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Sérgio Franco

O EcoViagem conversa com Sérgio Franco, organizador da

3 de Outubro de 2000.
Publicado por Equipe EcoViagem  

O EcoViagem conversa com Sérgio Franco, organizador da
Adventure Sport Fair.

ADVENTURE SPORT FAIR: EM BUSCA DA CONSOLIDAÇÃO DO MERCADO DOS ESPORTES DE AVENTURA.

EcoViagem:Como e quando surgiu a idéia de organizar a Adventure Sport Fair?
S. Franco: A quatro anos atrás, nós identificamos que a tendência das pessoas era ter mais tempo livre e poder estar usando-o de uma forma mais criativa, mais saudável, em contato com a natureza, respirando ar puro, etc. Essa era a grande tendência que se apontava no mercado do lazer. Por outro lado, surgiam empresas que operavam esportes de aventura como rafting, trekking, canoagem e rapel, com grande sucesso. Isso nos fez ver que esse era um mercado que estava se iniciando, mas tinha uma grande possibilidade de ascensão. Então, começamos a imaginar uma feira que inicialmente seria de esportes radicais, mas depois verificamos que as pessoas que procuram esses esportes não estão procurando nada de radical. Na verdade estão procurando descobertas, contato com a natureza e nada de riscos. Então, criamos esse novo conceito que é o de esportes de aventura, mostrando que ele é diferente do esporte radical. O esporte de aventura é aquele que qualquer pessoa pode praticar, não existe treinamento muito específico, nenhuma grande habilidade, sendo acessível a todas as pessoas.

EcoViagem: Qual foi o grande resultado da Adventure Sport Fair de 1999?
S. Franco: A feira teve uma grande visitação, perto de 60.000, sendo que 42.000 pessoas foram (muitas delas voltaram, somando 60.000). Isso é um resultado que demonstra o potencial desse mercado. Mas uma coisa muito importante que aconteceu foi a consolidação desse mercado. A maior parte das empresas que estavam no setor nunca haviam se encontrado ou discutido seus problemas, nunca tinham elas mesmas sentido o potencial e o tamanho do mercado, como agiam seus concorrentes; em que ponto poderiam estar trabalhando com seus concorrentes para fazer com que o mercado crescesse de uma forma sadia, sem acidentes e considerando o impacto ambiental. Isso foi discutido na feira. As empresas se encontraram, criaram parcerias, discutiram seus problemas e traçaram projetos para o futuro. Esse foi um ganho muito grande.

EcoViagem: O que mudou para a edição desse ano?
S. Franco: Em primeiro lugar, o ano passado nós tivemos alguma dificuldade de mostrar o conceito de esportes de aventura, que é algo novo no Brasil e envolve muitas coisas, desde uma caminhada até um vôo de planador. Muitas empresas perceberam as possibilidades desse mercado, mas como era a primeira feira, investiram modestamente. Depois do resultado da feira do ano passado, as empresas investiram muito mais: ampliaram seus espaços, sofisticaram seus estandes e criaram maior interatividade com o público. Novos expositores também surgiram. A feira cresceu: estamos com quase 170 expositores contra 125 do ano passado. O congresso do ano passado foi importantíssimo, com a participação de todos os grandes aventureiros e expoentes dos esportes de aventura. Tivemos 20 palestras e, para esse ano, já ultrapassamos 70 palestrantes. Outra mudança é a área total da feira. Nós usávamos 2 pavimentos da Bienal e agora usaremos também o terceiro pavimento e a área externa, todos lotados.

EcoViagem: Qual é o objetivo do Adventure Congress?
S. Franco: O Adventure Congress tem como primeiro objetivo criar, para as pessoas que querem entrar no mundo da aventura, mas ainda não têm esse contato, a possibilidade de entrar em contato com os grandes aventureiros e grandes nomes dos esportes de aventura e a partir daí, entender quais são os primeiros passos a serem dados. O segundo objetivo é discutir as questões do mercado, entre as próprias empresas que estão participando. Quer dizer, como é que esse mercado está crescendo, dimensioná-lo e verificar quais as ameaças a esse crescimento. Já que ainda estamos no início, precisamos nos organizar para evitar acidentes, uma depredação da natureza, saber o impacto ambiental desses esportes junto a natureza e criar uma legislação para esses esportes, credenciando empresas e pessoas de uma forma competente. O terceiro objetivo é atingir também o público que já está no mercado de aventura. Por exemplo, para as pessoas que praticam pára-quedismo, haverá clínicas de pára-quedismo; para quem pratica rafting, haverá palestras com os expoentes do rafting, trazendo as técnicas mais avançadas; rapel, aviação, off road... Teremos cursos para a pessoa aprender a pilotar seu jipe corretamente e cursos sobre bicicletas. Quem já pratica, poderá estar aperfeiçoando sua técnica.

EcoViagem: Os visitantes poderão participar de atividades práticas? Elas serão pagas?
S. Franco: As atividades práticas que acontecem dentro da feira serão livres. Por exemplo, nós teremos o túnel do vento, que é um simulador de queda livre, onde as pessoas vão poder experimentar essa sensação. Teremos um estande onde haverá um barco dentro de um pequeno lago de rafting, onde as pessoas poderão aprender as manobras básicas do esporte. As pessoas poderão testar jipes em rampas que serão montadas no lado externo da feira e testar bicicletas em pistas especiais para ciclismo.

EcoViagem: Como você avalia o crescimento do mercado de esportes de aventura, desde a última feira?
S. Franco: Nós fizemos uma consulta com os nossos expositores, que representam as maiores e mais conhecidas empresas desse mercado e chegamos a um número que não pode representar o Brasil, mas os nossos expositores. Considerando que eles representam uma boa parcela do mercado, nós podemos dizer que o número do Brasil deve estar próximo disso. Do ano passado para cá, cresceu em torno de 25%. Parece um número não tão importante, mas é muito grande, considerando que a economia do país está estagnada.

EcoViagem: As corridas de aventura tiveram um crescimento representativo no Brasil, no último ano. O público dessas corridas, geralmente, já está bastante familiarizado com o mercado da aventura. Como vocês pretendem atingi-lo?
S. Franco: Nós temos, dentro do congresso, palestras específicas sobre corridas de aventura, com participantes e organizadores das mesmas, que acabam tendo um papel muito importante na divulgação desses esportes, pois essas corridas acabam tendo uma grande divulgação pela mídia e as pessoas acabam participando desses eventos. Alguns dos organizadores desses eventos tornaram-se nossos parceiros, estando presentes com estandes e no congresso.

EcoViagem: Existem dados estatísticos sobre o tamanho e a qualificação do mercado de esportes de aventura no Brasil?
S. Franco: Apesar de ser muito importante para todas as empresas que estão envolvidas, ainda não existem dados confiáveis. Os dados que existem foram coletados pela EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo), mas estão incluídos dentro do turismo geral. E, como esse mercado é muito amplo, nós temos, por exemplo, na área de veículos off road, que estão relacionados à aventura, um crescimento enorme a cada ano. Na área de bicicletas voltadas ao lazer, também há um crescimento enorme. O crescimento do ecoturismo é enorme. Mas cada um desses dados não foram coletados de forma separada. Nós estamos nos preocupando esse ano em levantar esses dados. Temos um contato com um grupo de pós-gradução do SENAC, cuja tese é exatamente o dimensionamento desse mercado. Trocamos informações e idéias e, junto com esse grupo, pretendemos, dentro do Adventure Congress, apresentar dados mais confiáveis. A finalização dessa pesquisa está prevista para o final do mês de outubro e pretendemos divulgar os dados dentro do congresso.

EcoViagem: Então, o evento também é uma maneira de estar avaliando o mercado de esportes de aventura?
S. Franco: Exatamente. A idéia é que, através do contato com as empresas presentes no evento mais o contato com as instituições que estão envolvidas nesse mercado, como o SENAC e os órgãos de governo, nós possamos dimensionar esse mercado e ter uma projeção de como ele pode crescer no futuro, inclusive com a perspectiva de poder trazer turistas estrangeiros para o Brasil.

EcoViagem: Quem tem investido mais nesse segmento aqui no Brasil?
S. Franco: Os maiores investimentos são das pequenas empresas, que surgiram a 5, 6 anos atrás e têm crescido muito nos últimos anos, reinvestindo no setor. Por exemplo, no rafting, a Canoar existe no mercado há 10 anos, mas de 5 anos para cá é que ela teve um grande crescimento e quase que dobra o número de descidas por ano nos diversos rios. Essas empresas, hoje, têm um papel importante no crescimento. O fato delas terem investido no setor e o fato de terem surgido novas empresas, começando agora, fará com que tenham um importante papel. Os órgãos governamentais ainda não estão muito voltados para este setor, por ele ser novo. Eles e a EMBRATUR ainda estão mais voltados para o turismo tradicional, que ainda representa um faturamento muito maior. Mas tenho certeza que já estão de olho no potencial desse mercado e devem começar a olhá-lo com mais atenção.

EcoViagem: De que maneira os esportes de aventura contribuem para a preservação do meio ambiente?
S. Franco: A questão da preservação do meio ambiente é uma das mais discutidas entre as empresas que operam ecoturismo e turismo de aventura. Quando as empresas são conscientes, os profissionais são treinados e têm consciência ecológica, elas têm uma ação no sentido de educar as pessoas da região para que conservem o local, não joguem lixo... Por quê? Porque só assim esses lugares vão ser preservados, o que permite a continuidade dessas empresas no local. Todas as boas empresas do setor têm essa preocupação e têm feito um trabalho de educação para a comunidade local, além de treinar seus instrutores com a preocupação de preservar o local, limpá-lo e passar isso para seus clientes. O que vemos na prática é que onde as empresas sérias operam, elas conseguem reverter situações, às vezes, calamitosas de depredação da natureza, de ações que às vezes a população local, que não tem consciência ecológica, acaba tendo e destruindo a natureza.

EcoViagem: A Adventure Sport Fair 2000 terá uma área com trabalhos de algumas universidades, onde também estarão ONGs, trazendo um outro tipo de público. Qual é o objetivo em atrai-lo?
S. Franco: Para que esse mercado cresça de uma maneira sadia, todas as entidades como universidades, ONGs, órgãos públicos, têm que estar envolvidas em conhecer mais sobre ele, estudar quais são as ameaçadas que podem impedir seu crescimento e ter ações que impeçam que essas ameaças se concretizem. Por isso nós nos preocupamos em incluir dentro da feira essa discussão envolvendo as entidades que você citou, para que comecemos a juntar forças, trocar informações e, a partir daí, ter um plano de desenvolvimento, onde estejam envolvidas todas essas entidades. Essa é a única forma de podermos crescer com segurança, considerando o impacto ambiental e fazendo com que as comunidades dos locais onde se pratica esportes de aventura sejam envolvidas no processo e não sejam invadidas por grupos que, às vezes, não respeitam a cultura local, que não consideram a importância do desenvolvimento da mão-de-obra... É muito importante discutir tudo isso.

EcoViagem: A Adventure Sport Fair é baseada em algum evento internacional?
S. Franco: A Adventure Sport Fair é um evento que envolve muita coisa. A maior parte das feiras no exterior é mais segmentada. Por exemplo, a maior feira de esportes outdoor do mundo, que acontece no estado de Utah, em South Lake City, praticamente traz empresas de equipamentos de aventura, exclusivamente de produtos ligados ao montanhismo. Tem outra de produtos ligados ao off road. Existe uma separação enorme entre atividades que envolvem motor e que não envolvem. Existem outras só de esportes aéreos. No Brasil, esses esportes estão começando. A grande diferença entre a Adventure Sport Fair e os eventos no exterior é que ela abrange tudo: aventureiros, cursos, equipamentos, veículos... Em termos de amplitude e diversidade de produtos e empresas, a Adventure é uma feira sem precedentes no mundo.

EcoViagem: O evento terá edições em outros estados?
S. Franco: Nós achamos que, como o mercado ainda é embrionário, boa parte das empresas ainda não tem porte financeiro para poder estar participando no Brasil inteiro. Para as empresas existe um custo alto para participar bem e o que é importante é que elas apresentem uma estrutura que permita uma eficácia de resultados. Se nós fizermos várias feiras, essas empresas vão ter um investimento e não vão ter o retorno proporcional. São Paulo é a cidade onde está a maior parte dos praticantes potenciais de esporte de aventura, pela própria população, que é a maior do Brasil. Também é a cidade onde todas as pessoas se motivam a vir para uma feira. Qualquer outro lugar do país seria mais difícil fazer uma feira com o resultado que se tem em São Paulo. No primeiro momento, teremos essa atividade aqui em São Paulo, mas já estamos com a preocupação de apoiar eventos em outros estados, não exatamente feiras, mas campeonatos, corridas de aventuras e congressos de ecoturismo.

EcoViagem: Quais são as perspectivas para esse ano?
S. Franco: Nós esperamos aumentar em 50% o público. Considerando que o ano passado tivemos 42.000 pessoas que foram a feira nos seus cinco dias, esperamos chegar próximo a 70.000 pessoas. Em relação ao faturamento, temos condições de dobrá-lo para os expositores.

EcoViagem: Algum segmento se destaca mais dentro da feira?
S. Franco: Esse ano, a área de mergulho cresceu muito. Estamos com todas as principais operadoras de mergulho do Brasil, com a participação das prefeituras e entidades das cidades que têm mergulho como atrativo. Outra área importante é a de bicicletas. Estarão presentes todas as grandes exportadoras de bicicletas voltadas para essa prática e os maiores fabricantes brasileiros também. A área de veículos off road tem um peso muito importante. Na área de ultraleves avançados, que é uma tendência internacional, temos um dos melhores fabricantes do mundo, o alemão FK e outro tcheco, que fabrica o motoplanador, que se chama Lambada e vai ser lançado dentro da feira.
Uma atração importante, que ainda não está definida, é o barco da família Schürmann, de 55 pés.
Mas a área que realmente mais cresceu foi a das empresas de ecoturismo, que visitaram a feira em 99, perceberam o potencial desse mercado e o bom contato com o público. Talvez, hoje elas representem a área mais importante da feira.

EcoViagem: Qual a contribuição da Adventure Sport Fair para com a sociedade?
S. Franco: Um aspecto gratificante ao realizar essa feira é saber que ela contribui para que o maior número de pessoas esteja conhecendo a importância de estar praticando esporte de aventura, de estar em contato com a natureza, descobrindo o próprio país, que as pessoas não conhecem. A importância é também organizar esse setor. Eu acredito que o ecoturismo e o turismo de aventura podem representar, no futuro, uma grande contribuição para a economia do país. Muitos países, como Austrália e Nova Zelândia, conseguiram, através desse tipo de atividade, reverter sua economia. Esse tipo de turismo tem um papel importantíssimo no PIB desses países.
O Brasil tem um potencial enorme porque tem praias, uma grande costa; tem a Amazônia, que é a maior floresta tropical do mundo; tem chapadas fantásticas; as Cataratas do Iguaçu, o Pantanal, dunas... Ou seja, somos um país que talvez tenha a maior diversidade do mundo de possibilidades para a prática de esportes de aventura e ecoturismo. E se divulgarmos isso, podemos mudar a economia do país. Para que isso aconteça são necessárias poucas coisas. Primeiro, que a gente divulgue lá fora o turismo brasileiro, mostrando esse lado, ao invés de só divulgar carnaval, Rio de Janeiro e o aspecto cultural da Bahia. Isso também deve ser divulgado, mas não só isso. Segundo, temos que nos preparar para receber turistas estrangeiros, fazendo material informativo em outras línguas, não só português, tendo guias que falem inglês e treinando os receptivos brasileiros para receber o turista estrangeiro dentro dos padrões a que está acostumado .

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