Aviões a Álcool

Na década de 70, na Escola de Engenharia da USP, em São Carlos, o Prof. Romeu Corsini alimentava dois grandes sonhos: o uso do álcool, como combustível para automóveis e a construção de aviões agrícolas nacionais. O primeiro desses ideais ele realizou

  
  

Na década de 70, na Escola de Engenharia da USP, em São Carlos, o Prof. Romeu Corsini alimentava dois grandes sonhos: o uso do álcool, como combustível para automóveis e a construção de aviões agrícolas nacionais.

O primeiro desses ideais ele realizou quando, sendo diretor daquele famoso centro de alta tecnologia, adaptou os motores de toda a frota do campus universitário ao uso desse combustível, bem antes da indústria nacional começar a investir na sua produção em série. Quanto aos aviões agrícolas ele chegou a fazer voar alguns protótipos, um deles capaz de aterrissar em um campo de apenas quarenta metros de comprimento...

Agora, vem a notícia que deve estar "revigorando o ego" do professor Corsini: os primeiros motores aeronáuticos a álcool, produzidos industrialmente, destinados a dois modelos de aviões agrícolas, um da Embraer, outro da Aeroálcool, respectivamente denominados "Ipanema" e "Piper Pawnee". A notícia diz que aviões agrícolas, destinados a semeaduras e pulverizações, são de uso limitado no Brasil por causa do alto custo operacional e que os aviões movidos a álcool hidratado deverá "massificar" o uso desse recurso, uma vez que o seu custo operacional será reduzido consideravelmente.

A despeito de algumas dificuldades conjunturais, o álcool combustível continua a abrir caminho no Brasil e também em outros países como os Estados Unidos. Primeiro, a nossa indústria de veículos de passeio e utilitários, mostrou ser possível remover todas as dificuldades técnicas do uso do álcool, tornando-o um combustível não só competitivo com a gasolina, como de uma eficiência tão elevada que passou a merecer, também, a preferência em carros de corrida de "fórmula1".

Depois, com aditivos, mostrou-se capaz de substituir o diesel em veículos pesados. Agora, anuncia-se para dentro de seis meses a colocação na praça dos primeiros aviões...

Além de "ecologicamente correto", o álcool combustível poderá, se conduzido por uma política inteligente, liberar-nos das contingências internacionais, sempre imprevisíveis, ligadas à produção e comércio do petróleo.

  
  

Publicado por em