Ecoturismo: Cúpula Mundial define as diretrizes mundiais

Por: Sergio Salazar Salvati Um encontro com forte conotação política, apresentações de dezenas de planos e estudos e muito pouco de experiências praticas exitosas. Em breves palavras, assim pode ser definido a Cúpula Mundial de Ecoturismo, que ocorre

  
  

Por: Sergio Salazar Salvati

Um encontro com forte conotação política, apresentações de dezenas de planos e estudos e muito pouco de experiências praticas exitosas. Em breves palavras, assim pode ser definido a Cúpula Mundial de Ecoturismo, que ocorreu em Quebec, Canadá, de 19 a 22 de maio, organizado pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP) e pela Organização Mundial de Turismo (OMT), como evento oficial do Ano Internacional de Ecoturismo.

Porem, cerca de 1100 participantes de 130 diferentes países aclamaram no dia 22 de maio a Carta da Cidade de Quebec. O documento traz as principais recomendações e diretrizes para governos, empresas privadas, entidades não﷓governamentais, acadêmicas de pesquisa, agências de fomento e investimentos, municípios e comunidades envolvidas com o ecoturismo, atividade que vem apresentado forte crescimento desde a Conferencia RIO 92.

Foi destacada a importância de se desenvolver novas técnicas para se mensurar os custos e benefícios do ecoturismo não somente em termos ambientais, mas também econômicos e sociais. E quanto a estes benefícios, houveram polêmicas e debates calorosos, principalmente por parte de ONGs e estudiosos de países em desenvolvimento, que alegam que as comunidades locais e povos indígenas estão relegados a segundo plano nas tomadas de decisão, e que devem ter o direito de acompanhar o desenvolvimento do ecoturismo. E também por decidir se desejam sua implantação em suas regiões.

As apresentações brasileiras foram competentes, mas não geraram maiores debates ou inquietações. Os dois projetos de desenvolvimento de pólos de ecoturismo no Brasil, desenhado pelo Ministério de Meio Ambiente para a Amazônia, e para o resto do Brasil pela EMBRATUR, parecem ter sido vistos com simpatia pelo publico. E o mesmo se pode dizer do projeto de formação de um cluster (diagnostico e otimização de oportunidades) do ecoturismo no cinturão verde da cidade de São Paulo.

Apesar da aparência de chapa branca, os bastidores da Cúpula foram muito proveitosos para os diversos interesses em jogo no ecoturismo mundial. Em salas, corredores e ate durante as refeições, elegantemente servidas pelo Governo de Quebec, reuniões paralelas pareciam decidir o futuro da atividade. Negócios, investimentos, eventos futuros, acordos e resoluções de conflitos foram definidos com eficiência, sob o oficialismo dos discursos politicamente corretos das conferências.

E dez anos depois da RIO 92, Johanesburgo pode vir a incluir o ecoturismo e turismo sustentável com um dos temas centrais da Conferencia RIO + 10, em setembro. O turismo convencional, chamado de turismo de massa e altamente impactante dos destinos turísticos foi duramente questionado pelos especialistas, os quais vem clamando pela adoção por parte de governos e iniciativa privada, de procedimentos mais consistentes para que o turismo reduza a poluição, a degradação das paisagens, as ameaças à biodiversidade e a descaracterização de povos e culturas tradicionais.

E ficou também uma interrogação. O turismo que adota princípios de sustentabilidade e responsabilidade será acessível para os viajantes de todos povos? E promovera a geração de amplos benefícios sociais e econômicos nos destinos, além de recursos para a conservação da natureza? A resposta vira a partir do momento que os governos e as empresas privadas adotarem uma nova visão para seus projetos: a visão do turismo sustentável. E também por parte dos turistas do primeiro mundo, a grande maioria dos mais de 600 milhões de viajantes anuais, que não devem levar seus hábitos urbanos de consumo para os destinos turísticos, educando﷓se para uma maior integração à rusticidade e padrões culturais locais.

Sergio Salazar é biólogo e coordenador do Programa de Turismo e Meio Ambiente do WWF﷓Brasil, além de coordenar o Programa de Ecoturismo do CET / UnB. Atualmente se encontra no centro das discussões brasileiras para a normatização do ecoturismo em nosso país, e esteve presente na Cúpula.

  
  

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