Remédios `Inofensivos`

Há tempos falamos, aqui, no risco apresentado pelo uso indiscriminado de remédios considerados `inofensivos` apenas por serem produzidos a partir de ervas, folhas e outros produtos naturais. Nós vivemos hoje uma era de `retorno à natureza`, como repúdio a

  
  

Há tempos falamos, aqui, no risco apresentado pelo uso indiscriminado de remédios considerados `inofensivos` apenas por serem produzidos a partir de ervas, folhas e outros produtos naturais. Nós vivemos hoje uma era de `retorno à natureza`, como repúdio ao `excesso de tecnologia` que caracterizou o século XX. Segundo essa tendência, tudo o que é `natural`, isto é, tudo o que se opõe ao sintético, ao tecnológico só pode ser bom. Portanto, uma medicina baseada em produtos naturais, se não for mais eficaz que a medicina tradicional, quimioterápica, pelo menos `mal não faz`...

Não se contesta o valor terapêutico dos vegetais. Pelo contrário, a única crítica que se pode fazer ao seu uso decorre do pouco conhecimento que se possui de seus efeitos sobre o organismo. Dada a riqueza extraordinária da nossa flora tropical, devem contar-se aos milhares os vegetais com propriedades terapêuticas específicas que, entretanto, não têm sido objeto de uma pesquisa ampla e sistemática de avaliação científica. O reconhecimento das propriedades de algumas dessas espécies tem sido feita por tradição, baseada em observações leigas e no uso que delas é feito pelos nativos.

No entanto, as pesquisas sob orientação médica são importantes, seja para não se generalizar a aplicação de cada princípio terapêutico além de seu campo específico de eficácia, seja para evitar ações colaterais, contra-indicações, superdosagens, reações alérgicas e intoxicações. Afinal de contas, é necessário lembrar-se que alguns dos mais terríveis venenos conhecidos são originados de plantas, como o curare ou a digitalina.

Apenas para lembrar alguns exemplos de riscos ocorridos pelo uso de medicamentos `naturais` sem a necessária orientação médica, citaremos casos recentes, colhidos na literatura internacional: na Austrália, verificou-se que um remédio muito popular contra enjôos, provocava alucinações.

Na Irlanda, foi comprovado que uma pomada caseira, de uso muito comum para tratamento de eczemas, na verdade continha altas dosagens de esteróides dotados de alto potencial fisiológico e na Bélgica 105 pessoas morreram e 18 contraíram câncer quando fizeram uso da erva aristolóquia para tratamento da pele. Vários outros exemplos têm sido citados, seja por terem a sua ação multiplicada quando associados a medicamentos convencionais, seja por reduzirem os efeitos destes últimos, como é o caso de remédios usados para atenuar os efeitos da Aids.

As ervas podem ser boas... mas consulte o seu médico, antes de usá-las!

  
  

Publicado por em