Micro-Redes de Turismo de Base Comunitária: A Experiência do V Fórum Social Mundial

Por: Enrique Blanco Em sua quinta versão, o Fórum Social Mundial se consagra como um espaço democrático onde a discussão dos grandes temas sociais, políticos econômicos e culturais, permite que sejam apresentadas propostas inovadoras a fim de atender à

  
  

Por: Enrique Blanco

Em sua quinta versão, o Fórum Social Mundial se consagra como um espaço democrático onde a discussão dos grandes temas sociais, políticos econômicos e culturais, permite que sejam apresentadas propostas inovadoras a fim de atender à crescente demanda da sociedade por soluções definitivas dessas questões. Todavia, algumas dessas propostas nem sempre são implementadas, pois dependem de tantos fatores complexos, que ficam relegadas à boa vontade de seus divulgadores. Na maioria das vezes, problemas complexos exigem soluções não menos complexas. Grandes temas trazem essa dificuldade para quem se propõe a enfrentá-los, o que não deve desencorajar o debate constante e a formulação de medidas propositivas, pois essas ações sempre apontam novos caminhos.

Foi com essa esperança que 155 mil participantes se encontraram em mais de 2.500 atividades, contanto com 6.872 organizações de 155 países. O Fórum contou com 498 espaços temporários, 400 atividades culturais e 11 espaços temáticos. A organização do Evento dispôs de 3.100 voluntários, dos quais 1.200 atuaram na tradução de 16 idiomas. Com o objetivo de divulgar o que estava se passando no Fórum, 5.421 jornalistas de 69 países tiveram à disposição 700 computadores e mais de 100 mil pontos de acesso à Internet. Obviamente, esses números impressionam. No entanto, o FSM não representou apenas o lugar de encontro dos grandes temas, com números grandiosos e envolvendo milhares de pessoas.

Após todos esses anos de experiência, o Fórum criou as condições de possibilidade para a geração de micro-redes de cooperação mútua entre seus participantes, ou seja, um sistema orgânico de trocas de informações e experiências que é construído pelos próprios integrantes das oficinas e seminários voltados para ações de desenvolvimento local. O ambiente informal e participativo permite a interação entre os coordenadores e gestores de projetos que estão acontecendo, ora em municípios do extremo sul do país, ora em vilas afastadas da selva amazônica, ou até em outros países amigos. Essa troca de experiências entre os que promovem projetos em suas localidades complementam e expandem os conhecimentos adquiridos, podendo ser compartilhados entre os atores sociais em benefício de todos. Não são milhares de participantes, mas eles realmente fazem a diferença, pois estão envolvidos em ações particulares, dividindo avanços e limites de atividades comuns, que começam de maneira tímida nas localidades onde são desenvolvidas e vão ganhando corpo no enfrentamento diário dos problemas cotidianos, tornando realidade o que era apenas uma proposta. Conceitos como gestão participativa e solidária, cooperativismo, consumo responsável, economia solidária, participação popular, autogestão, desenvolvimento local sustentável não são meras palavras direcionadas à platéia. São meios que direcionam ações concretas de inúmeros empreendimentos bem realizados, que ao aportarem no território do V FSM, tornaram-se ainda mais eficientes e complementares devido à troca de informações e experiências. Dentre as diversas oficinas e encontros, um dos mais profícuos foi, sem dúvida, a interação promovida pelos participantes do seminário de turismo de base comunitária.

UM OUTRO TURISMO É POSSÍVEL

Pensar o turismo de forma abrangente, envolvendo e engajando os cidadãos, para promover o desenvolvimento socioeconômico local e fortalecer as culturas tradicionais, a partir da perspectiva da sustentabilidade. Esse foi o eixo central dos encontros promovidos pelo Espaço E, do Fórum Social Mundial - `Afirmando e defendendo os bens comuns da terra e dos povos: como alternativa à mercantilização e ao controle das transacionais`. O Espaço E contou com cinco Seminários: `Dimensões da desigualdade no desenvolvimento do turismo e o impacto na vida das mulheres`, criticando o modelo de desenvolvimento do turismo e seus resultados negativos para as mulheres; `Livre comércio, turismo e desenvolvimento: uma análise de tendências, impactos e estratégias`, analisando a liberalização do turismo dentro do Acordo Geral Sobre Serviços (GATS) da Organização Mundial de Comércio (OMC) e outros acordos de livre comércio regionais; `Turismo e pequenos estados insulares/zonas costeiras: desastres ecológicos iminentes? - Lições da tragédia do tsunami`, examinando os impactos do maremoto sob o ângulo da vulnerabilidade dos ecossistemas costeiros, os padrões insustentáveis de produção e consumo da sociedade moderna e da atividade turística, e os impactos das mudanças climáticas; `Estratégias de resistência frente aos impactos do turismo`, discutindo as estratégias de base comunitária no sentido do fortalecimento da resistência e autodeterminação dos povos, frente aos impactos de megaprojetos turísticos e outras atividades de grande impacto, como mineração, exploração petrolífera, etc., e `Turismo comunitário como instrumento de redução de pobreza e inclusão social`, um dos principais seminários desse Eixo Temático, pois apresentou experiências concretas de turismo que foram planejadas e desenvolvidas por comunidades locais, como alternativa para geração de renda, fortalecimento das culturas e identidades locais, tendo a premissa do desenvolvimento sustentável com princípio determinante.

De fato, o seminário `Turismo comunitário como instrumento de redução de pobreza e inclusão social` afirmou, apresentando dados e resultados tangíveis, a importância fundamental da gestão sustentável dos recursos naturais da região para o estabelecimento e sucesso da prática do turismo de base comunitária. Esse evento teve as participações do GT Turismo Sustentável da FBOMS (Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente), os Institutos Terramar e Terrazul, a ASPAC (Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural) da Amazônia, La Associacíon para la Defensa y Desarrollo de Kuelap (ADDK-Perú), a Ecumenical Coalition on Tourism (ECOT-Hong Kong) e a EQUATIONS da Índia. Todos os participantes estavam de acordo que o desenvolvimento do turismo é uma das formas para impulsionar as economias locais, a partir da possibilidade concreta do aumento dos níveis de geração de trabalho e renda e, consequentemente, a diminuição do nível de pobreza local. Contudo, se em alguns países desenvolvidos o turismo é encarado com fator preponderante no processo de desenvolvimento local e nacional, devido ao seu potencial para a melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas, nos países ditos em desenvolvimento, um caminho nesse sentido ainda tem que ser percorrido.

Para equalizar ações voltadas ao desenvolvimento do turismo local, os fundamentos do turismo de massa têm que ser evitados a todo custo. O modelo do turismo de massa tem transformado os potenciais do turismo local em sérios problemas para as comunidades receptoras. Ou seja, o que são dificuldades para o turismo de massa são soluções para o turismo de baixo impacto. Um dos exemplos é o caso da infra-estrutura. Obviamente, o turista necessita de toda infra-estrutura necessária para sua segurança e bem estar, mas o turista que se envolve em comunidades que promovem o turismo solidário ou de base comunitária, não espera nem deseja pousadas altamente sofisticadas, shopping-centers, boates, cybers-cafés, ou coisas do gênero. Agir em comunidades tradicionais com o mesmo modelo do turismo de massa provoca um impacto altamente negativo para essas regiões, devido ao grau de sensibilidade e fragilidade do modo de vida das populações locais e dos recursos naturais da região. Esse processo produz efeitos devastadores em relação à segregação espacial e social dos moradores, a perda da posse de terra devido à especulação imobiliária, a concentração de renda na mãos de quem explora o comércio e os serviços locais, a perda da identidade cultural das populações tradicionais, enfim, a drástica diminuição da qualidade de vida local. Outro fator perverso trazido pelo turismo de massa, que foi ressaltado pelos participantes, é em relação à mão-de-obra local. Como os serviços prestados por esse modelo de turismo demandam conhecimentos maiores do que são oferecidos pela população local, os empregadores dão preferência por mão-de-obra de outras regiões por causa da baixa formação técnica local. Todavia, isso forma um círculo vicioso perverso, pois nem o poder público local, nem os empregadores investem na formação e capacitação técnica da comunidade, achando mais fácil e econômico importar mão-de-obra de outras regiões. Quando muito, a mão-de-obra local serve para executar funções menos qualificadas e com baixo rendimento. O poder público fica omisso em relação a essa questão e o resultado é o aumento da pobreza e da exclusão social dos moradores dessas localidades. A conclusão é que o turismo de massa é excludente e segregador quando sua lógica é aplicada em locais que têm potencial para o turismo solidário ou de base comunitária. Para o desenvolvimento local sustentável, a lógica de implementação, produção e gestão dos recursos humanos e naturais tem que ser totalmente diversa.

REDUZINDO A POBREZA E A EXCLUSÃO SOCIAL: CONSTRUINDO UM OUTRO TURISMO

Para construir um novo modelo de turismo não predatório é necessário respeitar e preservar a cultura, os recursos naturais locais e o modo de vida tradicional das comunidades, pois esses são os principais bens que essas regiões têm a oferecer. Aproveitando, de maneira sustentável, os recursos naturais e o modo de vida local, através do turismo de base comunitária, os níveis de pobreza e de exclusão social das comunidades envolvidas diminuem sensivelmente. Impor a lógica do turismo de massa nessas regiões traz lucros para os grandes comerciantes que possuem os maiores empreendimentos, mas aniquila os principais atrativos das comunidades locais, pasteurizando e transformando o rural e as pequenas comunidades em simulacros mal construídos de cenários urbanos.

Para reverter esse quadro, a partir de uma nova proposta para o turismo, os participantes do seminário `Turismo comunitário como instrumento de redução de pobreza e inclusão social` apresentaram seus projetos. Paulo Sézio de Carvalho, do Centro de Estudos de Povos Ancestrais e Ambientes, que estuda a relação do turismo de base comunitária com os povos indígenas, expôs sua experiência em Candidópolis/MG. Ele ressaltou que um dos responsáveis pela divulgação e difusão da lógica do turismo de massa em localidades onde essas práticas são altamente impactantes, são os próprios profissionais de turismo, pois eles entendem o turismo apenas como um negócio. Em Candidópolis a situação é totalmente diversa, pois as pessoas que trabalham com o turismo são voluntários, e estão criando um micro-polo de turismo para região baseado em premissas bem consistentes. Desse modo, existe a possibilidade de se desenvolver um planejamento turístico regional consciente, em vez do modelo do turismo de massa, para que não aconteça em Candidópolis, o que está ocorrendo na região da Serra do Cipó/MG, onde Paulo Sézio coordena a implementação de um Ecomuseu. Em apenas 4km2, existem 120 pousadas na região da Serra do Cipó. Para Candidópolis, em vez de pousadas tradicionais, a bio-arquitetura é aplicada na construção de represas de peixes e nas hortas de agricultura orgânica. Paulo Sézio defende a idéia de que é necessário construir uma infra-estrutura sustentável, além de preparar e envolver os habitantes da região, antes de receber o fluxo turístico. Para tanto, o morador tem que ser o primeiro a se sentir bem onde mora, para depois receber seus parentes e amigos, construindo e reconstruindo as relações interpessoais de convivência. Após esse processo inicial, as pessoas estão preparadas para receberem os turistas regionais. Logo, é fundamental criar antecipadamente as condições propícias, preparando os moradores e uma infra-estrutura adequada às características locais, para a implementação de atividades de turismo de base comunitária.

Já para as áreas degradadas, onde não houve um planejamento turístico sustentável, a proposta de Paulo Sézio é criar um colegiado multidisciplinar para comunidades impactadas pelo turismo de massa como, por exemplo, o Parque Nacional da Serra do Cipó. Vários profissionais pensando soluções sustentáveis de remediação do local. O envolvimento da Embratur nesse processo é fundamental.

Outra experiência que apresenta resultados significativos é a comunidade de pescadores da Prainha do Canto Verde, litoral do Ceará, onde vivem cerca de 1.100 moradores que sobrevivem da pesca de forma sustentável. O objetivo do projeto de turismo da comunidade foi elaborado pelo Conselho de Turismo em 1997: `Desenvolver o turismo ecológico de forma comunitária para melhorar a renda e o bem-estar dos moradores - preservando os nossos valores culturais e os recursos naturais da nossa região`. Lindomar Fernandes, coordenador do projeto, parte do princípio que é necessário controlar o fluxo de turistas na comunidade dentro da capacidade de suporte do local. A Prainha do Canto Verde é o primeiro projeto que segue esse modelo de sustentabilidade no Ceará, trazendo ações inovadoras. Lindomar reconheceu os problemas iniciais, principalmente, para responder a questão de como uma vila de pescadores sem preparo, poderia se tornar uma comunidade de profissionais de turismo com princípios sustentáveis. A proposta de formar os moradores para depois receber os turistas, tal qual a experiência de Candidópolis, também obteve sucesso na Prainha. Cursos de gestão, oficinas de capacitação e a formação de uma cooperativa de turismo local foram as respostas. A cooperativa já trabalha a 4 anos e está conscientizando cada vez mais os habitantes da região. A cooperativa possui o coordenador-local de turismo e atualmente conta com 8 grupos de moradores, que devem fazer parte da Associação de Moradores, integrando assim as propostas e unido esforços. O morador passou a ser visto como morador-gestor de sua própria pousada, fazendo com que sua renda não ficasse concentrada, mas fosse dividida com os outros empreendedores. Os restaurantes também são de propriedade dos moradores. Desse modo, o turismo se desenvolve sem controle e intervenção de investidores externos, fazendo com que o lucro fique dentro da própria comunidade permitindo aos jovens permanecerem no local, gerando renda complementar para sua família, sem abandonar a pesca como atividade econômica principal. Toda essa conscientização de trabalho solidário e sustentável envolve e engaja os moradores da Prainha do Canto Verde em outras atividades fundamentais para o aumento da qualidade de vida da comunidade, provando que se o turismo for planejado e implementado seguindo o modelo da sustentabilidade e da participação auto-gestionada, os resultados vão muito além do que o turismo de massa pode trazer. O espírito de luta e organização da comunidade permitiu a criação da Associação dos Moradores com 300 membros, além dos Conselhos Comunitários nas áreas de educação, saúde e terra. Projetos de saúde neo-natal; ações para a melhoria do ensino fundamental; a criação do Coral Infantil - integrando as famílias; o desenvolvimento de embarcações alternativas (catamarãs); a criação do entreposto de comercialização do pescado; a construção de arrecifes artificiais - criando viveiros naturais de pesca diminuindo o consumo de diesel e facilitando a pesca; a Escola dos Povos do Mar/Escola de Pesca e a mobilização em favor da implantação da Reserva Extrativista da Marinha. Todo esse processo recebe o apoio fundamental dos Amigos da Prainha do Canto Verde e do Instituto Terramar, fortalecendo a luta da comunidade contra as constantes investidas da especulação imobiliária e da pesca predatória.

A Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC) da Amazônia, também trouxe sua contribuição para o Seminário. A Associação de Silves conta com o apoio do WWF-Brasil, através do Programa de Turismo e Meio Ambiente, adotando como estratégia o conceito de turismo responsável. A proposta é manter e incrementar a conservação dos recursos naturais e culturais dos destinos. Márcia Ruth Martins coordena o projeto de ecoturismo desenvolvido pela ASPAC na ilha de Silves, sendo o primeiro na Amazônia a integrar o turismo com a proteção da natureza em benefício da população local. O município de Silves é um dos mais antigos da Amazônia, sendo originário de uma missão indígena fundada em 1663, tendo atualmente, 32 comunidades ribeirinhas que dependem da pesca. O ecoturismo permitiu que as comunidades se unissem em torno da ASPAC e, com o apoio do WWF, se organizassem para lutar contra a retirada predatória dos peixes dos lagos fluviais e a expansão da pecuária nos campos de várzea. Tal como os exemplos de Candidópolis e da Prainha do Canto Verde, a participação da comunidade e a autogestão dos moradores são medidas fundamentais para o sucesso deste modelo de turismo sustentável. A pousada Aldeia dos Lagos, por exemplo, é gerida pela comunidade e a programação dos passeios tem a participação direta dos moradores, pois durante as caminhadas pela região, o turista visita as casas, pomares, roçados e a casa onde se faz a farinha e a pesca artesanal. Os turistas também conhecem a medicina florestal e as fábulas da região, contadas pelos próprios moradores, promovendo uma integração natural ao modo de vida dos habitantes locais. Parte da renda obtida com o ecoturismo é aplicada em ações para a conservação ambiental da várzea e dos lagos do município, através do zoneamento (planejamento do uso), estabelecendo diferentes categorias de aproveitamento: lagos santuários, lagos para procriação e lagos para pesca de subsistência e de pesca comercial. Todo o processo é fiscalizado pelas comunidades, além da associação local e do Ibama.

Foi também convidado a participar do Seminário, Rami Kassis, diretor executivo do Centro de Estudos de Grupos de Turismo Alternativo (ATC) da Palestina, relatando suas experiências com o turismo social solidário em áreas de conflito, como existe na Palestina. Rami Kassis ressaltou a importância fundamental do turista se envolver com a causa da comunidade a qual ele está visitando. Através da convivência do turista com a cultura local, o ambiente e o modo de vida da comunidade a sensibilização das pessoas pelas causas dos povos em conflito é uma conseqüência que pode ser facilmente verificada. Apesar da realidade trazida pelas experiências na Palestina serem bem distintas do caso brasileiro, ficou claro que o envolvimento do turista com a comunidade a qual ele está visitando só poder ser concretizada através de modelo de turismo alternativo e nunca por meio do turismo de massa. Nesse sentido, a apresentação de Rami Kassis comprova, a partir de uma experiência totalmente diversa, que o turismo alternativo, como o turismo de base comunitária e o turismo solidário, dependem necessariamente de regras bem estabelecidas que motivem o engajamento e a participação efetiva da comunidade, a fim de integrar o turista ao modo de vida local, e não o contrário, ou seja, modificar e alterar as características próprias da região para agradar ao turista. Desse modo, a população local deve estar no centro do planejamento, implementação e monitoramento das atividades turísticas.

Outra participação relevante foi de Gianni Capelloto, representante da Associação Italiana de Turismo Responsável, ao introduzir a questão da participação responsável das agências e agentes de turismo, na construção de um novo modelo de turismo não predatório. A idéia é promover a cooperação internacional de países interessados no desenvolvimento local da América Latina, tendo o turismo responsável como eixo central. O esclarecimento do turista europeu no sentido de não praticar o turismo sexual, por exemplo, é uma linha de atuação de associações européias em favor de um turismo responsável nos países da América Latina. Outra proposta de Gianni Capelloto é entender o turismo como parte do eixo de desenvolvimento e não como a única solução para os problemas das comunidades. Assim a proposta é elaborar uma rede nacional e internacional de experiências de turismo responsável, a fim de construir a articulação e a organização necessárias entre as experiências isoladas e particulares. Dessa maneira, se construiria uma espécie de fórum permanente de comunicação, articulação e difusão de projetos de turismo responsável, entre diversos países e localidades distantes.

Após todos os debates, os participantes concluíram que para a implementação de um novo modelo de turismo é fundamental não seguir a lógica do turismo de massa. A experiência do V Fórum Social Mundial, com os seminários voltados para o turismo de base comunitária, tendo as premissas da responsabilidade e da solidariedade como objetivos essenciais, foi o resultado de um caminho iniciado na Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável (09/2002 - Joanesburgo), tendo continuidade no Fórum Internacional de Turismo Solidário (09/2003 - Marseille), e chegando até o IV Fórum Social Mundial (01/2004 - Mumbai). Depois de todo esse percurso, podemos concluir que o V FSM teve um saldo extremamente positivo e, apesar de não podermos ainda responder se um outro mundo foi possível, acreditamos que se depender das micro-redes de relações construídas no Fórum, o turismo de base comunitária cada vez mais garantirá que um outro turismo será realmente possível.

Fonte: Enrique Blanco

Jornalista, graduado em Comunicação Social. Graduado em Filosofia pelo IFCS/UFRJ e pós-graduado em Filosofia Contemporânea pela UERJ. Participa como jornalista colaborador da Revista Senac & Educação Ambiental. É pesquisador associado do IVT e assistente de pesquisa do Espaço COPPE Miguel de Simoni Tecnologia e Desenvolvimento Humano, onde desenvolve atividades de divulgação científica.

E-mail: enrique@espaco.coppe.ufrj.br

  
  

Publicado por em

Francisco eduardo moura

Francisco eduardo moura

04/03/2010 14:49:38
Parabenizo-os pela matéria, vou trabalhar para desenvolver o TURISMO DE BASE COMUNITARIA aqui em minha cidade Ilhabela-SP. As comunidades precisam.