Com iniciativa de conversação de peixes-boi, Instituto Mamirauá é finalista do Prêmio Nacional de Biodiversidade

O peixe-boi amazônico é considerado, pelas listas nacional e internacional, como vulnerável à extinção

  
  
Os vencedores de todas as sete categorias serão conhecidos no Dia Mundial da Biodiversidade, 22 de maio, em cerimônia a ser realizada em Brasília / Divulgação

A iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá “Conservação do peixe-boi na Amazônia Brasileira” é finalista do Prêmio Nacional de Biodiversidade, promovido pela primeira vez no Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente.

A instituição concorre na categoria “Academia”, que visa reconhecer instituições de pesquisa que se “destacam por buscarem a melhoria ou a manutenção do estado de conservação de espécies da biodiversidade brasileira”.

Os vencedores de todas as sete categorias serão conhecidos no Dia Mundial da Biodiversidade, 22 de maio, em cerimônia a ser realizada em Brasília

(DF).

Um prêmio especial será concedido ao vencedor de uma votação popular que começará nesta quinta-feira, dia 30 de abril, no site do Ministério do Meio Ambiente. Nessa mesma data deverão ser conhecidos todos os finalistas do prêmio.

O Instituto Mamirauá atua na conservação do peixe-boi Amazônico desde 1993, antes mesmo de sua fundação, quando as ações eram desenvolvidas por meio da Sociedade Civil Mamirauá.

O peixe-boi amazônico é considerado, pelas listas nacional e internacional, como vulnerável à extinção.

O esforço institucional de conservação tem contribuído para a redução das ameaças para essas populações. Para isso, o Instituto Mamirauá implantou o Centro de Reabilitação de Peixes-boi de Base Comunitária (Centrinho), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, credenciado como “criatório conservacionista de animais silvestres” pelo IBAMA em 2008.

O Centrinho recebe filhotes órfãos de peixes-boi, resgatados em municípios da região do Médio Solimões, no Amazonas.

O processo de reabilitação ocorre em ambiente natural, dentro de currais de madeira que flutuam no lago Amanã. Os cuidados com os animais contam com a participação de moradores, conforme explica a pesquisadora Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá: “Uma das grandes contribuições que nós temos ao nosso trabalho de pesquisa e conservação é o envolvimento comunitário, que tem sido muito forte.

Eles participam na reabilitação dos animais, no monitoramento dos peixes-boi, o que vem permitindo que os níveis de caça comecem a diminuir. Essa é uma característica do trabalho do Instituto Mamirauá: atuar em colaboração com os comunitários”.

Essa iniciativa já reabilitou e devolveu ao ambiente natural 12 peixes-boi amazônicos, a maioria liberada com equipamento de rádio e monitorada ao longo de vários meses.

A primeira soltura ocorreu em 2000, a segunda em 2012, e a última, no início de 2015. “A ideia, uma vez que esses animais estão soltos, é fazer o monitoramento diário. Os animais saem com um cinto adaptado à cauda. Esse cinto contém um radiotransmissor com sinais de frequência única, as quais podemos captar através de receptor específico.

Nós pretendemos seguir esses animais durante o maior tempo possível, para ver essa reintegração ao ambiente natural e com a população nativa. Com isso, também vamos gerar uma série de informações sobre a espécie, além de observar o grau de sucesso da reabilitação”, afirmou Miriam.

Além da estratégia de implantação de um centro de reabilitação, pesquisadores de várias regiões da Amazônia atuam na construção de um painel amplo e abrangente da situação atual do peixe-boi.

Com a realização de pesquisas científicas e envolvimento da população local, é possível desenvolver estratégias de conservação focadas à espécie e seus problemas, ao longo de toda a Amazônia brasileira.

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Fonte: Eunice Venturi /Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

  
  

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