A mais temida das doenças da soja chega ao Pará

Embora a soja produzida no Pará represente pouco mais de 1% do total nacional, ou seja, 1,1 milhão de toneladas, pesquisadores e produtores não escondem sua preocupação com a confirmação de que a ferrugem asiática chegou aos plantios paraenses. Oficial

  
  

Embora a soja produzida no Pará represente pouco mais de 1% do total nacional, ou seja, 1,1 milhão de toneladas, pesquisadores e produtores não escondem sua preocupação com a confirmação de que a ferrugem asiática chegou aos plantios paraenses.

Oficialmente ela apareceu no nordeste do Estado (municípios de Paragominas,D. Eliseu e Ulianópolis), embora informações extra-oficiais dêem conta de sua ocorrência no sudeste paraense, na safra do ano passado.

A identificação da doença foi feita no laboratório de Fitopatologia da Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA), a partir do material coletado durante uma viagem de coleta e fiscalização realizada conjuntamente por técnicos da Delegacia Federal de Agricultura (DFA), da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e da Embrapa.

Os pesquisadores da Embrapa Ruth Linda Benchimol e Emeleocípio de Andrade explicam que a soja tem sido atacada por mais de uma centena de doenças, mas garantem que a ferrugem é a mais perigosa de todas.

Ruth Linda, que é fitopatologista, ressalta que existem dois tipos de ferrugem causadas por fungos. A conhecida por ferrugem americana é causada pelo Phakopsora meibomiae e a ferrugem asiática causada pelo P. pachyrhyzi. A diferença precisa entre os dois tipos de ferrugem só pode ser feita através da análise do DNA.

Mas segundo a pesquisadora, sabe-se, porém, que a ferrugem americana raramente causa danos econômicos e é um fungo que prefere temperaturas amenas, com média abaixo de 25o C e umidade relativa elevada, ocorrendo geralmente nas regiões de Cerrado, com altitude superior a 800 m, ou seja, no Sul do país.

Já a ferrugem asiática é extremamente agressiva, se adapta a temperaturas mais elevadas (até 30o C) e requer acima de 10 horas de molhamento da folha, por orvalho ou chuva. Exatamente o que acontece nas regiões paraense onde a soja está sendo plantada em grande escala.

Emeleocípio Botelho ao fazer uma retrospectiva sobre o aparecimento da ferrugem no País, lembra que a primeira constatação se deu no Estado do Paraná, em 2001 e chegou via Paraguai. Os sojicultores paranaenses registraram perdas que variaram de 30 a 75%.

No ano seguinte, a doença já estava em Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul. Em 2004 já foram contabilizados 244 municípios afetados. E agora a mais temidas das doenças da soja chegam ao Pará. Apenas o pólo de Santarém, no oeste do Estado, não registrou a presença da ferrugem asiática.

Um quadro fitopatológico que já era presumível, segundo Ruth Linda. “Apesar da pesquisa indicar para a produção de grãos, as áreas mais secas do Estado, o que se tem em nossa região é uma situação bem diferente.

“A Amazônia, e no caso específico o Pará onde estão implantados os cultivos de soja, tem uma temperatura anual elevada e uniforme e excessivo teor de umidade relativa do ar, extremamente favorável à incidência de doenças, principalmente as fúngicas.

A pesquisadora alerta que isso leva a atividade agrícola na Amazônia a ter um risco bem maior que em outras regiões do País e exemplifica com culturas de grande relevância econômica para o Pará que têm seu crescimento limitado pela incidência de doenças. É o caso do cupuaçu e cacau, atacados pela vassoura-de-bruxa; a pimenta-do-reino pela fusariose; a seringueira pelo mal-das-folhas e o dendê pelo amarelecimento fatal. Agora chegou a vez da soja.

Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

  
  

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