Evolução do Ecoturismo

Por Eurípedes Ed. Ramon A modalidade de turismo denominada turismo ecológico, ou simplesmente ecoturismo, constitui-se um dos alicerces na tentativa de alcançar um modelo sustentável de desenvolvimento. Por ecoturismo podemos entender que ele é uma

  
  

Por Eurípedes Ed. Ramon

A modalidade de turismo denominada turismo ecológico, ou simplesmente ecoturismo, constitui-se um dos alicerces na tentativa de alcançar um modelo sustentável de desenvolvimento. Por ecoturismo podemos entender que ele é uma “viajem responsável a áreas naturais, visando preservar o meio ambiente e promover o bem-estar da população local” (WESTERN, 1999). É um fenômeno característico do final do século XX, e ao que se percebe do século XXI.

Podemos dizer convictamente que as raízes deste segmento do turismo encontram-se na natureza, esta constitui o palco da atividade. O turismo realizado ao ar livre foi a atividade progenitora desta modalidade.

Os primeiros ecoturistas foram aqueles que há um século chegaram aos parques americanos como o de Yellowstone, os que escalaram o Himalaia e outros montes, enfim pesquisadores como Charles Darwin, esportistas e aventureiros que fazendo do meio ambiente o cenário para realização de suas atividades também se preocupavam com a preservação da natureza. No entanto era uma preocupação passiva, essas atividades não possuíam o intuito de ser um meio de preservação. Também é obvio que no passado, esses pesquisadores ou aventureiros ocasionais não provocavam nenhum impacto socioeconômico significativo como acontece nos dias de hoje.

O século XX vislumbrou a evolução do ecoturismo além da significativa mudança das excursões às áreas naturais. O maior exemplo disto é observado na África. Os safáris de caça que se realizavam no começo do século XX com o intuito de capturar grandes cabeças de animais como rinocerontes, leões ou elefantes, dizimavam grandes populações desses animais ano a ano. Com o passar das décadas foram substituídos por safáris fotográficos que já eram comuns nos anos 60. Percebeu-se que esses animais vivos eram mais lucrativos do que mortos. Para que o ecoturismo alcançasse as dimensões hoje alcançadas o trabalho das Organizações Não Governamentais – ONGs - foi também fundamental. Outro grande impulsionador do turismo ecológico foi sem dúvida os documentários em vídeo sobre viagens e sobre a natureza, populares nos finais da década de 70.

No entanto, o turismo de massa a essas áreas continuou por muito tempo depredando habitats naturais, molestando animais, destruindo a natureza e muitas culturas. Felizmente comportamento foi sendo mudado e os visitantes hoje estão mais conscientes do valor das diferentes formas de vida, do dano ecológico e cultural que podem provocar.

Para que o turismo se desenvolva de maneira que se preserve sua atratibilidade, ou seja, que ao longo do tempo, seus atrativos continuem intactos e motivando a vinda de turistas, é necessário muito cuidado no planejamento. Para isso, deve ser elaborado um detalhado Plano de Desenvolvimento Turístico, que é entendido como uma ordenação das “ações do homem sobre o território e ocupar-se em direcionar a construção de equipamentos e facilidades de forma adequada evitando, dessa forma, os efeitos negativos nos recursos, que os destroem ou reduzem sua atratividade” (RUSCHMANN, 1997). Nele deve constar o potencial da área a ser trabalhada, o nível de turismo desejado, a normatização da atividade e as maneiras de se chegar aos objetivos.

Por oferta turística pode-se entender produtos, bens ou serviços que um município ou localidade tem a oferecer para as pessoas que o visitam.
Em função de sua estrutura, complexidade e heterogeneidade, a oferta turística resulta na composição de um conjunto de atividades, tanto econômicas como sociais e culturais. Ela compreende os atrativos em geral como recursos naturais, históricos e culturais; infraestrutura em geral como meios de hospedagem; alimentação; transportes; entretenimento; serviços de apoio ao turista; e outros. A quantidade de bens e serviços consumidos pelos visitantes caracteriza-se demanda turística.Além da qualidade das destinações turísticas, da infra-estrutura oferecida ao visitante, a originalidade do lugar é freqüentemente avaliada. A essência do ecoturismo está em oferecer ao turista uma experiência rica e autêntica de vivência junto aos ecossistemas. Associados a isto são propiciados condições de conforto, aconchego e recreação, disponibilidade de equipamentos turísticos característicos e diferenciados, além do importante incentivo às práticas conservacionistas.

Freqüentemente, várias outras associações são feitas ao turismo ecológico em vista de uma estreita relação existente entre os princípios dessas atividades, são exemplos mais comuns os esportes de aventura; um turismo de cunho histórico-cultural, onde monumentos e velhas edificações constituem parte da oferta turística; o turismo de saúde e outros.

Em se tratando de ecoturismo, um importante segmento são os esportes radicais. Estes têm sido os grandes impulsionadores do ecoturismo no Brasil, e também no mundo. O trekking, o montain-bike, as cavalgadas, a tirolesa, o cannoing, o floating, o rafting, o rappel e a pesca esportiva são algumas das diversas opções existentes.

As diferentes modalidades de ecoturismo podem ainda ser praticadas no ambiente natural como no ambiente rural, em vista de sua grande relação com este meio. Deve-se diferenciar os termos Turismo Rural e Turismo no ambiente rural, ou meio rural.

Por turismo rural define-se “uma forma alternativa de turismo pela qual as propriedades rurais que possuem atividade produtiva passam a oferecer diversos tipos de serviços turísticos como hospedagem, alimentação, passeios, venda de produtos locais, além da oportunidade para os visitantes desfrutarem diferentes ambientes rurais, em estreito contato com a natureza e com costumes fora do ambiente urbano” (NOVAES, 1999).

O termo Turismo no Meio Rural, engloba muitas outras oportunidades de implantação, além daquelas atividades típicas dos sítios e fazendas. Elas constituem das diversas modalidades de turismo, como: turismo rural, turismo ecológico, turismo de aventura, turismo de negócios, turismo histórico-cultural, turismo de saúde, e turismo esportivo. Nesse conceito incluem-se, os spas rurais; centros de eventos, e convenções rurais e treinamento de executivos; caminhadas; visitas a parentes e amigos; visitas a museus, igrejas, monumentos, e construções históricas. Entende-se que o turismo no meio rural, mais abrangente, envolve também outras atividades não relacionadas com propriedades de produção agropecuária.

Seu desenvolvimento em sítios e fazendas pode auxiliar, além da geração de empregos, geração de renda, preservação da cultura e do ambiente, num problema comum de países subdesenvolvidos: o êxodo rural.

O Brasil é um país com vocação natural para o ecoturismo. Sua grande diversidade cultural e sua ampla extensão territorial, propiciam uma oferta turística das mais variadas, fazendo com que o Brasil seja uma atração para os próprios brasileiros, permitindo ainda a prática da maioria das modalidades de turismo ecológico e também de esportes de aventura.

Mesmo após séculos de exploração predatória, os ecossistemas brasileiros guardam inúmeros e notáveis encantos, ainda praticamente inexplorados do ponto de vista do ecoturismo. Com iniciativa e estratégia dos agentes públicos e privados pode-se protegê-los, gerando emprego, renda e grande oportunidade de novos negócios.

Dia a dia, novas apostas no turismo ecológico surgem na tentativa de dinamizar pequenas comunidades. Todas as cinco regiões do país têm potencial suficiente para apostar no turismo ecológico e todas elas possuem pólos já consagrados. Mas, segundo um estudo da EMBRATUR, a sinalização é insuficiente, e melhorias na infraestrutura são desejáveis na grande maioria dos lugares. O Poder Público ainda é um dos grandes responsáveis pelo impulso inicial que deve ser dado a essa, como a varias outras atividades, e também, um dos responsáveis pelos cuidados para que a atividade se perpetue.

Bibliografia
WESTERN, David. Definindo ecoturismo. In: LINDBERG, Kreg. HAWKINS, E. Donald.(editores) Ecoturismo: um guia para planejamento e gestão. São Paulo: Senac, 1999. 2. ed. P. 13 – 22.

RUSCHMANN, D. V. M. Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. Campinas: Papirus, 1997. 6.ed. 199p.

NOVAES, Marlene Huebes. O turismo no espaço rural de Joinville, S. C. na ótica do planejamento. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TURISMO RURAL: turismo no espaço rural brasileiro, 1, 1999, Piracicaba. Anais... Piracicaba: Fealq, 1999. p. 193 - 199

Eurípedes Ed. Ramon é Economista - CTA, Corecon 29.490-1, foi coordenador do Orçamento Participativo no município de Santa Bárbara d’Oeste durante os anos de 2000 e 2001. Leciona em escola estadual e atua como consultor do Projeto Empreender, do Sebrae, na cidade de Cosmópolis. E-mail: ramon.eer@uol.com.br

  
  

Publicado por em

Alice myrelle

Alice myrelle

02/02/2009 17:53:41
gostei amo ecologia