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Eurotrip

As jornalistas paranaenses Patrícia Taufer, Cláudia Almeida e Fabiula Wurmeister, acabaram de voltar ao Brasil, após 11 meses percorrendo a Europa a bordo de um motorhome, conhecendo melhor sua cultura e divulgando as Cataratas do Iguaçu na região.

8 de Março de 2004.
Publicado por Equipe EcoViagem  

As jornalistas paranaenses Patrícia Taufer, 29, Cláudia Almeida, 34, e Fabiula Wurmeister, 26, acabaram de voltar ao Brasil, após 11 meses percorrendo a Europa a bordo de um motorhome, conhecendo melhor sua cultura e divulgando as Cataratas do Iguaçu na região. Conheça de perto essa aventura, suas descobertas, lições de vida e dificuldades, entre elas dois assaltos que quase puseram fim à audaciosa expedição.
eurotrip@eurotrip.com.br

EcoViagem: Como e há quanto tempo vocês se conheceram?
Eurotrip: Nos conhecemos há pelo menos quatro anos. Trabalhávamos em veículos de comunicação em Foz do Iguaçu. Embora sendo concorrentes (cada uma trabalhava numa empresa diferente) nos tornamos grandes amigas.

EcoViagem: Como surgiu a Eurotrip, desde a primeira idéia até a concretização da viagem?
Eurotrip: Tivemos essa idéia quando a seleção brasileira estreou na Copa do Mundo de 2002. Estávamos assistindo ao jogo de futebol juntas e decidimos fazer alguma coisa diferente da que fazíamos, mas na época não sabíamos direito o quê. O tempo foi passando e o projeto foi ganhando corpo. Começamos a conversar com pessoas que nos ajudaram a desenvolver o projeto. Depois o passo mais difícil, conseguir os patrocinadores. Mandamos uma centena de e-mails para as mais diferentes empresas do Brasil e, aos poucos, fomos recebemos algumas respostas, a maioria negativa. Mas não desistimos. Investimos mais nossa atenção em empresas de Foz do Iguaçu e região. Fizemos uma pesquisa super detalhada sobre cada um dos países que iríamos visitar, fizemos um levantamento de custos com combustível, alimentação, internet... Depois de oito meses de trabalho, estávamos prontas para embarcar nessa aventura que mudaria a nossa forma de ver o mundo e a vida.

EcoViagem: Como foi a receptividade das pessoas lá?
Eurotrip: A receptividade foi boa, embora não dá pra negar que o europeu não é o povo mais receptivo do mundo (guardadas exceções como Portugal e alguns outros países). Viajar de motorhome na Europa é bastante comum. Durante os nossos 11 meses na estrada, cruzamos por centenas, senão milhares deles. Dessa forma, não chamávamos tanta atenção pelo nosso estilo de vida, mas pelo colorido do nosso carro (já que adesivamos o motorhome inteiro com fotografias gigantes das Cataratas do Iguaçu, no sul do Brasil). Com freqüência, éramos abordadas pelas pessoas que queriam entender um pouco mais da nossa aventura.

EcoViagem: Vocês foram assaltadas algumas vezes, contem como foi e o que fizeram para resolver os imprevistos.
Eurotrip: Esses assaltos nos tiraram o chão por alguns dias. Nunca imaginávamos sofrer isso na Europa. Bem, o primeiro aconteceu em Amsterdã, na Holanda, antes de completarmos dois meses de expedição. Deixamos o nosso carro estacionado na rua, próximo a um bairro residencial e fomos fazer o nosso trabalho de fotografar e filmar a cidade. Quando voltamos, algumas horas depois, o carro estava arrombado, todas as nossas coisas reviradas. Dessa vez eles levaram o nosso notebook, com arquivos de fotos digitais e textos, a filmadora e cinco fitas, com os registros das nossas aventuras até então. Como tínhamos feito grandes amigos na Holanda, fomos para a casa de um deles, um jornalista paranaense chamado Ulisses. Ali colocamos a nossa cabeça em ordem, construímos um cofre, fortalecemos a segurança do carro e fomos comprar o que havia sido roubado. O segundo assalto foi em Londres. Deixamos o carro em um estacionamento repleto de câmeras de vídeo de uma estação de metrô. Quando voltamos, a surpresa. Os ladrões haviam entrado no carro arrombando a janela de um dos quartos. Fizeram vandalismo mesmo, bagunçaram tudo, quebraram coisas, jogaram creme de cabelo e calda de chocolate sobre as roupas e objetos. Sorte que dessa vez só conseguiram levar a fotográfica e o tripé. Graças ao cofre que Cláudia fez depois do primeiro roubo, eles não conseguiram levar novamente o computador e a filmadora com os nossos arquivos. Esses dois assaltos nos deram um prejuízo de cerca de R$ 30 mil. Tivemos que cortar quatro países do roteiro (Escócia, Irlanda, Grécia e Marrocos), voltar um mês antes para o Brasil e racionar cada centavo do nosso dinheiro lá. Mas o importante é que em nenhuma das duas vezes estávamos no carro. Ficamos abaladas emocionalmente sim, mas conseguimos superar. Isso foi muito bom, descobrimos que conseguíamos superar todos os obstáculos e depois disso ficamos muito mais fortes.

EcoViagem: Isso foi a maior dificuldade encontrada por lá ou tiveram outras?
Eurotrip: Com certeza os roubos nos deram muita dor de cabeça. Mas, às vezes, era muito complicado também encontrar algum lugar pra ficar, o nosso carro era grande demais (tinha 6,9 metros) e, como não tínhamos dinheiro para ficar em campings, estacionávamos o nosso carro-casa em estacionamentos de supermercados, shoppings, postos de combustíveis, praças..., mas até desenvolvermos esse know-how, quebramos a cabeça muitas vezes. Várias vezes fomos despertadas no meio da madrugada para mudar o nosso carro de lugar. É que por algum motivo que desconhecíamos, acabávamos escolhendo lugares onde eram realizadas feiras. Quando os feirantes chegavam entre as 4h30 da madrugada e 6h da manhã, encontravam o nosso carro no lugar da barraca deles. Nem sempre muito educados, nos `convidavam` a nos retirar (risos).

EcoViagem: De tantos lugares percorridos, tem algum em especial? Por que?
Eurotrip: Foram duas noites inesquecíveis que passamos no topo dos Alpes Suíços. Nos embrenhamos por uma estradinha secundária no final de uma tarde. A estrada subia, só estreitava e a noite ia caindo. Já tínhamos começado a rezar... Até que depois de quase uma hora rodando passamos por um túnel. Ao sair dele, nos deparamos com uma paisagem maravilhosa, sem dúvida uma das mais belas de toda a viagem. Um platô no alto das montanhas, lago cristalino e picos nevados... Simplesmente INESQUECÍVEL... Mas gostamos de muitos outros lugares também como Portugal, o Leste Europeu e a Alemanha, que Fabiula adorou.

EcoViagem: O que mais marcou vocês nessa viagem, de um modo geral?
Eurotrip: Descobrimos que não existe país mais maravilhoso que o nosso Brasil. Parece que é preciso ficar tanto tempo fora para admirar cada vez mais o que temos aqui: a natureza, as pessoas, a alegria, a musicalidade... Temos, é claro, muitas coisas que nos envergonham. Mas não existe lugar melhor do que o nosso país. Falando um pouco do que vimos, os campos de concentração que visitamos nos impressionaram muito. Ler, ouvir e ver os relatos das pessoas que sobreviveram àqueles lugares foi espantoso. Visitamos também a maior mina de sal do mundo que fica na Polônia, pertinho de Cracóvia. São quilômetros e quilômetros de galerias que já representaram a grande riqueza polaca. Aprendemos a dar mais valor aos detalhes, aos momentos felizes e percebemos que não precisamos de muito pra viver, já que durante um ano vivemos em três numa `casa` de 15 metros quadrados... Ah! Durante a viagem, fizemos grandes amigos com os quais nos correspondemos até hoje. Entre eles estão o Murilo, a Myllene, a Mayara e o Murilo Jr. do projeto Volta ao Mundo em Família (que tem um site hospedado no Portal Ecoviagem). Nos encontramos com eles em Portugal e foi muito interessante.

EcoViagem: Os objetivos idealizados antes da partida foram alcançados?
Eurotrip: Sem dúvida conseguimos realizar todos os nossos objetivos. Além da aventura, tínhamos nos proposto fazer a divulgação turística de Foz do Iguaçu, onde ficam as Cataratas do Iguaçu, no sul do Brasil. Realizamos 182 visitas técnicas a agências de viagem, operadoras de turismo, representações diplomáticas do Brasil na Europa e à imprensa internacional, além de termos participado da Feira de Turismo de Cracóvia, na Polônia. Foi a primeira vez que um destino brasileiro participava desse importante evento. Contabilizamos o retorno de mídia que obtivemos nesse tempo e chegamos a um dado que nos surpreendeu muito. O retorno foi de R$ 1.480.000,00. Esse valor é o que nós e os nossos parceiros deveríamos ter investido para obter o espaço que tivemos na mídia nacional e internacional.

EcoViagem: Qual a continuidade do projeto com a volta ao Brasil?
Eurotrip: Bem, nessas primeiras semanas nos acostumamos com uma vida normal. Morar em casa que não se movimenta, não precisar mais esvaziar os esgotos e nem estar sempre em busca de água para encher o carro. Também preparamos um relatório que foi apresentado aos nossos patrocinadores. Agora estamos preparando um relatório comercial sobre o interesse do europeu nos destinos brasileiros. Em breve, começaremos a trabalhar no livro, na exposição de fotografias e no vídeo que vai contar a nossa aventura.

EcoViagem: Vocês já têm novos planos em vista?
Eurotrip: Quem embarca numa aventura dessas não quer mais parar. Essa é a nossa intenção. Queremos sim, realizar outras expedições, só que mais curtas do que essa. Mas ainda temos muito o que fazer com o material que trouxemos. Mas se depender da gente, nossas próximas aventuras estarão no Portal Ecoviagem.

EcoViagem: Qual o saldo da viagem: nº de paises percorridos / kms rodados / dias de viagem....?
Eurotrip: Nesses 11 meses de viagem, percorremos 23 mil quilômetros e visitamos 17 países. Ufa!!!!

Para saber mais sobre a expedição e acompanhar o dia a dia das meninas na europa, tudo o que aconteceu com fotos, visite a Eurotrip no EcoViagem.

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Comentários

Maria Jose H. Nogueira

 postado: 21/4/2012 16:48:57editar

Gostaria de saber sobre os assaltos, pois amigos que moram em Lisboa nos tiraram de ideia de alugar motorhome. Vamos viajar dia 7 de maio. Aqui não ficamos sabendo de nada.

 

 

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