Os Besouros e o Esterco

Darwin, em um de seus trabalhos mais pacientes, observava os hábitos das minhocas enterrando folhas e revolvendo a terra. Tirou, assim, interessantes conclusões a respeito do papel desses vermes na fertilização do solo. Mais ou menos na mesma época,

  
  

Darwin, em um de seus trabalhos mais pacientes, observava os hábitos das minhocas enterrando folhas e revolvendo a terra. Tirou, assim, interessantes conclusões a respeito do papel desses vermes na fertilização do solo.

Mais ou menos na mesma época, o extraordinário entomologista francês, Henri Fabre, realizava seus meticulosos estudos sobre a atividade dos besouros `roladores`, que transportam para seus ninhos e alojamentos subterrâneos, bolas de esterco. Enterram, assim, parcela significativa dos excrementos depositados nos pastos e nos currais.

Agora deparo com duas notícias interessantes, sobre esses esquecidos e úteis enterradores de esterco. A primeira, mais poética, revelando que esses besouros, trabalhando à noite para evitar assaltos e roubos de seu precioso butim, vêem-se em dificuldades para achar o caminho nas noites sem luar, realizando assim trajetos muito mais tortuosos...

A outra notícia, de conseqüências práticas mais evidentes, refere-se aos besouros roladores nativos da Austrália. Acostumados ao transporte das bolas já pré-formadas e de consistência mais sólida dos cangurus, os coitados não conseguiram, ainda, adaptar-se às placas espessas e esparramadas de excrementos despejadas pelas vacas. Estas foram introduzidas com sucesso e hoje representam uma das mais importantes parcelas da economia do país.

O problema é que o esterco das vacas - ao contrário do que acontecia com o dos cangurus, removido pelos besouros -, acumula-se na superfície destruindo as pastagens! Por essa razão, as autoridades australianas estão estudando a possibilidade de levar para lá, besouros mais adaptados a esse tipo de esterco...

Será que vai dar certo? Afinal de contas, os australianos já sofreram graves experiências negativas de introdução de espécies estranhas ao seu ambiente, como o coelho e, a menos tempo, o sapo...

  
  

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