Brotas e o ecoturismo, uma alternativa de desenvolvimento

Por Eurípedes Ed. Ramon O município de Brotas, localizado na região de São Carlos, interior de São Paulo, teve sua origem como local de parada daqueles que se dirigiam às minas em busca de riquezas. Seu progresso, assim como sua decadência, esteve vi

  
  

Por Eurípedes Ed. Ramon

O município de Brotas, localizado na região de São Carlos, interior de São Paulo, teve sua origem como local de parada daqueles que se dirigiam às minas em busca de riquezas. Seu progresso, assim como sua decadência, esteve vinculada a expansão da cultura cafeeira no interior do estado.

Desde seus primórdios, Brotas, com 106.200 alqueires de terra, teve sua economia centrada na agricultura e na pecuária, e assim permanece nos dias atuais. Hoje, a predominância é do eucalipto, destinado às fabricas de papel e celulose, ocupando 16.600 alqueires. Em seguida, a cana de açúcar ocupa uma área de 14.200 alqueires. A laranja também tem uma porcentagem expressiva, ocupando 8.364 alqueires de terra. O café, outrora tão expressivo, ocupa uma área pequena, de aproximadamente 330 alqueires, dentro da área de 8.364 destinadas a outras culturas como o abacate, a goiaba e outras.

Além da mudança da cultura principal, hoje a produção está mais diversificada, ainda que sutilmente. No entanto, a pecuária se sobrepõe à agricultura em extensão. Já na década de 90, o município encontrou no ecoturismo, uma nova alternativa de desenvolvimento.

Por ecoturismo podemos entender que ele é uma “viagem responsável a áreas naturais, visando preservar o meio ambiente e promover o bem-estar da população local”, sua essência está em oferecer ao turista uma experiência rica e autêntica de vivência junto aos ecossistemas. Este utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas.

Descer o Rio Jacaré-Pepíra de bóia, nadar em suas águas limpas e desfrutar das belezas do Parque dos Saltos, são atividades que sempre fizeram parte da vida dos cidadãos brotenses. Mas o ecoturismo como alternativa para o desenvolvimento econômico é um fenômeno bem mais recente. No ano de 1992, um curtume vindo da cidade de Campinas, de onde havia sido banido pelo crescimento urbano, buscou um lugar de pouca perspectiva de crescimento. A tentativa de instalação se deu no município de Brotas. Porém, sendo esta uma atividade não compatível com a preservação ambiental, este incidente gerou um movimento de resistência às atividades que pusessem em risco a preservação do meio ambiente no município, desencadeando a criação de uma ONG, o Movimento Rio Vivo. Este, ampliando a participação da comunidade, além de conseguir o impedimento em relação à instalação do curtume, também retomou as discussões e ações quanto à preservação e educação ambiental, outrora já desenvolvidas.

Criada a Secretaria Municipal de Meio Ambiente em 1993 e, estando consolidada uma parceria entre o poder púbico e a sociedade civil, um importante passo foi à catalogação da oferta turística do município e a proposta de um caminho alternativo para o desenvolvimento econômico do município. Ainda no ano de 1993, alguns membros da ONG Rio Vivo fundaram a primeira agência de Ecoturismo do município de Brotas, denominada Mata’dentro Ecoturismo e Aventura... Hoje, o “turismo sustentável”, slogan da cidade, está entre as principais atividades econômicas do município, se não for a principal.

Entendendo-se desenvolvimento sustentável como um processo que visa melhorar as condições das comunidades, respeitando os limites impostos pela natureza, em outras palavras, um “desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem também as suas necessidades”, Ignacy Sachs propõe cinco quesitos de sustentabilidade que devem ser respeitados para se engajar na tentativa de alcançar um desenvolvimento sustentável, ou o ecodesenvolvimento. São eles:

· sustentabilidade ambiental: diz respeito à capacidade de suporte dos ecossistemas associados de absorver ou se recuperar das agressões derivadas da ação do homem;

· sustentabilidade social: consolidação de um novo processo de desenvolvimento que centre suas atenções no ser humano, atender desde as necessidades materiais como as não-materiais. Busca-se além de um crescimento econômico sustentável melhorar significativamente as condições de vida e os direitos de toda a população;

· sustentabilidade espacial: esta voltada à questão da configuração territorial urbana e rural, e também a melhor distribuição territorial das atividades econômicas e dos assentamentos humanos;

· sustentabilidade cultural: apesar das mudanças que se dão na sociedade deve-se conservar a base cultural existente, além disso incentivando a busca de soluções particulares que respeitem as características do ambiente e das tradições locais;

· sustentabilidade econômica: alocação mais eficiente de recursos, significa menores desperdícios, tanto no setor privado como no publico. A eficiência econômica deve ser avaliada mais em termos macrossocias do que apenas por meio de critérios de lucratividade microempresarial.

Devemos nos lembrar que embora todas características acerca do turismo de cunho ecológico, esta atividade não deixa de ser uma atividade de compra e venda, de um serviço, ou mesmo de um bem, assim todos cuidados são necessários para evitar os impactos negativos que essa atividade pode gerar. Alem do mais, ninguém pode garantir que uma atividade seja totalmente sustentável, afinal, os impactos negativos aparecem geralmente no médio e longo prazo, e o mercado busca o lucro no curto prazo. È válido lembrar que o desenvolvimento sustentável é um processo continuo, e bastam algumas pessoas despreparadas para desvirtuarem suas premissas e colocarem em risco a cultura e o meio ambiente de uma localidade.

O Poder Público têm despedido grandes esforços, em todas as áreas, até mesmo para conseguir o Titulo de Estância Turística. No entanto, alguns problemas têm surgido pela ótica ambiental. Não existem muitos estudos de capacidade de carga, nem um sistema de rodízio de trilhas. Iniciativas importantes em andamento são a construção da Agenda 21, o monitoramento da qualidade do ar de das águas do Jacaré Pepira, entre muitos outros. Nos outros quesitos o município parece estar se sustentando.

Para quem conheceu a cidade dez anos atrás os impactos foram grandes, principalmente no tocante a infraestrutura. Hoje sua população esta próxima aos 20 mil habitantes, a cidade conta com mais de 12 agências de turismo, mais de 10 opções entre hotéis e pousadas, além de 05 alternativas na categoria hospedagem rural e mais 06 campings, números esses que continuam a crescer.

No tocante a alimentação, a cidade conta com aproximadamente 28 opções entre lanchonetes, pizzarias e restaurantes, dos quais vários destes estão localizados nas fazendas. No calendário cultural e esportivo, que compreendem festas religiosas, eventos tradicionais, além dos esportivos constam 15 eventos.

Outras 15 cidades da região se uniram a Brotas, que está “puxando a carruagem” para oferecerem um produto regional em termos de turismo. É o chamado CODETUR: Comitê de Desenvolvimento do Turismo da Região Centro Paulista. Vale a pena conhecer a região.

Eurípedes Ed. Ramon é Economista - CTA, Corecon 29.490-1, foi coordenador do Orçamento Participativo no município de Santa Bárbara d’Oeste durante os anos de 2000 e 2001. Leciona em escola estadual e atua como consultor do Projeto Empreender, do Sebrae, na cidade de Cosmópolis. E-mail: ramon.eer@uol.com.br

  
  

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