Feodor Nenov

O EcoViagem conversa com o balonista Feodor Nenov – recordista sul-americano de altitude Flight Level 300.

  
  

O EcoViagem conversa com o balonista Feodor Nenov – recordista sul-americano de altitude Flight Level 300.

Feodor Nenov

Feodor Nenov
Foto: Divulgação

EcoViagem: De onde surgiu o desejo de ser piloto de balão?
Feodor Nenov: Meu primeiro contato com o balonismo foi em 1988, participei do 1o Campeonato Brasileiro como navegador e minha equipe foi campeã. Na época eu já possuía uma grande experiência com o montanhismo, foi natural o interesse pelo balonismo onde pude utilizar toda a minha bagagem anterior. As possibilidades pareciam infinitas, pude imaginar como seria no futuro poder sobrevoar as regiões que eu havia conhecido como guia de montanha, só que de uma forma diferente.

EcoViagem: Como você analisa o cenário brasileiro de balonismo hoje?
Feodor Nenov: O balonismo no Brasil infelizmente ainda não evoluiu muito. Sua introdução ocorreu em 1970 com Vitório Truffi e depois de mais de trinta anos de história podemos constatar que sua evolução foi muito pequena. Atualmente temos cerca de 50 pilotos ativos, realmente um número muito pequeno em função das dimensões do Brasil.

EcoViagem: Como você avalia o último Campeonato Brasileiro, ocorrido no início de dezembro/2001?
Feodor Nenov: Este último campeonato brasileiro serviu apenas para cumprir o calendário, já que foi realizado em uma época do ano totalmente desfavorável ao vôo de balão, geralmente acontece durante os meses mais frios. O evento foi marcado por uma condição meteorológica muito instável tornando impossível para os pilotos, de forma geral, completarem as provas.

EcoViagem: Você fez o primeiro vôo sobre a cidade de São Paulo, sobrevoou o Monte Fuji, quebrou seu próprio recorde voando a 9000m... qual destas conquistas foi mais importante em sua carreira de piloto?
Feodor Nenov: Na verdade cada um dos projetos teve uma importância muito grande no meu desenvolvimento técnico. No momento da realização de cada um deles o desafio foi grande e a superação serviu de estimulo para o nascimento de todos os outros. A maior dificuldade em cada um dos projetos foi transformar o sonho em realidade, ou seja, viabilizar através de apoio e patrocínio a realização. A grande alegria sem dúvida foi conseguir manter acesa a chama e continuar sonhando.

EcoViagem: Como é a emoção de se aventurar em balões construídos por você mesmo?
Feodor Nenov: Voar é uma delícia, de balão nem se fala, imagine voar num balão que você mesmo construiu, não tem preço. Este é o quinto balão que acabo de construir e é o maior deles. Com 4.530 m3 de volume tem capacidade para transportar até 8 pessoas ou quantidade de combustível suficiente para um vôo de até 10 horas. O projeto de construção deste balão foi baseado em um modelo do maior fabricante mundial de balões. É um projeto muito seguro e ainda tem a vantagem de proporcionar uma superfície na parte central do balão ideal para a fixação de logomarcas. A construção deste balão durou cerca de 4 meses e foi desenvolvida de forma bastante artesanal.

EcoViagem: Quando você faz vôos turísticos, qual é a sensação de pilotar para pessoas que nunca antes voaram em um balão de ar quente?
Feodor Nenov: Dividir com outras pessoas a emoção de voar sem dúvida é um prazer muito grande. Com essa estrutura para a realização de vôos turísticos posso resgatar a antiga vocação de guia de montanha, desenvolvida de 1986 a 1995. Normalmente algumas pessoas iniciam o vôo um pouco tensas, mas depois de alguns minutos relaxam e aproveitam intensamente a tranqüilidade do vôo. Como acontecia nas caminhadas, quando guiava os grupos por trilhas em regiões de rara beleza, a maior recompensa de acompanhar grupos é poder propiciar experiências que geralmente se tornam marcantes em suas vidas.

EcoViagem: Qual a sua visão para o futuro do balonismo no Brasil?
Feodor Nenov: Infelizmente não há um crescimento considerável, mas a minha intenção com a criação de um centro de balonismo é justamente possibilitar que um número maior de pessoas possa ter contato com o esporte. Acredito que este tipo de iniciativa é o principal caminho para que o balonismo possa se desenvolver de acordo com o imenso potencial existente no Brasil.

EcoViagem: O que você está preparando para o futuro?
Feodor Nenov: O desdobramento do projeto para estabelecer um recorde sul-americano de altitude Flight Level 300 e a travessia da Cordilheira dos Andes onde utilizarei o mesmo nível de vôo da etapa inicial quando atingi 30.000 pés ou 9.000 m, no dia 8 de julho deste ano, embarcando de carona nas correntes de jato encontradas no limite da primeira camada da atmosfera.

  
  

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