Transgênicos I

Um dos assuntos que mais têm agitado a opinião pública no mundo atual é o que se refere aos transgênicos, ou Organismos Geneticamente Modificados - os OGM. De um lado, os cientistas, imbuídos das melhores e mais honestas intenções, empenham-se em produ

  
  

Um dos assuntos que mais têm agitado a opinião pública no mundo atual é o que se refere aos transgênicos, ou Organismos Geneticamente Modificados - os OGM.

De um lado, os cientistas, imbuídos das melhores e mais honestas intenções, empenham-se em produzir melhoramentos nas espécies. Seu objetivo é aumentar a disponibilidade de alimentos e curar doenças genéticas.

De outro lado, fundamentalistas da `proteção à natureza`, dedicam-se a destruir as plantações experimentais dos cientistas. Concluíram eles que os OGM constituem `crimes contra a natureza`. Do mesmo modo como, na Idade Média, foram destruídos vários inventos sob suspeita de serem coisas diabólicas...

No meio, grandes empresas multinacionais, pouco escrupulosas, `patenteiam genes` e produtos naturais. E, veladamente, aplaudem os destruidores das experiências que poderiam originar-lhes concorrentes potenciais!

E há, ainda, os que se auto-promovem politicamente à custa dessa controvérsia, imitando o grego Eróstrato, que destruiu o templo de Diana para imortalizar-se. Põem fogo no circo!

Tudo isso, caracterizando uma grande confusão, originada na desinformação. Confusão esta que já atinge os níveis legislativos e executivos da administração federal!

Na verdade, a transferência de genes de uma espécie para outra, é quase tão antiga como a própria natureza. A sua realização - voluntária ou não - pela própria mão do homem, data do início da agricultura, e o consumo de variedades transgênicas de soja é efetuado, em nossos tempos, há mais de 12 anos.

Até agora, nenhuma evidência foi anunciada de efeitos nocivos ambientais ou sanitários. Há mais de 20 anos os diabéticos tomam injeções de insulina transgênica, o que já salvou milhares de vidas!

Problemas há, certamente. Problemas técnicos, a serem resolvidos com boa técnica respaldada em boa ciência, mas não por ideologias preconceituosas. O que não exclui a participação responsável da mídia e do público bem informado.

Segundo a Academia de Ciências da França, a aplicação criteriosa dessas tecnologias para aumento da produção de alimentos - especialmente nos países do hemisfério sul - constitui um dos mais importantes recursos para fazer face à fome, decorrente do aumento de populações, da redução das terras cultiváveis e da necessidade de preservar florestas e biodiversidades.

Um antigo provérbio lionês diz: `corra sempre atrás do cão e ele jamais o morderá`. Pense nisso. Voltaremos ao assunto na próxima semana.

  
  

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