Abelhas e Mel

Há uns trinta anos, se bem me lembro, o Prof. Warwick Ker, uma das figuras mais proeminentes da Biologia e da Ciência brasileiras, tornou-se alvo de preocupações e animosidade por haver provocado, involuntariamente, um grave acidente de proporções interna

  
  

Há uns trinta anos, se bem me lembro, o Prof. Warwick Ker, uma das figuras mais proeminentes da Biologia e da Ciência brasileiras, tornou-se alvo de preocupações e animosidade por haver provocado, involuntariamente, um grave acidente de proporções internacionais: a dispersão das terríveis `abelhas africanas`, que chegou a constituir até motivo de filmes de terror!

O Professor Ker, na verdade, possuía a melhor das intenções. Profundo conhecedor da genética das abelhas, iniciou, num campus universitário do interior de São Paulo, cruzamentos entre uma raça de procedência africana, terrivelmente agressiva, porém dotada de muito maior produtividade e capacidade multiplicadora, e a raça difundida no Brasil, ordinariamente apelidada `abelha italiana`, visando obter uma variedade mais `mansa`, porém dotada da alta produtividade das africanas.

Procedendo com a máxima prudência, o professor havia colocado telas à saída de suas colméias, as quais permitiam a passagem das `operárias`, porém não a passagem das rainhas reprodutoras, muito maiores, confinando assim a variedade agressiva. Acontece, porém, que em um dia de ausência do biólogo, um empregado dedicado observou que as operárias, ao entrarem de volta carregando grãos de pólen, deixavam cair parte destes ao roçarem suas patas de encontro à abertura da tela.

Diligentemente, removeu o obstáculo... Quando o Professor regressou de viagem, o estrago já estava a caminho: algumas rainhas haviam fugido, cruzando e reproduzindo-se nas colmeias de abelhas `italianas`...

A esperança sempre reiterada, do Prof. Ker, era de que, dada a facilidade com que se cruzavam, as abelhas aficanas dentro de algum tempo teriam atenuada a sua agressividade. Previsão que realmente se concretizou: hoje os apicultores só desejam ter a nova variedade, em seus apiários.

Como resultado disso, o Brasil vem se tornando, presentemente, um grande exportador de mel e outros produtos apícolas, principalmente para a Alemanha e Estados Unidos. No último ano, as exportações saltaram de menos de três milhões de litros para mais de 12 e o faturamento subiu de 3 para 23 milhões de dólares! E essa atividade vem ganhando impulso cada vez maior no sertão nordestino!

As `abelhas assassinas` foram domadas e hoje começam a contribuir para o nosso desenvolvimento!

  
  

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