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Família Schürmann

Vilfredo e Heloísa abandonaram a terra firme em abril de 1984 e partiram para o mar, onde criaram seus três filhos, Wilhem, David e Pierre.

28 de Setembro de 2004.
Publicado por Equipe EcoViagem  

Vilfredo e Heloísa abandonaram a terra firme em abril de 1984 e partiram para o mar, onde criaram seus três filhos, Wilhem, David e Pierre.

Os Schürmann a bordo do Aysso, o veleiro da Família

Os Schürmann a bordo do Aysso, o veleiro da Família
Foto: Divulgação

Juntos deram a volta ao mundo a bordo de um veleiro (chamado Aysso) e ancoraram nos mais belos lugares do planeta.

Os filhos cresceram no mar e hoje a família continua fazendo sua história com a caçula Kat, completando 20 anos de aventuras.

Viaje neste bate-papo que traz detalhes das emoções vividas por uma família que optou por ter um dia-a-dia fora do comum.

EcoViagem: Falem de alguns momentos curiosos ou emocionantes que vocês tiveram a oportunidade de vivenciar nestes 20 anos de vida no mar.
Schürmann: Foram tantos os momentos emocionantes em nossa vida! A saída em 1984 foi o primeiro de muitos momentos emocionantes em nossas vidas, nesses últimos 20 anos pelos oceanos do mundo. Largar tudo e zarpar no veleiro com nossos filhos pequenos, deixando para trás nossa família e amigos. Na primeira viagem, sem dúvida a experiência mais marcante foi de ter o privilégio de navegar ao redor do mundo junto com nossos filhos, Pierre, David e Wilhelm e vê-los crescer participando dessa inesquecível aventura. Na segunda, dessa vez com uma filha, a Kat, descobrimos o mundo através dos olhos de uma criança pequena.
Mas tivemos momentos perigosos também, como uma tempestade em 1991, na Nova Zelândia, quando os mastros caíram devido a fúria dos ventos e do mar, foi o momento de maior perigo que passamos, e as dificuldades para regressarmos ao porto com nossos próprios meios foi a maior dificuldade.

EcoViagem: Como surgiu a paixão pelo mar?
Vilfredo: A paixão e a vontade de velejar surgiram numa viagem que fizemos ao Caribe, quando estávamos a caminho dos Estados Unidos e resolvemos aceitar um convite para passar uns dias naquelas ilhas.
Resolvemos sair para dar uma volta de barco e nos apaixonamos pela experiência, também porque o ambiente era muito propício para isso. Um lugar paradisíaco, nós éramos recém-casados e todos aqueles barquinhos ancorados, só dando vontade de ter um próprio. Daí eu virei para Heloisa e disse: “Um dia ainda vamos voltar até aqui com nosso próprio barco.” O resto da história vocês já conhecem...

EcoViagem: Gostaríamos de saber mais detalhes de histórias como a do ataque dos piratas e a das mensagens enviadas em garrafas.
Schürmann: O ataque de piratas não chegou a acontecer efetivamente, simplesmente pelo fato de nós sempre termos sido precavidos. Estávamos ancorados numa baía, no mar da China, onde chegamos no final da tarde. Quase anoitecendo, outro barco chegou, parando ao lado do nosso veleiro; muito próximo mesmo.
Estranhamos porque havia muito espaço para eles pararem o barco e não precisaria ter sido colado ao nosso. Mesmo assim, resolvemos ficar por ali mesmo. Durante toda a noite mantivemos uma certa vigilância. O capitão mais ainda... pressentimento de navegador. O pessoal do outro barco, que parecia ser um navio pesqueiro estava bebendo e gritando muito. Heloisa chegou a vestir-se com roupas masculinas para não parecer que havia mulheres a bordo.
A certa altura o capitão sussurrou a ordem: “Vamos partir!”. Enquanto eles continuavam bebendo, levantamos as âncoras - com as mãos para não fazer barulho – e as velas e partimos em direção à saída da baía. Quando já estávamos suficientemente afastados, Jaime (tripulante que nos acompanhou na segunda viagem), que observava a movimentação pelos binóculos infra-vermelhos, nos avisou que pequenos botes haviam descido do grande barco pesqueiro e que se dirigiam ao local onde antes estava o Aysso.
Já a história da garrafa é a seguinte: quando estávamos no litoral africano, mais especificamente na Namíbia, escrevemos uma carta com uma mensagem auto-explicativa, além das orientações que deveriam ser tomadas caso alguém encontrasse a garrafa. Deixamos um telefone para contato e Kat a lançou ao mar.
As chances da garrafa ser encontrada eram muito pequenas, cerca de 5%. Só que 267 dias depois a garrafa foi encontrada no litoral do Sergipe, próximo a Pirambu, um pequeno município. A pessoa que a encontrou, Carlos Roberto Ramos dos Santos, não tinha telefone. Na verdade só havia um telefone na cidade. Tínhamos um horário certo para ligar e falar com ele. Agora marcamos de encontrá-lo assim que passarmos pela região.

EcoViagem: Qual país vocês mais gostaram de conhecer?
Schürmann: Todos os lugares nos chamam muita atenção, mas sempre de uma maneira diferente. A Polinésia Francesa é belíssima, com suas águas transparentes. Lembraremos do seu povo sempre com muito carinho, pois fizemos boas amizades e sempre fomos muito bem recebidos por todos lá. A Patagônia, por exemplo, com sua natureza intocada, a diversidade de paisagens - como os glaciares e icebergs - o frio intenso e sua fauna e flora diversificada nos cativou para sempre. Cocos Keeling é uma ilha que sempre volta a nossa mente quando pensamos em lugar fascinante. A praia é maravilhosa, com água cristalina, areia branca e limpa e existe um lugar especial com infra-estrutura de água, onde somente veleiros podem atracar. Enfim, um paraíso.

EcoViagem: Se vocês decidissem se `aposentar` das viagens e se fixar definitivamente em algum lugar, qual escolheriam?
Heloísa: Provavelmente seria o Brasil. Gostamos muito da Nova Zelândia e Polinésia Francesa também, mas nenhum deles se compara com nosso querido país.

EcoViagem: Além das preocupações que todos os pais têm com seus filhos, quais são as preocupações adicionais que nascem em viagens como a de vocês?
Heloísa: A responsabilidade com a educação dos filhos, afinal estávamos tirando-os da escola e educando-os a bordo. Outra preocupação é com a saúde. E se alguém ficasse doente ou se ferisse? Por isso, me preparei em terra através de um curso intensivo de primeiros-socorros e nutrição.

EcoViagem: Como lidar com a saudade de amigos e parentes? É possível fazer grandes amizades viajando tanto?
Heloísa: A saudade é inevitável. Meus pais e os irmãos de Vilfredo nos visitavam sempre que possível. Alguns amigos também se animaram a nos encontrar durante nossas viagens. Mas fazemos amigos o tempo todo. E mantemos muito contato com as pessoas através da internet, que é algo que facilitou muito nossa comunicação com pessoas próximas.

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Comentários

sabrina da silva ferreira

 postado: 24/8/2008 13:19:49editar

eu acho q vcs foram tão corajosos para navegarem na divugação!!!! e parabéns viu!!!! xau eieieieie!!!!

 

 

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