Acidente ambiental ocorrido na Shell em Paulínea-SP deverá ser avaliado através de CPI

O médico do Sindicato dos Químicos de São Paulo, Roberto Ruiz, confirmou a ocorrência de alterações hepáticas e neurológicas e problemas de tireóide nos trabalhadores da fábrica de pesticidas da Shell de Paulínia (SP). Eles foram expostos à contaminação p

  
  

O médico do Sindicato dos Químicos de São Paulo, Roberto Ruiz, confirmou a ocorrência de alterações hepáticas e neurológicas e problemas de tireóide nos trabalhadores da fábrica de pesticidas da Shell de Paulínia (SP). Eles foram expostos à contaminação por produtos tóxicos que vazaram das instalações, em acidente ocorrido em 1995, que atingiu também moradores da área próxima à fábrica.

Ruiz foi um dos participantes da audiência pública que a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados realizou na quinta-feira (8/5) para debater as conseqüências do acidente ambiental. Entre os produtos que os ex-funcionários da Shell manuseavam, havia quatro condenados pela Conferência de Estocolmo, que estabeleceu, na década de 90, os doze produtos orgânicos persistentes que deveriam ser eliminados do planeta.

Diante da gravidade dos fatos relatados, o deputado Luciano Zica (PT-SP), decidiu pedir a criação de uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito para avaliar o acidente e a situação dos trabalhadores atingidos.

NOVOS EXAMES :

A Comissão decidiu solicitar novos exames médicos dos trabalhadores atingidos em instituições públicas de saúde, como a Fiocruz. A contaminação ambiental por produtos tóxicos foi constatada apenas por exames de laboratórios realizados pela Prefeitura de Paulínia. Mas os ex-trabalhadores denunciam o descaso da Shell com os problemas de saúde decorrentes da intoxicação.

De acordo com o coordenador de saúde da Shell do Brasil, Luiz Maneschy, a empresa está realizando os exames em uma clínica especializada e imparcial. Os ex-funcionários não concordam e querem a avaliação de alguma instituição pública.

Antônio de Marco Rasteiro, representante dos ex-funcionários, diz que eles estão sendo desrespeitados pela Shell e não têm garantias de que os exames sejam imparciais. Ex-líder de produção da empresa, Rasteiro também foi contaminado: apresenta problemas hapáticos, perdeu parte da audição e do olfato e tem fissuras na tiróide. Aposentado, diz que gostaria de voltar a trabalhar.

O deputado Doutor Rosinha (PT-PR), um dos autores do requerimento da audiência, considera necessária a intermediação do Poder Público no caso. O deputado defende uma intervenção política da Comissão de Seguridade Social, para que a empresa pague as indenizações que forem devidas e o tratamento médico dos contaminados.

Fonte: Agência Câmara

  
  

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