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Mário Mantovani

Mário Mantovani, diretor de Relações Institucionais da SOS Mata Atlântica, concedeu uma entrevista coletiva através do site Comunique-se, onde explica detalhes do novo projeto da fundação.

4 de Junho de 2004.
Publicado por Equipe EcoViagem  

Mário Mantovani, diretor de Relações Institucionais da SOS Mata Atlântica, concedeu uma entrevista coletiva através do site Comunique-se, onde explica detalhes do novo projeto da fundação.

O Florestas do Futuro tem como objetivo promover o reflorestamento das áreas de cinco bacias hidrográficas que se encontram degradadas atualmente.

O projeto pretende contar com a participação de empresas e pessoas físicas, que poderão contribuir adotando árvores a serem plantadas.

Hugo Oliveira, estudante: Quando começou a iniciativa do Projeto?
Mário: Começou em 1986 quando apresentamos o slogan Estão Tirando o Verde de nossa Terra; depois surgiu o atlas acompanhando a evolução do desmatamento e outros projetos, como o Click Árvores, gestão de recursos hídricos e agora, em parceria com a editora três, lançamos o Floresta do Futuro. Não paramos e queremos contar com uma grande mobilização.

Fabiana U., repórter da Radiobrás: Por que começar o “Programa Florestas do Futuro” por bacias hidrográficas e quais são essas bacias?
Mário: O projeto é a evolução do programa Click Árvore e resultado de um grande processo de negociação com o Projeto de Lei da Mata Atlântica e do Código Florestal, onde percebemos que não ha resistência com relação a proteção das margens dos rios e nascentes. Associado a isso, vem nossa experiência na gestão de recursos hídricos que ganha prioridade quando relacionamos a proteção da floresta com a produção de água. Neste momento em função das parcerias com ONGs locais, disponibilidade de viveiros de mudas e trabalhos anteriores escolhemos as bacias do Rio Tibagi, no Paraná; do Rio Tietê, em São Paulo; do Rio Paraíba do Sul Mina, São Paulo e Rio de Janeiro, do Rio Doce, em Minas e Espírito Santo e do Rio de Contas, na Bahia.

Rosângela Santiago, editora-chefe da e_Writing Metapress: Se a responsabilidade de cada cidadão pela derrubada de árvores é de 300 unidades, quanto se estima que seja necessário arrecadar com o programa para resolver o problema? E quantos anos serão necessários para a recuperação de cada área plantada
Mário: Essa pergunta não tem respostas no sistema numeral. Impossível fazer as contas e não existem recursos para isso por conta do poder público, empresas ou cidadãos. O fato de ser imenso e, apesar das dificuldades, o programa não deve paralisar. É importante começar. Para se ter idéia vamos trabalhar com 1700 árvores e 80 espécies por hectares e, no nosso caso, a árvore custa R$10,00 (media de mercado). Vê-se então que sai muito caro destruir a água, o solo, o clima, etc.

Fúlvio Giannella Jr., editor da Revista Família Cristã: Preservar pequenos núcleos de mata nativa que se encontram espalhados, sem formar um continuum, tem sido um caminho viável para garantir a biodiversidade daquele ecossistema?
Mário: Essa não é a forma correta, estamos priorizando as margens de rios por formarem corredores e não existir resistências dos proprietários.

Fúlvio Giannella Jr., editor da Revista Família Cristã: Quanto se pode ou se pretende alcançar em termos de ampliação da área de Mata Atlântica com um programa de reflorestamento como o que está sendo proposto?
Mário: Não é possível ter essa dimensão. Estamos contando com as primeiras 30.000 árvores e contaremos com nossa habilidade de captação como aconteceu no Click Árvore. Num primeiro momento a revista Isto é vai mobilizar seus leitores e assinantes para ajudar e cada um de nós pode fazer sua parte. Não podemos esquecer: é um programa voluntário e quem tem a obrigação não faz. Então, mãos a obra!

Fabiana U., repórter da Radiobrás: A taxa de R$10,00 por árvore é válida por cinco anos?
Mário: Os projetos variam de 5 a 100.000 árvores. O valor de R$10,00 é referência e contempla educação ambiental, auditoria por empresa reconhecida, equipe de relacionamento, assistência técnica, extensão rural, plantio e cuidados. O investimento dos recursos é durante os cinco anos. E trabalharemos com 1700 arvores de pelo menos 80 espécies diferentes por hectares.

Nívia Maria de Alencar, repórter - Imprensa Livre: O Programa Florestas do Futuro é destinado à Mata Atlântica. Então, quais áreas nas cidades serão beneficiadas? O Litoral Norte de São Paulo está envolvido no projeto? E como é a forma de participação no projeto, doação de mudas de árvores nativas, acompanhamento do crescimento? Como é isto, mais detalhes?
Mário: Trabalharemos neste momento em cinco bacias hidrográficas e teremos no nosso portal todos os municípios da bacia. Mas na Mata Atlântica temos 3400 municípios e 93% de áreas degradadas, tudo por se fazer. Devido aos recursos disponíveis e a mobilização, daremos prioridades para essa áreas. Conforme o desempenho ampliaremos o programa. Por enquanto não trabalharemos com o litoral norte de São Paulo, mas estamos empenhados no macrozoneamento para evitar a destruição do litoral norte.

Nívia Maria de Alencar, repórter - Imprensa Livre: Quais foram as mais recentes ações de SOS Mata Atlântica quanto a áreas pertinentes do Litoral Norte de São Paulo.
Mário: Estamos participando de uma coalizão de ONGs no litoral norte, com prioridades para combater o mau provocado pelo ex-secretário de meio ambiente e garantir que o macrozoneamento não desfigure ainda mais essa região. O mais importante é garantir a unidade da sociedade civil, estar no comitê de bacias hidrográficas, nos conselhos municipais de meio ambiente e lançar uma plataforma mínima ambiental para os candidatos a vereadores e prefeitos. Com os políticos que conhecemos, o litoral norte está condenado.

Maria Goreti Gomes, editor do Jornal da Educação: Quais são os planos de atuação da SOS no estado de Santa Catarina, em relação à recuperação da Mata Atlântica?
Mário: Essa é uma área prioritária para nossa atuação. Aprendemos muito na luta contra a usina de Cubatão e seus maus empreendedores, a Inepar. E, agora, o governador e ex-prefeito, no caso da Usinor. Temos nesta região uma das áreas preservadas mais importante no conjunto dos 17 estados e, o que é mais importante: declarada como RPPN (Reserva Particular de Proteção Natural) pela família Lindiner. Nesta área estamos propondo com a prof. Lucia da Universidade de Blumenau um levantamento sobre sua riqueza e, de nossa parte, um programa de educação ambiental e uma proposta de proteção com outros parceiros. Temos um grande desafio nesse lugar especial na mata atlântica.

Erich Vallim Vicente, repórter da Tribuna de Piracicaba: Qual a expectativa de plantio na bacia do Rio Piracicaba
Mário: Estamos partindo de 20.000 árvores doadas por percentual da venda de títulos de capitalização Pé Quente Bradesco e agora estamos buscando mais recursos que, somados com os do Consórcio, podem engrossar o caldo. Queremos criar um movimento que desperte para a necessidade de plantios.

Fúlvio Giannella Jr., editor da Revista Família Cristã: O fato de ainda não ter sido aprovado o projeto de lei de proteção da Mata Atlântica, que se encontra parado no Senado, pode comprometer de alguma forma os resultados do Programa Florestas do Futuro?
Mário: Não, o Floresta é uma provocação à falta de vontade dos políticos contra interesse coletivos, queremos mostrar que a sociedade mobilizada pode mudar o curso da história. Temos ainda o Portal da SOS que tem um caminho para mandar carta pressionando o Senado (1 click mais de oitenta cartas).

Rosângela Santiago, editora-chefe da e_Writing Metapress: Muitas das áreas comprometidas foram invadidas por quem não tinha moradia. Será possível recuperar parte dessas áreas também?
Mário: No nosso programa não. Mas temos a obrigação de não deixar esse tipo de crime acontecer, principalmente nesse ano eleitoral onde candidatos a vereador e prefeito estarão induzindo esse tipo de ocupação. Curitiba, com seus parques lineares, conseguiu transferir essas moradias e recuperar a área evitando novas ocupações. Acho que vale a experiência.

Patrícia Foganholo, repórter da Rádio CBN FM: Como combater o grande problema das especulações imobiliárias nessas regiões?
Mário: Mobilizando as ONGs locais para denunciar os especuladores e a conivência do poder público local. Buscar o ministério público depois de acionar a polícia ambiental. É complicado, nosso atlas pode ajudar e estar vigilante, mas nossa experiência mostra que essas denúncias é que têm resultado.

Rogerio Lima Tosta, repórter especial da Tribuna de Petrópolis: Como a SOS Mata Atlântica avalia as ações de meio ambiente do governo Lula e a atuação da ministra
Mário: Em relação ao governo Lula, estamos avaliando com certa frustração e confiando no capital moral e ético da ministra Marina Silva, que tem conseguido manter seus programas ambientais com a unidade de sua equipe (meio fraca), apesar da falta de recursos e independentemente do ajuste fiscal.

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