Complexo Turístico da Cachoeira de Salto é revitalizado

Devido às intervenções, turistas e moradores voltarão a desfrutar desse patrimônio arquitetônico e paisagístico de grande valor histórico

  
  
Complexo Turístico da Cachoeira de Salto/Time Comunicação

Um dos mais antigos atrativos turísticos do Estado de São Paulo foi revitalizado e foi devolvido à população no dia 6 de dezembro. O Complexo Turístico da Cachoeira de Salto, a 100 quilômetros da Capital, recuperou a imponência após quase dois anos de obras e cerca de R$ 2 milhões em investimentos.

Devido às intervenções, turistas e moradores voltarão a desfrutar desse patrimônio arquitetônico e paisagístico de grande valor histórico, que faz parte do Roteiro dos Bandeirantes. O local abrigará também o Memorial do Rio Tietê, o mais completo museu voltado ao rio.

Formada entre 65 e 30 milhões de anos, a cachoeira do complexo é a maior queda d’água no leito do rio Tietê. Batizada pelos índios guaianazes de Ytu-Guaçu, que em português significa Salto Grande, a cachoeira deu origem ao nome da cidade. No seu entorno, reúne um conjunto de atrativos como o Memorial do Rio Tietê, a Ponte Pênsil, o Mirante, a antiga Brasital, o Caminho das Esculturas, o Jardim e a Ilha dos Amores e a Concha Acústica.

A partir da década de 70, o complexo sofreu as conseqüências do deslocamento do eixo econômico do município para outras áreas, do vandalismo e do desgaste natural.

A revitalização:

Para recuperar o espaço, a Prefeitura de Salto investiu cerca de R$1 milhão e contou com o aporte de R$ 800 mil da Petrobrás, por meio da Associação Cultural de Salto. As obras duraram cerca de dois anos.

Entre as atrações que passaram por intervenções está a pequena Ilha dos Amores, um recanto poético e romântico localizado logo acima da cachoeira. A ilha recebeu esse nome porque no passado muitos casais tinham o hábito de permanecer ali para namorar. No entorno é possível contemplar os belos jardins concebidos pelo arquiteto paulista João Walter Toscano, em 1958.

O Memorial do Rio Tietê, um completo museu sobre o rio, ocupará o prédio onde até o início dos anos 70 funcionava o Restaurante do Salto. Em uma ampla parede de vidro com 18 metros de extensão, o mapa do Tietê é reproduzido, da nascente à foz. Além disso, os vidros permitem uma visão privilegiada da cachoeira e da mata ciliar ao entorno.

Durante a visita, painéis, monitores de computador e vídeos permitem que se faça uma viagem didática e envolvente pelo universo do rio. Há ainda um pequeno auditório no qual é possível assistir a um documentário de 30 minutos sobre o Tietê. Ao lado do memorial, foi construído um charmoso café com deck voltado para a cachoeira e, acima, o amplo Mirante foi recuperado.

Ao sair do memorial, o visitante pode cruzar os 75 metros da centenária Ponte Pênsil, que também foi revitalizada. Construída em 1913 para recuperar o acesso dos pescadores ao rio, ela balança sobre a margem direita do Tietê. Do outro lado da ponte há um novo atrativo: O Caminho das Esculturas.

Ali, é possível apreciar seis obras do escultor Murilo Sá de Toledo, em tamanho natural. As esculturas representam os personagens que ao longo dos séculos contemplaram o rio e a cachoeira. São eles: o índio, o bandeirante, o padre José de Anchieta, os viajantes estrangeiros, pescadores e operá rios. Ao longo do caminho, em meio aos jardins, painéis oferecem informações sobre cada um desses tipos humanos, o que possibilita uma aula de história ao ar livre.

Deste ponto, o visitante também pode avistar imponentes prédios que abrigaram as primeiras tecelagens de São Paulo, onde hoje funciona um centro universitário.

Cachoeira de Salto:

A Cachoeira de Salto está localizada no que os geólogos chamam de fall line. Ou seja, a linha de queda ou linha de contato entre duas regiões morfológicas do Estado de São Paulo. Isso justifica a perda de altitude do terreno, os trechos de corredeiras e a cachoeira.

A conhecida queda d’água de Salto já foi desenhada e pintada por nomes famosos, como os brasileiros Almeida Júnior e Pedro Alexandrino, os franceses Jean-Baptiste Debret e Hercule Florence, e pelo pintor alemão Erich Brill.

Viajantes estrangeiros, como o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire e o explorador e cônsul da Rússia, Barão de Langsdorff, também estiveram na região e escreveram notas sobre a cachoeira. O lugar recebeu ainda personagens históricos, como o Imperador Pedro II e sua f ilha, a Princesa Isabel. A cachoeira também aparece no mais antigo mapa que registra o rio Tietê, de 1628.

Fonte: Time Comunicação

  
  

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