Johanna Döbereiner

Em 1963 a recém criada Comissão Nacional da Soja iniciou as discussões técnicas sobre os melhoramentos que deveriam ser tentados nessa leguminosa para que seu cultivo tivesse sucesso no Brasil. Ao ser discutido o problema do necessário enriquecimento dos

  
  

Em 1963 a recém criada Comissão Nacional da Soja iniciou as discussões técnicas sobre os melhoramentos que deveriam ser tentados nessa leguminosa para que seu cultivo tivesse sucesso no Brasil. Ao ser discutido o problema do necessário enriquecimento dos solos com auxílio de fertilizantes nitrogenados, de custo muito elevado, uma voz discordante se fez ouvir. Era a da pesquisadora Johanna Döbereiner que, desde 1953, vinha estudando, nos laboratórios da EMBRAPA, no Rio de Janeiro, os processos de fixação biológica do nitrogênio por bactérias associadas aos vegetais.

Segundo a sua opinião, deveria recorrer-se à biotecnologia. Tratava-se nem mais nem menos, de introduzir nos cultivos de soja, bactérias capazes de retirar nitrogênio do ar, dispensando assim a sua adição ao solo... Depois de muita disputa (evidentemente as multinacionais produtoras de adubos sintéticos não apreciavam a novidade), a proposta da jovem cientista, sustentada pelos resultados inquestionáveis de suas pesquisas, foi aceita.

O resultado é conhecido. Em alguns anos o País tornou-se o segundo maior produtor mundial de soja (disputando hoje o primeiro lugar com os Estados Unidos), com uma economia de fertilizantes que chega a mais de 1,5 bilhões de dólares por ano!

Döbereiner - cuja memória acaba de ser muito justamente homenageada pela Revista da Fundação de Amparo à Pesquisa - FAPESP - chegou ao Brasil em 1951, recém formada na Universidade de Munique. Iniciou suas pesquisas na EMBRAPA em 1953, as quais logo tornaram-se conhecidas em todo o mundo, tendo seu nome sido proposto para receber o Prêmio Nobel em 1997.

Faleceu no ano 2000, aos 76 anos de idade, depois de provocar uma verdadeira revolução em alguns setores da agricultura brasileira e deixando o caminho aberto a um sem número de pesquisas em direção a alternativas que poderão reduzir o custo e aumentar a produtividade da nossa lavoura.

Não será esse caminho - o da pesquisa objetiva e bem orientada - o mais curto para se atingir uma `fome zero sustentada`?

  
  

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