Elefantes e abelhas

Há algumas semanas falei aqui de elefantes bêbados, na Ásia e também da incompetência de nossos legisladores quando fizeram leis proibindo toda e qualquer modalidade de caça. Hoje volto a falar de elefantes que estão incomodando muita gente na África.

  
  

Há algumas semanas falei aqui de elefantes bêbados, na Ásia e também da incompetência de nossos legisladores quando fizeram leis proibindo toda e qualquer modalidade de caça. Hoje volto a falar de elefantes que estão incomodando muita gente na África.

Quando estive no Quênia, há dezoito anos, os elefantes lá tinham sido promovidos à categoria de verdadeiras divindades. Estátuas eram erigidas a eles, em Nairobi, sua perseguição, a qualquer título era vedada, a venda de objetos de marfim constituía crime maior que o comércio de drogas... Tudo isso, por uma razão muito compreensível, de que a espécie estava sendo dizimada pelos caçadores de marfim e de troféus de caça.

Agora leio a notícia, na respeitável revista de divulgação científica editada pela FAPESP, de que "o acelerado crescimento da população de elefantes no Quênia tornou-se um problema". E que "as manadas não param de destruir árvores e plantações e chegam a provocar a morte de uma pessoa a cada duas semanas em média".

Mais curiosa e inesperada é a solução proposta por cientistas da Universidade de Oxford: usar contra eles, as não menos famosas abelhas africanas... O folclore diz que os elefantes têm medo dos camundongos, mas a verdade é que as abelhas os intimidam muito mais, perseguindo manadas de elefantes por vários quilômetros, sempre que eles mexem em suas colméias. A proposta é colocar alto-falantes potentes, emitindo o som do zumbido desses terríveis insetos... Só que a notícia não nos informa sobre o refúgio a ser oferecido aos paquidermes afugentados. Espantar é uma coisa; controlar a população é outra...

Será que não existe uma solução equivalente para afugentar as nossas capivaras dos arrozais e milharais, já que também elas não podem ser caçadas?

  
  

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