com estas partes, as dimensões ambientais e sociais que passam a integrar a disciplina do negócio na sua cadeia de valor e a elaboração de balanços ditos “sociais” ou de “sustentabilidade”.

O diálogo com as partes interessadas exige estrutura e método, pois envolve consumidores, comunidades, sindicatos, autoridades reguladoras, organizações não governamentais, organismos financiadores e mesmo os concorrentes.

Nada disso é novidade nem há o risco de que se trate de uma nova moda, pois já há um razoável consenso de que essa tendência é inexorável. Extraordinário é o vigor com o qual as empresas estão sendo naturalmente impelidas a adotar essas posturas, assim como o grau de profissionalismo que já pode ser observado na implantação das ferramentas e modificações organizacionais necessárias para que tais mudanças sejam efetivas.

As empresas brasileiras têm todo interesse em aprender esse novo idioma de negócios e alcançar o mais rapidamente possível essa “maioridade”. Sem isso, terão crescentes dificuldades em um mercado global cada vez mais sofisticado e seletivo.

Sérgio de Albuquerque e Mello é o diretor geral do Grupo Bureau Veritas para o Brasil, que atua na área de gestão ambiental e responsabilidade social.

  
  

Publicado por em