Meio Ambiente e Amadorismo

Tem muita razão, o Prof. Nelson Terra Barth, especialista em Direito Ambiental, quando diz que o meio ambiente precisa mais que amadores. Parece-me, porém, que uma das grandes dificuldades na abordagem das questões ambientais e na busca de soluções pa

  
  

Tem muita razão, o Prof. Nelson Terra Barth, especialista em Direito Ambiental, quando diz que "o meio ambiente precisa mais que amadores".

Parece-me, porém, que uma das grandes dificuldades na abordagem das questões ambientais e na busca de soluções para as mesmas, é que essa abordagem tem que ser realizada segundo duas visões diferentes, igualmente necessárias.

Uma visão "naturalística" e uma visão "tecnológica" e dificilmente um mesmo especialista tem formação adequada a contemplar as duas formas de intervenção com a mesma competência. O resultado é que, segundo a formação do especialista, ele dará maior ênfase a uma ou outra abordagem, o que, via de regra, implica sérias conseqüências.

A "abordagem naturalística" é aquela que engloba uma preocupação principal com a manutenção do equilíbrio fundamental dos ecossistemas, e a preservação das características dos ambientes naturais da Terra, a diversidade de espécies, a formação de reservas biológicas e étnicas, a paisagem original.

É tarefa mais da competência dos biólogos, agrônomos, sociólogos, antropólogos, geólogos, geomorfólogos, geógrofos e demais profissões ligadas ao estudo da Terra e dos seres vivos.

A "abordagem tecnológica" procura, ao contrário, introduzir modificações de natureza técnica, com a finalidade principal de estudar e acelerar processos naturais aplicáveis à reconstituição do ambiente, eliminação de detritos, obtenção de alternativas energéticas e substituição de materiais, além de técnicas de análise e detecção mais precisas e rápidas.

Enquanto a primeira comanda mais as ações preventivas, esta procura resolver os problemas ambientais corretivamente. É da competência de engenheiros, físicos, químicos e bioquímicos especializados no campo do saneamento, da energia, do transporte, das edificações, da produção e do uso dos materiais em geral.

Unindo e permeando as duas tendências há, evidentemente, espaço para atividades fundamentais de planejamento, gerenciamento, legislação e elaboração de todo um conjunto de medidas disciplinares e pedagógicas visando a melhor aplicação dos conceitos e atitudes preservacionistas.

Não é, realmente, tarefa só para amadores românticos...

  
  

Publicado por em