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Família Goldschmidt

Peter Goldschmidt, 40, paulistano, produtor de vídeo e escritor, sua esposa Sandra, 39, professora e empresária, e os filhos Peter Erick (12) e Ingrid (11) estão executando a segunda fase do Projeto GIRO PELA AMÉRICA, do qual o EcoViagem é parceiro.

22 de Abril de 2003.
Publicado por Equipe EcoViagem  

Peter Goldschmidt, 40, paulistano, produtor de vídeo e escritor, sua esposa Sandra, 39, professora e empresária, e os filhos Peter Erick (12) e Ingrid (11) estão executando a segunda fase do Projeto GIRO PELA AMÉRICA, do qual o EcoViagem é parceiro. Percorrendo, em 500 dias, a maior parte dos Estados brasileiros e a vizinha Venezuela, cerca de 60 mil km. Conheça de perto essa aventura em família e acompanhe a expedição diariamente aqui no EcoViagem.

Família Goldschmidt

Família Goldschmidt
Foto: Família Goldschmidt

Como surgiu o Projeto Giro pela América? Quando vocês tiveram a idéia de se aventurar pelo continente sul- americano em um motorhome?
Peter: A idéia surgiu em 1998. Eu tinha uma produtora de vídeos que tomava muito meu tempo. Cada vez eu tinha menos tempo para a família, pois reuniões e viagens são uma constante nesta atividade. Meus filhos estavam crescendo e eu praticamente não estava acompanhando essa evolução como achava que deveria acompanhar. Além desse objetivo pessoal, havia também o lado comercial. Eu queria valorizar as belezas do continente. A maioria das pessoas só pensa em viajar para a Europa ou Estados Unidos, se esquece que com pouco mais de US$ 300 é possível fazer expedições turísticas fantásticas ao Chile, por exemplo. Quando a Sandra levantou a idéia de mudar de casa, eu levantei a idéia de mudar de vida. A idéia era viver juntos, trabalhar juntos, enfim, colocar a família em primeiro lugar e o trabalho em segundo. Ela concordou na hora e dentro de uma semana o projeto já estava em andamento

Qual foi a primeira aventura que vocês fizeram?
Peter: Desde que nos casamos, eu e a Sandra sempre fizemos muitas aventuras. A maior delas foi largar tudo em 1987 e ir morar e trabalhar em Londres, na Inglaterra. Lá fizemos de tudo, desde garçom até guarda noturno. Em 1998 elaboramos um projeto de vida que unisse o nosso trabalho (produtor de vídeo), nossa família e nosso prazer, viajar. Daí surgiu o projeto Giro Pela América, que tem o objetivo de mostrar para os brasileiros as belezas naturais e culturais do nosso continente, principalmente os lugares que tem grande potencial turístico, mas são pouco conhecidos. Outro objetivo é incentivar as pessoas a fazerem atividades em família. Afinal, é importante você partilhar os melhores momentos da sua vida com as pessoas que ama.

Quando começou o projeto?
Peter: A primeira etapa do projeto começou em 1999, quando em um ano de viagem percorremos o sul do Brasil, Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai. Foram 31 mil quilômetros percorridos em 331 dias de expedição.

Como foi viver 331 dias em um motorhome?
Peter: O Pégaso (nome do ônibus adaptado) é praticamente uma casa. Tem quase 12 metros de comprimento, 2,5 metros de largura, 1,90 metros de altura interna, um quarto de casal com suíte, banheiro, dois beliches, cozinha completa, sala com duas mesas, uma área de trabalho, cockpit do motorista, além de lava-roupas e secadora, gerador de energia, computador e um telefone via satélite capaz de acessar a Internet de qualquer lugar do planeta. Eu costumava brincar ao dizer que a casa sobre rodas é pequena, mas temos um quintal enorme, do tamanho do mundo.

Qual o lugar que mais gostaram e menos gostaram? Por que?
Peter: É difícil dizer, pois gostamos de vários lugares e cada lugar tem sua beleza especial. Vou arriscar e citar alguns:
- Glaciar Perito Moreno em El Calafate na Argentina. Um glaciar fantástico com enormes paredes de gelo que se quebram e caem com enorme estrondo no lago Argentino.
- Ushuaia na Terra do Fogo – Argentina. Esta é a cidade mais austral do planeta e conhecida com a cidade do fim do mundo. Ela fica entre o canal de Beagle e uma cordilheira nevada coberta por bosques. Mais parece o Paraíso do começo do mundo do que seu final. O único problema é a temperatura de 25 graus negativos no inverno.
- Deserto do Atacama – norte do Chile – Um lugar fantástico e mágico com longas distâncias sem nada, salares imensos, rios com água quentes, geisers, vulcões nevados, muitas formações rochosas e ruínas Incas. Adoro quando vou para lá.
- Chapada Diamantina - Bahia, Brasil – Adorei nossa recente estada lá. Lembra muito o norte do Chile, só que acrescido de muito verde e muita água. É impossível estar lá e não começar a crer na criação do mundo por Deus.
- O lugar que menos gostei? Cidades grandes em geral. Detestamos. Mesmo quando são bonitas, o trânsito e a confusão estraga tudo.

Vocês já tem algum material publicado? Fazem algum tipo de palestra?
Peter: Estamos documentando a expedição em foto comum, cromo, foto digital, áudio e vídeo digital. Já lançamos um livro chamado Giro Pela América publicado pela Editora ARX e uma fita de vídeo que é vendida através do nosso site. No final desta segunda etapa pretendemos editar outro livro, um DVD e um CD-ROM com fotos e vídeos. Também realizamos exposições fotográficas e palestras motivacionais. Apresentamos também uma palestra motivacional com o título de “Sonhos e Decisões”. Nela tentamos mostrar que a vida de todo mundo é uma aventura cheia de sonhos e esperanças. É importante sonhar e tomar decisões para tornar o sonho em uma realidade. Usamos fatos que aconteceram durante nossas viagens para ilustrar fatos do dia a dia e motivar as pessoas a correrem atrás de seus sonhos. O legal é que as crianças participam ativamente das palestras.

Como é levar uma vida tão alternativa, com filhos ainda crianças?
Peter: Nada é fácil nesta vida, nem ficar, nem partir. O importante é persistir atrás daquilo que a gente quer, viver feliz consigo mesmo e satisfeito com o resultado obtido. Deus quer que o ser humano seja feliz e para isto ele tem que ser realizado. Eu tento fazer isto. Quanto às crianças acho que elas gostam desta vida de aventuras, sempre vendo lugares novos, gente nova, novos amigos. Cada dia é uma surpresa, uma emoção diferente. Acho que tenho uma explicação para isto. Sou o filho de pai alemão (com ascendência judaica) e netos de portugueses com espanhóis. A Sandra é filha de pai japonês e neta de italiano e índio. Acho que esta mistura nos fez meio nômades, meio cidadãos do mundo, sei lá. A mistura deu certo!

E, as tarefas diárias, como são feitas?
Peter: Tentamos dividas atividades. A Sandra cuida da casa com a ajuda da Ingrid e também é a professora da turma. Ela já é formada em letras há 20 anos. Nas reportagens ela faz a maioria das fotos digitais. Eu cuido do diário de bordo e das reportagens escritas. Faço boletins de rádio e as fotos em cromo e filmagens. Meu braço direito é o Erick que me ajuda em quase tudo.

Depois de tanto tempo viajando, quando vocês voltam para casa, deve ser difícil se adaptar novamente. Como é isso para a família?
Peter: A Família acaba sem muita opção. Nós vamos e eles só podem reclamar, mais nada. Eu e a Sandra somos os filhos mais velhos e por isto é um pouco mais difícil. O telefone e a internet nos ajudam muito. Quando voltamos de uma expedição de um ano ou mais, sempre estranhamos nossa casa. Comparado com o Pégaso, nosso motorhome, tudo é muito grande e longe. Minha casa não é grande, é o motorhome que é pequeno em comparação a ela. Dentro do Pégaso, tudo é controlado, a luz, a água, tudo tem que ser econômico, pois se usar demais vai fazer falta. Em casa acabamos adotando esta economia, pois sabemos que os recursos têm fim, e custam caro. Tem sido uma boa lição de vida. Por isto estamos empenhados em ensinar aos outros a importância de economizar os recursos de água e de luz. Aprendemos por experiência própria quanto eles custam. É muito difícil sair do motorhome com uma temperatura de menos 10 graus lá fora, para ligar uma torneira para encher a caixa d´água do ônibus no meio da noite. É melhor economizar.

E as crianças, como estudaram durante este tempo?
Peter: PG- Minha esposa Sandra foi professora durante 17 anos, eu entendo de matemática. Nós desenvolvemos um sistema, onde além das matérias obrigatórias das escolas brasileiras, aproveitamos a própria natureza para ensinar lições que não se aprende na escola. Além disso, todas as dúvidas eram esclarecidas via Internet com a escola em Atibaia.

Conte alguns fatos pitorescos.
Peter: Em 31 de dezembro de 1999, na virada do século, estávamos na Praia do Cassino no Rio Grande do Sul, e saímos para conhecer um farol (Sarita) a uns 60 kms da cidade. Na hora do pôr-do-sol, notei que a bateria estava arreada, e que iríamos dormir no relento em plena virada do século. Fizemos uma oração, e quando abri os olhos avistei luzes de um carro que se aproximava. Era um pescador que disse que tivemos muita sorte, pois ele era a última pessoa a passar por aquele local naquela noite, já que o farol era desabitado e servia apenas de sinalização para os barcos.

E em outros paises?
Peter: Na Patagônia Argentina entramos literalmente em uma fria. Um mecânico mexeu errado no motorhome e fundiu o motor do ônibus. No local não havia peças para o conserto, e o que conseguimos era muito caro. Levamos quase dois meses para arrumar o motor debaixo da neve em Comodoro Rivadavia. Com uma sensação térmica de –20º e ventos de mais de 100 km por hora passamos mais de 3 meses morando em frente a uma padaria, emprestando água e luz e passando um frio terrível. Em Torres Del Paine no Norte do Chile, meus filhos adotaram uma gatinha, a última que sobrou de um ataque de zorros (raposas). Só descobri quando estávamos dentro do ônibus para atravessar a fronteira. Tivemos que escondê-la várias vezes, pois a Paine – assim a chamamos – não tinha vacina, nem qualquer outra identificação. No dia que íamos entrar no Brasil, ela assustou-se com um cachorro e subiu na carroceria de um caminhão, que logo depois partiu deixando o país, numa rota inversa a nossa. Foi a última vez que vimos a Paine, e foi só choro e tristeza no motorhome.

Quais os maiores ensinamentos da viagem?
Peter: Somos Adventistas do Sétimo Dia. Deus nos protegeu durante a viagem toda, aliás, foi o 5º passageiro do motorhome. Entre as descobertas e frustrações que a viagem proporcionou, notamos que enfrentando juntos as dificuldades, até o mais inóspito lugar do continente pode se transformar no lugar ideal. Tivemos que nos adaptar as condições e aos obstáculos inesperados, eu por exemplo, aprendi na prática tudo sobre mecânica, marcenaria, hidráulica e eletricidade. Por ter uma quantidade limitada de energia e água aprendemos também na prática como é importante economizar esses recursos.

E as próximas aventuras?
Peter: Quando terminarmos a segunda fase me 2004, vamos iniciar os preparativos para a terceira que deverá começar em 2005. Nesta última fase do projeto, pretendemos viajar pelo norte do Chile, Peru, Bolívia e Equador.

Deixe uma mensagem final para os leitores.
Peter: PG- Eu vou repetir a frase de Vitor Hugo: “Não há nada como um sonho para criar o futuro”. Sonhe e corra atrás dos recursos para realizá-lo. Sua vida será mais feliz e completa. Deus ajuda a quem cedo madruga.

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