Em pleno verão, pingüins continuam chegando ao litoral brasileiro

O trajeto de deslocamento dos pingüins, da Patagônia ao Brasil, anualmente é realizado através da corrente das Malvinas

  
  
Lembrando Darwin, os mais fortes sobrevivem /Instituto Argonauta

Na primeira semana de Janeiro, a equipe do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha foi chamada à praia do Puruba, localizada no extremo norte de Ubatuba

, onde estava o primeiro pingüim de Magalhães que apareceu no ano. Segundo a equipe do Instituto, é um animal jovem com falha nas penas, magro e extremamente debilitado, que, por tais razões parou na praia.

O trajeto de deslocamento dos pingüins, da Patagônia ao Brasil, anualmente é realizado através da corrente das Malvinas que ocorre em nossa costa durante o inverno e que tem abundância de alimento.

Normalmente, os animais tendem a retornar para a Patagônia no inicio da primavera, auxiliados pela corrente do Brasil (corrente quente).

Neste período, os pinguins não necessitam descansar em terra e por tal razão qualquer animal dessa espécie que apareça nas praias (fora da região das suas colônias reprodutivas) representa uma anormalidade no ciclo daquele indivíduo especificamente.

Este fenômeno sempre ocorreu naturalmente e existem registros de pingüins em sambaquuis na região há mais de 5000 anos. A principal causa da mortalidade neste caso é uma menor habilidade de sobrevivência genética de alguns individuos. Lembrando Darwin, os mais fortes sobrevivem.

Entretanto, com o aumento do impacto da atividade humana nos mares, outros fatores surgiram e tem que ser considerados para a conservação do grupo tais como a falta de alimento em função da pesca predatória, derrames de óleo, ingestão de lixo, captura em redes de pesca, alterações climáticas que interferem nas correntes marinhas, etc.

Nos últimos 12 meses, as equipes do Instituto Argonauta e do Aquário de Ubatuba registraram um recorde de ocorrências na região compreendida entre Angra dos Reis/RJ e São Sebastião/SP, resgatando cerca de 660 animais, na maioria pingüins de magalhães. Um número bastante elevado se comparado aos anos anteriores.

Em setembro de 2008 foi realizada, como experiência e em parceria com o IBAMA, INPE, GREMAR e Aquários de Ubatuba, Guarujá e Santos, a primeira soltura de alguns animais ao mar na região Sudeste, que anteriormente ocorria exclusivamente na região sul do país.

A incessante chegada dos pingüins já criou, de setembro até hoje, um novo grupo de pingüins reabilitados, alguns em condições de serem devolvidos a natureza e outros que devem ser encaminhados a centros de pesquisa e educação ambiental como aquários, zoológicos e outros.

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização não governamental sem fins lucrativos, fundada, em Julho de 1998, pela Diretoria do Aquário de Ubatuba e outros profissionais envolvidos na preservação do meio ambiente marinho.

A ONG foi criada para dar suporte e ajudar na obtenção de recursos para projetos de pesquisa e educação voltada a preservação dos mares. Tem convênio com 30 instituições de ensino como Mackenzie, USP, Unicamp, entre outras.

Para o trabalho de reabilitação, o Instituto tem patrocínio do Aquário de Ubatuba e da Petrobrás. Para dar continuidade e otimizar suas ações o Instituto Argonauta vem buscando recursos para a estruturação do centro de reabilitação e triagem de animais aquáticos, CRETA.

Atualmente o Instituto já possui uma área disponível para o projeto e conta com o apoio do Ibama para a iniciativa de implantação deste Centro na região.

Fonte: Instituto Argonauta

  
  

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