Transgênicos II

Na verdade quem começou primeiro essa brincadeira foi a natureza! Um eminente cientista britânico diz que, do mesmo modo como têm sido introduzidas palavras estrangeiras no nosso idioma, também na natureza os genes passam de uma para outra espécie. Isso s

  
  

Na verdade quem começou primeiro essa brincadeira foi a natureza! Um eminente cientista britânico diz que, do mesmo modo como têm sido introduzidas palavras estrangeiras no nosso idioma, também na natureza os genes passam de uma para outra espécie. Isso se chama "transmissão horizontal de genes" e é muito freqüente nas bactérias!

Os genes são as moléculas de qualquer ser vivo que representam as suas características específicas. Se você tem olhos azuis, é porque possui genes, herdados de seus antepassados, determinantes de cor azul nos olhos. Todas as espécies vivas são, pois, identificadas pelos seus genes.

Acontece que, na própria natureza, ocorrem trocas ou transferências de genes entre espécies distintas. Isso altera, evidentemente, algumas características da espécie que recebeu os novos genes e constitui um dos mecanismos causadores da evolução e das adaptações ao meio.

Pode-se afirmar, mesmo, que as plantas atuais não existiriam se não houvesse essas transferências. A clorofila das plantas, por exemplo, acha-se situada em corpúsculos celulares chamados cloroplastos. Os cloroplastos se originaram de bactérias fotossintetizantes que invadiram as células e depois transferiram genes para a planta, tornando-se hereditários.

Isso é transgênese e ocorreu há um e meio bilhões de anos. Muitas outras vêm ocorrendo. Cerca de 1/3 das plantas atuais evoluíram a partir desses híbridos naturais.

O homem, ao produzir cruzamentos sucessivos de plantas, freqüentemente realiza, inconscientemente, transferências de genes. Assim fez com o trigo, que resultou da transferência de genes do centeio para o trigo primitivo.

Muito antes, o nosso índio fez o mesmo com a mandioca...Essas transferências recebem o nome científico de recombinações genéticas. Há muitos anos os cientistas realizam essas recombinações visando a obtenção principalmente de proteínas para a cura de certas doenças. Desde 1979, começou-se a sintetizar insulina em bactérias coliformes, reduzindo drasticamente o custo desse medicamento!

Um outro exemplo é o representado pela produção do interferon, uma proteína de defesa do organismo produzida em quantidades ínfimas pelas células humanas e que hoje é usado para cura de certos tipos de câncer!

Voltaremos a este assunto na próxima semana.

  
  

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