ECOTURISMO - Cuidar enquanto é tempo

Definir áreas de preservação, estabelecer objetivos de conservação e o grau de restrição dos principais patrimônios naturais do País é missão do Snuc. Capa da Edição 31 da Revista Gerenciamento Ambiental Sem dúvida, o Brasil é um país de riqueza n

  
  

Definir áreas de preservação, estabelecer objetivos de conservação e o grau de restrição dos principais patrimônios naturais do País é missão do Snuc.

Capa da Edição 31 da Revista Gerenciamento Ambiental

Capa da Edição 31 da Revista Gerenciamento Ambiental

Sem dúvida, o Brasil é um país de riqueza natural invejável. São cerca de 8 mil quilômetros de praias, 10% de todas as florestas e quase 20% de toda a água doce do planeta. A beleza do cenário estimula o ecoturismo e o turismo de aventura. Segundo dados da Associação Brasileira de Esportes de Aventura (Abea), o setor já responde por um faturamento estimado em cerca de R$ 200 milhões anuais, com taxas de crescimento de 20% ao ano.

Os números deveriam ser motivo de comemoração, não fosse a devastação que muitas vezes traz atrelada. Isso porque ainda falta consciência e estrutura em todas as esferas da sociedade. Um exemplo do que a exploração desenfreada e desorganizada pode causar é a Mata Atlântica. Dos 1,3 milhões de km² originais restam apenas 7%.

Instituído em 2000, pela Lei 9.985, o Snuc (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) veio para estabelecer critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação. Essas unidades são porções delimitadas do território nacional que apresentam elementos naturais de importância ecológica ou ambiental. A definição de cada área se baseia em suas características naturais e estabelece os principais objetivos de conservação e o grau de restrição à intervenção antrópica.

As unidades de conservação são divididas entre unidades de proteção integral (de uso indireto) e unidades de uso sustentável (de uso direto). O primeiro grupo é composto por categorias como: Estação Ecológica, Reserva
Biológica, Parque Nacional, Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre, que são consideradas zona rural, para os efeitos legais. As áreas de uso sustentável englobam as seguintes categorias: Área de Proteção Ambiental, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva Extrativista, Reserva da Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural.

O Snuc está baseado nas categorias de áreas de proteção da União Internacional de Conservação da Natureza, que é a classificação aceita e consolidada em nível internacional.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil dispõe hoje de 2,61% de seu território constituído de unidades de proteção integral e 5,2% de unidades de uso sustentável. As unidades de conservação federais administradas pelo Ibama somam aproximadamente 45 milhões de hectares, sendo 241 unidades de conservação de uso direto e indireto. Há ainda as unidades de conservação administradas pelos governos estaduais, que somam cerca de 22 milhões de hectares.

“A classificação visa definir quais os objetivos e manejos adequados para cada área. Há unidades de conservação que não permitem visitação, são exploradas apenas por pesquisadores e para ações de educação ambiental”, explica o Coordenador Geral de Unidades de Conservação do Ibama, Ivan Baptiston. “Entre os parques nacionais, 37 recebem visitação. Os demais não estão preparados para isso por não possuírem planos de manejos”, conta.
O plano de manejo é o documento que define as diretrizes de gestão e implementação de uma unidade de conservação, tendo sido elaborado de forma participativa e fundamentado em critérios técnico-científicos e legais.
Os planos de manejo do Parque Nacional da Amazônia e as Florestas Nacionais de Itaituba I e II, aliás, serão elaborados e revisados com base nas informações que serão levantadas pelos estudos da Sapopema (Sociedade e Pesquisa para Proteção do Meio Ambiente), inaugurada em agosto, em Santarém, no Pará.

As unidades de conservação serão foco da primeira pesquisa realizada pela sociedade. Juntas, as unidades respondem por 1,5 milhão de hectares de floresta amazônica e compõem o Corredor de Biodiversidade Sul-Amazônico.

As atividades incluem o mapeamento da região, inventários e monitoramentos de biodiversidade e diagnósticos participativos das comunidades no entorno das áreas protegidas.

A nova entidade é formada por professores e pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará). O objetivo principal do trabalho é promover, incentivar e apoiar a conservação da biodiversidade amazônica.

Bureau Brasil

Com o objetivo de organizar a comercialização dos serviços e destinos brasileiros para o mercado internacional, foi lançado em agosto o Bureau Brasil de Ecoturismo, Aventura e Mergulho. A criação do bureau foi anunciada pelo Ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, durante a Adventure Sports Fair, feira realizada em São Paulo. A entidade conta com incentivo e apoio da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo).
De direito privado e sem fins lucrativos, o bureau é formado por dez operadoras de turismo de atuação nacional. Esse, aliás, é o critério utilizado para fazer parte da entidade. A idéia é permitir que os resultados sejam multiplicados entre operadoras e comunidades locais pelo Brasil. As principais atribuições do bureau são: promoção, divulgação e comercialização dos produtos turísticos no exterior, em parceria com o poder público e o terceiro setor; apoio e incentivo à produção de pesquisas do mercado e ao desenvolvimento tecnológico aplicado às práticas desses segmentos; consolidação da cadeia produtiva e multiplicação das ações entre operadoras e comunidades locais.

Segundo o presidente da Embratur, Eduardo Sanovicz, a entidade dá visibilidade ao setor e amplia o volume de negócios e clientes. A Embratur incentiva a criação de bureau por segmento turístico, que congregue empresas e profissionais para incrementar a comercialização no mercado internacional. Também com estímulo do Instituto, já estão consolidados os bureau de Golfe e Resorts, além do bureau de Pesca Esportiva, lançado também em agosto.

De acordo com a Embratur, a criação do bureau faz parte da estratégia de aumentar a entrada de visitantes internacionais e de moeda forte no País. A meta do Plano Nacional de Turismo é alcançar, em 2007, o ingresso de 9 milhões de turistas estrangeiros e de US$ 8 bilhões em divisas.

Há unidades de conservação que não permitem visitação, são exploradas apenas por pesquisadores e para ações de educação ambiental

Investimentos para conservação

Lançado em agosto, o Programa para a Conservação da Biodiversidade nos Sítios do Patrimônio Natural do Brasil vai beneficiar cinco sítios reconhecidos até o ano 2000. Nesta primeira etapa serão beneficiados o Parque Nacional de Iguaçu, os complexos de áreas protegidas da Costa do Descobrimento e das Reservas do Sudeste, a Área de Conservação do Pantanal e o Parque Nacional do Jaú. Serão investidos US$ 4,5 milhões para consolidar os diversos sítios brasileiros e estabelecer uma gestão coordenada de ações nos níveis nacional, estadual e municipal.

“Esse programa é uma parceria que promove resultados qualitativos, muito mais significativos do que se nós fôssemos fazer o trabalho separado, seja as entidades de cooperação internacional, seja governo, seja as entidades da sociedade civil”, disse o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, durante o lançamento do programa.

Na primeira fase do programa, prevista para quatro anos, serão executadas ações estruturais em cada um dos cinco sítios, tais como proteção de espécies e ecossistemas, conscientização pública e educação ambiental, treinamento e promoção de ecoturismo ou outras iniciativas de desenvolvimento socioeconômico sustentável. Na segunda fase, serão inseridos os novos sítios reconhecidos após o ano 2000.

Turismo responsável

Incentivar a prática do turismo responsável em ambientes naturais é o principal objetivo do portal Ecoviagem, que lançou recentemente a segunda versão da Campanha Conheça, Preserve e Faça Turismo Responsável. Trata-se de um vídeo educativo veiculado na Internet pelo próprio portal e mais 50 sites parceiros, entre ONGs, agências, hotéis e empresas que
apóiam o turismo responsável.

Ao final da apresentação, o internauta pode acessar três áreas do portal que contam com dicas e informações aos turistas. Segundo o diretor do portal e idealizador da campanha, Marcelo Maestrelli, o grande objetivo é promover uma ação voltada à educação. “Praticar ecoturismo é praticar turismo responsável, sustentável, consciente, valorizando a comunidade e a cultura do local. O turista também tem de saber identificar os hotéis e pousadas que respeitem o meio ambiente”, explica.

De acordo com o diretor do portal, o Ecoviagem recebe por mês cerca de 150 mil visitas. “Buscamos patrocínio para ampliar a campanha, pois estamos começando a mudar nossa mentalidade, mas ainda há muito que fazer para evitar que nossa riqueza natural seja destruída”, afirma. Uma das idéias de Maestrelli é promover palestras de capacitação em locais mais carentes.

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Reportagem publicada na seção `Em Foco` da `Revista Gerenciamento Ambiental` - Edição 31
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A revista Gerenciamento Ambiental é uma publicação especializada cujo objetivo é divulgar soluções para os problemas das indústrias no que se refere ao: Tratamento de Efluentes Líquidos, Tratamento e Reutilização de Águas; Coleta, Disposição, Reciclagem e Tratamento de Resíduos Sólidos (Lixo); Recuperação de Áreas Degradadas e Sítios Contaminados; Controle de Emissões Atmosféricas.

  
  

Publicado por em

Odila

Odila

07/04/2010 11:38:01
Boa tarde!
Preciso entrar em contato com a revista gestão ambiental. Vocês podem informar o tel. para contato?
Abs
Odila

Equipe EcoViagem

Equipe EcoViagem

Olá Odila, Acesse este site e encontre os dados da revista: [[http://rbga.gvaa.com.br/ abraços, equipe|]] EcoViagem
Errolflynn de Souza Paixo

Errolflynn de Souza Paixo

13/01/2010 01:42:50
O snuc é um instrumento legal e necessário, porém ele por si só não resolve o problema da degradação ambiental, é preciso assegurar e fazer valê os saberes das comunidades tradicionais, acredito eu, que valorizando esses conhecimentos e agregando a tecnologia,teremos com certeza o início do tal desenvolvimento sustentável.

Errolflynn de Souza Paixo

Errolflynn de Souza Paixo

13/01/2010 01:42:16
O snuc é um instrumento legal e necessário, porém ele por si só não resolve o problema da degradação ambiental, é preciso assegurar e fazer valer os saberes das comunidades tradicionais, acredito eu, que valorizando esses conhecimentos e agregando a tecnologia,teremos com certeza o início do tal desenvolvimento sustentável.