Mercúrio contamina Índios

De acordo com estudos recentes realizados pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém do Pará, e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a contaminação por mercúrio já atinge populações indígenas na região de Guarajá-mirim, em Rondônia. A provável fonte

  
  

De acordo com estudos recentes realizados pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém do Pará, e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a contaminação por mercúrio já atinge populações indígenas na região de Guarajá-mirim, em Rondônia. A provável fonte do metal tóxico localiza-se nos garimpos de ouro do rio Madeira, apesar dos mesmos estarem situados a dezenas de quilômetros da área pesquisada.

O mercúrio é empregado - em geral sem nenhum cuidado ou controle ambiental - na separação da parte mais fina do ouro que, misturada à areia, é difícil de ser recuperada por simples lavagem. Misturando-se o metal líquido, este forma amálgama com o ouro, permitindo assim a sua recuperação por evaporação posterior do mercúrio.

Essa evaporação, feita com auxílio de calor, já é altamente perigosa, para os seus operadores, pois os vapores de mercúrio se espalham pelo ar, contaminando todo o ambiente de trabalho. Porém, uma parte significativa do metal fica no próprio rio, juntando-se ao lodo orgânico, de onde é absorvido por seres microscópicos que servem de alimento a peixes e outros animais aquáticos. Ao se alimentarem desses peixes, as pessoas, por sua vez, são contaminadas, o que pode gerar gravíssimas enfermidades do sistema nervoso.

O índice de contaminação de uma pessoa por mercúrio pode ser avaliado por exame químico de amostras de cabelo. A Organização Mundial da Saúde estabelece como máximo tolerado por um ser humano, o equivalente a seis microgramas por grama de cabelo. Entretanto, esses valores são superados na média de 910 índios examinados, sendo que os valores mais elevados (acima de 10 miligramas) foram encontrados nos indivíduos mais sensíveis, ou seja, mulheres grávidas e crianças.

Considerando-se que os pescados constituem a fonte mais importante de proteínas para as populações amazônicas, essa constatação se reveste da maior importância, devendo ser objeto de severas medidas de controle junto aos garimpos, a exemplo do que também ocorre na região do Pantanal Matogrossense.

  
  

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