Ignorância ambiental

Tenho insistido, em várias de minhas publicações e manifestações, no fato de as questões e movimentos ambientalistas padecerem de lamentável e quase total desconhecimento - até por parte dos órgãos oficiais - de suas razões objetivas e fundamentos conceit

  
  

Tenho insistido, em várias de minhas publicações e manifestações, no fato de as questões e movimentos ambientalistas padecerem de lamentável e quase total desconhecimento - até por parte dos órgãos oficiais - de suas razões objetivas e fundamentos conceituais.

Freqüentemente, as razões alegadas são de natureza subjetiva e equivocada, ou puramente sentimentais, como as que levam a uma exagerada ênfase na proteção de animais "bonitinhos", como os micos-leão, desprezando, entretanto, outros de fundamental importância ecológica, porém "repugnantes", como os morcegos, as aranhas, os escorpiões, os sapos e as serpentes. Atitudes incoerentes, como a de proteger borboletas e destruir as lagartas...

Uma demonstração cabal e muito grave desse fato vem de ser cometida, há poucas semanas, por uma carta publicada por um Secretário de Estado, explicando as razões que motivaram o veto, pelo Governador de São Paulo, de lei restringindo a criação de "pit-bulls" e outras raças caninas de agressividade incontrolável, pelos perigos potenciais que apresentam à liberdade e à integridade dos cidadãos em nossas ruas.

As principais razões apontadas pelo Secretário, em nome do Governo, são: a de ser o projeto contrário ao espírito do dispositivo da Constituição Federal que garante a todos o direito a um ambiente saudável e ecologicamente equilibrado (dispositivo evidentemente dirigido ao cidadão, ser humano, e não aos pit-bulls); e de que as pretendidas medidas de esterilização desses animais levaria à extinção da espécie, como se todos os cães fossem da raça pit-bull.

O episódio vem demonstrar que o conceito de ambiente, e de sua proteção, na verdade, constitui uma noção muito vaga, subjetiva e romântica, na mente da maioria da população, assim como de algumas ONGs e até membros do Governo. E, neste caso específico, um grave comprometimento da pessoa do Governador que, entretanto, está longe de merecê-lo, por ser pessoa extremamente cautelosa na emissão de conceitos e que, sendo médico, evidentemente não desconhece a diferença fundamental entre "raça" e "espécie".

Um grãozinho de educação e conhecimento das coisas da natureza faz falta, não só para o grande público, mas até para os divulgadores dos atos e decisões do Governo!

  
  

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