Programa visa reduzir as emissões de gases do efeito estufa

O compromisso do Brasil é reduzir suas emissões em 1 bilhão de toneladas equivalentes de dióxido de carbono

  
  

A Itaipu Binacional é a principal promotora, no Oeste do Paraná, do Programa Nacional de Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC), do governo federal.

O programa é uma das estratégias do Brasil para reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEF), compromisso voluntário assumido pelo País na Conferência do Clima de Cancun, no México, em 2010.

O compromisso do Brasil é reduzir suas emissões em 1 bilhão de toneladas equivalentes de dióxido de carbono (uma redução entre 36% e 39% dos níveis atuais).

Para atingir esse volume, o País quer diminuir em 80% o desmatamento da Amazônia, 40% o desmatamento do Cerrado e o restante com estratégias do Programa ABC.

A agropecuária responde por um quarto das emissões nacionais de gases do efeito estufa. Os principais pontos do Programa ABC são: recuperar 15 milhões de hectares de pastos degradados, aumentar em 8 milhões de hectares a área com plantio direto, trabalhar com a fixação biológica do Nitrogênio em 5,5 milhões de hectares, incrementar as florestas plantadas em 3 milhões de hectares e promover o tratamento de 4,4 milhões de metros cúbicos de dejetos da pecuária.

“A Itaipu antecipou essas ações e vem trabalhando em projetos que estão alinhados com as metas do Programa ABC, principalmente em duas frentes: o plantio direto na palha e o tratamento de dejetos da pecuária”, explica o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedirich.

Plantio direto

O plantio direto tem três princípios fundamentais: o solo nunca é revolvido, é necessário fazer rotação de culturas e precisa haver a cobertura do solo pela palha da cultura intermediária.

O emprego dessas técnicas resulta em diversos benefícios ambientais, como a diminuição significativa das emissões de gases do efeito estufa, maior infiltração da água chuva (que assim não carrega matéria orgânica para os rios) e redução do uso de agroquímicos.

A Itaipu, em parceria com a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp) criou uma metodologia que atesta, por meio de um selo, a qualidade do plantio direto em uma propriedade rural.

Para o desenvolvimento dessa metodologia, foram utilizados dados de 216 propriedades rurais da região. Essas informações são lançadas em um sistema georreferenciado, desenvolvido em software livre pelo Centro Internacional de Hidroinformática, sediado no Parque Tecnológico Itaipu.

Esse aplicativo gera uma pontuação da qualidade do plantio direto em cada propriedade avaliada. Cabe aos produtores - organizados em comitês de bacias hidrográficas - a responsabilidade de fazer uma autoavaliação de itens ligados ao plantio direto. A federação também é responsável por verificar, em campo, os indicadores de qualidade deste plantio.

“O resultado é um controle mais efetivo dessa técnica de manejo do solo”, afirma o engenheiro agrônomo João José Passini, da Itaipu.

“O próximo estágio da parceria é desenvolver uma ferramenta que permita o pagamento pelos serviços ambientais prestados pelos agricultores que adotam o plantio direto”, acrescenta.

Agricultura sustentável:

O estímulo ao plantio direto é uma das ações do programa Desenvolvimento Rural Sustentável, que faz parte do Cultivando Água Boa. Atuando a partir de comitês (formados por órgãos de assistência técnica e de pesquisa, cooperativas, organizações dos produtores e agricultores), o programa tem como proposta central a substituição gradual da monocultura, formando sistemas agroecológicos e com diversificação e baseados nos processos de autorregulação da natureza.

Desde 2003, quando o programa foi implantado, cerca de mil agricultores locais aderiram à prática da agricultura orgânica. Outros 1.500 estão em estágio avançado na adoção de práticas agropecuárias sustentáveis, como a integração entre pecuária e lavoura, a produção de leite a pasto e a diversificação de culturas, especialmente com o plantio de frutíferas.

Além do suporte técnico a esses produtores, a Itaipu e demais parceiros do projeto incentivam a produção agroecológica através das feiras Vida Orgânica, da inserção de alimentos orgânicos na merenda escolar, da criação de agroindústrias e cooperativas voltadas ao agricultor familiar, entre outras ações.

O agricultor Norberto Seibel, de Santa Helena (município que fica às margens do reservatório da Itaipu), conta que fez muitas mudanças em sua propriedade, sob orientação de técnicos da Itaipu, com impactos não só na produção, mas também na qualidade de vida.

“Os benefícios estão na melhoria do nosso rebanho leiteiro e das pastagens, na maior variedade de produtos para feira, na pasteurização de leite para comercializamos para a merenda escolar, e na qualidade do melado, com a maior produtividade da cana”, garante Seibel.

Plantas medicinais:

Outra frente do Cultivando Água Boa relacionada a práticas sustentáveis no campo é o programa Plantas Medicinais. Através dessa iniciativa, a Itaipu já capacitou mais de 10 mil pessoas (entre médicos, dentistas, agentes de saúde e produtores) com orientações sobre o cultivo e o uso de fitoterápicos que fazem parte da biodiversidade da região e que tem eficácia cientificamente comprovada em tratamentos de saúde.

Hoje, 32 postos de saúde da região fornecem fitoterápicos a seus pacientes. O município de Vera Cruz do Oeste, por exemplo, reduziu em 30% os gastos com o tratamento de hipertensão e diabetes depois que adotou plantas medicinais em seus postos.

A Itaipu mantém um horto e uma estrutura de secagem de plantas medicinais no Refúgio Biológico Bela Vista. A estrutura já forneceu mais de 380 mil mudas e 8 toneladas de fitoterápicos desidratados.

Além disso, auxiliou os produtores a se organizarem na forma de cooperativa e, em parceria com a prefeitura de Pato Bragado, criou uma unidade de extrato seco, possibilitando aumentar o valor agregado à produção de plantas medicinais.

“Como produtora de plantas medicinais, acredito que este projeto tem tudo para dar certo, pela importância que tem na vida das pessoas, não só pelo valor econômico, mas também, pela qualidade de vida que pode oferecer para as pessoas que produzem e fazem uso dessas plantas para prevenir e curar doenças”, afirma Guiomar Neves, presidente da Cooperativa Gran Lago, que reúne 24 produtores de plantas medicinais.

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Fonte: Itaipu

  
  

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